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Moshe Dayan

Líder militar e político israelense (1915–1981)

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Moshe Dayan (Degania Alef, 20 de maio de 1915—Tel Aviv, 16 de outubro de 1981), foi um militar e político israelense (português brasileiro) ou israelita (português europeu). Como comandante da frente de Jerusalém na Guerra Árabe-Israelense de 1948, Chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel (1953-1958) durante a Crise de Suez de 1956, mas principalmente como Ministro da Defesa durante a Guerra dos Seis Dias em 1967, tornou-se um símbolo da luta mundial do novo Estado de Israel. Na década de 1930, Dayan ingressou no Haganah, a força de defesa pré-Estado judaico do Mandato Britânico da Palestina, e serviu nos Esquadrões Noturnos Especiais sob Orde Wingate durante a revolta árabe na Palestina. Como oficial da Palmach, perdeu um olho em uma incursão contra forças de Vichy no Líbano, durante a Segunda Guerra Mundial. Deste ferimento veio o icônico tapa-olho pelo qual é conhecido.

Dayan era próximo de David Ben-Gurion e se juntou a ele ao deixar o partido Mapai e fundar o partido Rafi, em 1965, com Shimon Peres. Dayan tornou-se Ministro da Defesa pouco antes da Guerra dos Seis Dias de 1967. Na Guerra do Yom Kippur de 1973, o General Dayan serviu como Ministro da Defesa. Apesar da guerra terminar favoravelmente para Israel, e junto aos demais na alta liderança, Dayan foi culpado pelo público pela falta de preparação do país. Apesar de ser absolvido, Dayan permaneceu sendo hostilizado pela mídia e opinião pública, renunciando depois de um certo tempo. Durante o primeiro ano de sua renúncia, Moshe Dayan escreveu suas memórias. Em 1977, após a eleição de Menachem Begin como primeiro-ministro, Dayan foi expulso do Partido Trabalhista porque ingressou no governo liderado pelo Likud como ministro das Relações Exteriores, desempenhando um papel importante na negociação do tratado de paz entre o Egito e Israel.

Moshe Dayan nasceu em 20 de maio de 1915, no kibbutz Degania, próximo ao Mar da Galileia na Palestina, localizada na então Síria otomana e que era parte do Império Turco Otomano. Moshe foi o primogênito de três filhos de Shmuel e Devorah Dayan, judeus-ucranianos emigrados do Império Russo. Dayan foi a segunda criança nascida em Degania, depois de Gideon Baratz (1913–1988). O primeiro nome Moshe, significando Moisés em hebraico, foi dado em homenagem a Moshe Barsky, um dos primeiros integrantes de Degania. Em novembro de 1913, o jovem de 18 anos Moshe Barsky foi ao assentamento vizinho de Menahamia, no Vale do Jordão, para comprar medicamentos para Shmuel Dayan. No caminho de volta, ele foi morto por saqueadores árabes que queriam roubar a sua mula. Esse tipo de violência era típico dos pequenos conflitos da Palestina da época, seguindo o antigo sistema onde os beduínos, que viviam nas montanhas e desertos, pilhavam os agricultores; fossem eles judeus ou árabes.

Seu pai, Shmuel Dayan, nasceu em 1890 de uma família hassídica pobre perto de Kiev. Shmuel tinha pouco estudo e, aos 13 anos, foi trabalhar como aprendiz de comerciante e foi pego nos pogrons de 1905; os quais impulsionariam as migrações da segunda aliá. Esta nova rodada de massacres começou no prelúdio da Revolução Russa de 1905, com o pogrom em Kishinev em abril de 1903 e depois em Homel em setembro. Em outubro de 1905, no auge do fervor revolucionário, aproximadamente 690 pogrons separados foram registrados, principalmente na Ucrânia; com um total de 876 judeus massacrados. Em 1908, Shmuel e sua irmã se mudaram para a Palestina seguindo o ideal sionista. Ele passou os próximos três anos mudando de um assentamento para outro, primeiro realizando trabalhos manuais e depois trabalhando como segurança. Em 1911, Shmuel fundou o assentamento de Degania, o primeiro kibbutz. As terras onde fora construído foram compradas do proprietário persa Majid a-Din, que não morava ali, com fundos da Associação de Colonização Judaica; a qual também forneceu aos colonos animais de criação, equipamento e crédito para ajudá-los até a colheita das primeiras safras. Degania tinha uma população inicial de 14 pessoas, com doze homens e duas mulheres. Todos eram jovens recém-chegados do Leste Europeu e totalmente despossuídos. O idioma comum em Degania era o íidiche, a língua franca dos judeus na região, e o russo.

A mãe de Moshe Dayan, Dvora Zatulovsky, também nasceu no ano de 1890 na Ucrânia, de uma família de ricos comerciantes e teve boa escolaridade. Dvora foi aluna da Universidade de São Petesburgo numa época em que era incomum que mulheres recebessem educação. Assim como muitos jovens russos de classe alta da época, ela foi influenciada pelos ideais socialistas e por seu principal representante, o escritor Leon Tolstói. Em 1910, esteve presente no seu velório entre a multidão chorando e tentando tocar em seu corpo. Sob a influência de Tolstói, planejou dedicar sua vida a ajudar "o povo" a sair do atraso em que vivia. Durante a Guerra dos Bálcãs em 1911, Dvora serviu como enfermeira voluntária. Depois tentou trabalhar como assistente social em Kiev, mas descobriu que o povo que tentava ajudar era profundamente anti-semita e não tinha interesse em jovens intelectuais judias. Mantendo seus ideias apesar das frustrações, emigrou em 1913 para a Palestina otomana. Ela recebera uma carta de apresentação endereçada a alguém em Degania e se apresentou no kibbutz. Dvora era delicada e sem experiência agrícola e no início os membros do kibbutz (kibbutzniks) não a queriam; mas no outono de 1914 ela se casou com Shmuel e se tornou um membro mesmo assim.

Shmuel viajava muito pela Europa e Estados Unidos e deixava Dvora sozinha com os filhos. A partir da década de 1920, ela publicou regularmente artigos em jornal, os quais tiveram muito sucesso na época ao mostrar imagens da vida simples no vilarejo de Nahalal. Um dos seus temas favoritos era a posição das mulheres nessa nova sociedade desbravadora agrária. A ideia de independência e força femininas provaram-se uma ilusão - como a própria Dvora acabou reconhecendo - pois quanto melhor estabelecido o vilarejo, mais as mulheres tendiam a retomar suas tarefas tradicionais dentro da família. Dvora era uma intelectual e sempre pedia que Shmuel lhe enviasse livros. No sistema socialista do kibbutz, o novo judeu seria uma pessoa totalmente dedicada ao trabalho agrário, mas Dvora acreditava na importância da educação intelectual além do trabalho físico, e incutiu nos seus filhos o amor pela leitura. Ela, Moshe e a filha competiam entre si para ver quem conhecia melhor Tolstói ou Dostoiévski. Eles eram tão familiarizados com seus poetas preferidos que conseguiam localizar versos isolados e citá-los de cor.

Aos 14 anos de idade Moshe Dayan iniciou sua carreira militar na Haganá, a força de autodefesa sionista. Na primavera de 1937, durante a Grande Revolta Árabe, ele se juntou à Polícia Supranumerária, a força auxiliar judaica organizada pelos britânicos. "Orgulhoso" do seu soldo de oito libras esterlinas por mês, foi encarregado de seis homens e uma picape. Aos 21 anos, o jovem comandante de pelotão patrulhava as estradas poeirentas em volta de Nahalal durante o dia e realizava emboscadas contra infiltradores árabes à noite. A patrulha motorizada de Dayan ("MAN") era famosa na região, com uma música em sua homenagem dizendo "A picape está circulando, a picape está aqui".

No outono de 1937 houve uma calmaria na insurgência e Moshe foi mandado para um curso de sargentos do Exército Britânico, o qual foi ministrado em inglês. Dayan achou tudo "limpinho demais" e sentiu uma antipatia imediata. Ele qualificou as técnicas como necessárias aos britânicos no comando do Império, mas inadequadas à guerra irregular da Palestina. A este treinamento seguiu-se um curso de comandante de pelotão ministrado pelo Haganá, em hebraico, com duração de seis semanas. Este treinamento era mais adequado à "guerra suja" da região, e nele, Moshe Dayan foi ensinado técnicas de infantaria: aprendeu o que vestir quando saísse em campanha, a escolher e explorar uma boa posição, a avançar sem ser notado pelo inimigo, a arrombar uma cerca de perímetro, a atirar com armas portáteis e a lançar granadas. Destacou-se por seu condicionamento físico - seus braços eram incrivelmente fortes por anos de trabalho agrário no kibbutz e no moshav - e por suas soluções "pouco ortodoxas" e altamente agressivas para problemas táticos. O que mais gostava de fazer era servir na equipe "vermelha", a força oponente que representava os inimigos árabes. Uma vez nesta função, recrutou alguns camaradas e se infiltrou numa base, que era supostamente muito bem vigiada. Os guardas não foram avisados do exercício e teriam atirado nos instruendos se os tivesse descoberto.

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