Morte (do termo latino mors), óbito (do termo latino obitu), falecimento (falecer+mento), ou passamento (passar+mento), são termos usados para denominar o processo irreversível de cessamento das atividades biológicas necessárias à caracterização e manutenção da vida em um sistema orgânico. Os processos que seguem-se à morte (post mortem) geralmente são os que levam à decomposição dos sistemas. Sob condições ambientais específicas, processos distintos podem segui-la, a exemplo aqueles que levam à mumificação natural ou a fossilização de organismos. A morte encefálica às vezes é usada como uma definição legal de morte.
É um processo universal e inevitável que eventualmente ocorre com todos os organismos vivos. O termo "morte" é geralmente aplicado a organismos inteiros; o processo semelhante observado em componentes individuais de um organismo vivo, como células ou tecidos, é a necrose. Algo que não é considerado um organismo vivo, como um vírus, pode ser fisicamente destruído, mas não se diz que ele "morreu". A morte faz-se notória e ganha destaque especial ao ocorrer em seres humanos. Não há nenhuma evidência científica de que a consciência continue após a morte, no entanto existem várias crenças em diversas culturas e tempos históricos que acreditam em vida após a morte. No início do século XXI, mais de 150 mil humanos morrem a cada dia.
Muitas culturas e religiões têm a ideia de uma vida após a morte e também têm a ideia de julgamento de suas boas e más ações (céu, inferno, carma). Existem diversas concepções sobre o destino da consciência após a morte, como as crenças na ressurreição (religiões abraâmicas), na reencarnação (religiões orientais, espiritismo, candomblé, etc.) ou mesmo o oblívio eterno ("esquecimento eterno"), conceito esse comum na neuropsicologia e atrelado à ideia de fim permanente da consciência após a morte.
As cerimônias de luto e práticas funerárias são variadas. Os restos mortais de uma pessoa, comumente chamados de cadáver ou corpo, são geralmente enterrados ou cremados. A forma de disposição mortuária pode, contudo, variar significativamente de cultura para cultura. Entre os fenômenos que induzem à morte, os mais comuns são: envelhecimento biológico (senescência), predação, desnutrição, doenças, suicídio, assassinato, acidentes e acontecimentos que causam traumatismo físico irrecuperável.
O conceito de morte é a chave para a compreensão humana do fenômeno. Existem muitas abordagens científicas e várias interpretações do conceito. Além disso, o advento da terapia de suporte à vida e os vários critérios para definir a morte, tanto do ponto de vista médico quanto jurídico, dificultaram a criação de uma única definição unificadora.
Um dos desafios para definir a morte é distingui-la da vida. Como um ponto no tempo, a morte parece referir-se ao momento em que a vida termina. Determinar quando a morte ocorre é difícil, já que a interrupção das funções vitais muitas vezes não é simultânea entre os diferentes sistemas orgânicos. Essa determinação, portanto, requer o traçado de limites conceituais precisos entre a vida e a morte. Isso é difícil, devido ao pouco consenso sobre como definir a vida.
É possível definir a vida em termos de consciência. Quando a consciência cessa, pode-se dizer que um organismo vivo morreu. Uma das falhas dessa abordagem é que muitos organismos estão vivos, mas provavelmente não estão conscientes (por exemplo, organismos unicelulares). Outro problema é o conceito de "consciência", que tem muitas definições diferentes dadas por cientistas, psicólogos e filósofos modernos. Além disso, muitas tradições religiosas, incluindo as tradições abraâmicas e dármicas, afirmam que a morte não significa (ou pode não) acarretar o fim da consciência. Em certas culturas, a morte é mais um processo do que um único evento. Implica uma lenta mudança de um estado espiritual para outro.
Outras definições para morte enfocam o caráter de cessação de algo. Mais especificamente, a morte ocorre quando uma entidade viva experimenta o fim irreversível de todo o funcionamento. No que se refere à vida humana, a morte é um processo irreversível em que alguém perde sua existência enquanto pessoa.
Historicamente, as tentativas de definir o momento exato da morte de um ser humano têm sido subjetivas ou imprecisas. A morte já foi definida como a cessação dos batimentos cardíacos (parada cardíaca) e da respiração, mas o desenvolvimento de RCP e desfibrilação imediata tornaram essa definição inadequada porque a respiração e os batimentos cardíacos às vezes podem ser reiniciados. Esse tipo de morte em que ocorre parada circulatória e respiratória é conhecido como definição circulatória de morte (DCM), cujos proponentes que uma pessoa com perda permanente da função circulatória e respiratória deve ser considerada morta. Os críticos desta definição afirmam que, embora o fim dessas funções possa ser permanente, isso não significa que a situação seja irreversível, porque se a RCP fosse aplicada, a pessoa poderia ser reanimada. Assim, os argumentos a favor e contra a DCM se resumem a uma questão de definir as palavras "permanente" e "irreversível", o que complica ainda mais o desafio de definir a morte. Além disso, eventos que estavam causalmente ligados à morte no passado não matam mais em todas as circunstâncias; sem um coração ou pulmões funcionando, às vezes a vida pode ser sustentada com uma combinação de dispositivos de suporte à vida, transplantes de órgãos e marca-passos artificiais .
Hoje, onde uma definição do momento da morte é necessária, os médicos e legistas geralmente recorrem à "morte cerebral" ou "morte biológica" para definir uma pessoa como morta; as pessoas são consideradas mortas quando a atividade elétrica em seus cérebros cessa. Presume-se que o fim da atividade elétrica indica o fim da consciência. A suspensão da consciência deve ser permanente e não transitória, como ocorre em certas fases do sono e, principalmente, no coma. No caso do sono, os EEGs podem facilmente dizer a diferença.
A categoria de "morte cerebral" é vista como problemática por alguns estudiosos. Por exemplo, o Dr. Franklin Miller, membro sênior do corpo docente do Departamento de Bioética do National Institutes of Health, observa: "No final da década de 1990 ... a equação da morte encefálica com a morte do ser humano foi cada vez mais questionada por estudiosos com base em evidências sobre a gama de funcionamento biológico exibida por pacientes corretamente diagnosticados como tendo essa condição que foram mantidos em ventilação mecânica por períodos substanciais de tempo. Esses pacientes mantiveram a capacidade de manter a circulação e a respiração, controlar a temperatura, excretar resíduos, curar feridas, combater infecções e, mais dramaticamente, gestar fetos (no caso de mulheres grávidas com "morte cerebral")".
Embora a "morte cerebral" seja vista como problemática por alguns estudiosos, seus defensores acreditam que essa definição de morte é a mais razoável. O raciocínio por trás do apoio a essa definição é que a morte encefálica possui um conjunto de critérios confiáveis e reproduzíveis. Além disso, o cérebro é crucial para determinar nossa identidade ou quem somos como seres humanos. Deve-se fazer a distinção de que "morte encefálica" não pode ser equiparada a alguém que está em estado vegetativo ou coma, visto que a primeira situação descreve um estado que está além da recuperação.
Aquelas pessoas que sustentam que apenas o neocórtex do cérebro é necessário para a consciência, às vezes argumentam que apenas a atividade elétrica deve ser considerada ao definir a morte. Eventualmente, é possível que o critério para a morte seja a perda permanente e irreversível da função cognitiva, conforme evidenciado pela morte do córtex cerebral. Toda esperança de recuperação do pensamento e da personalidade humana se vai, dada a tecnologia médica atual. Geralmente, na maioria dos lugares, a definição mais conservadora de morte –cessação irreversível da atividade elétrica em todo o cérebro, em oposição a apenas no neocórtex – foi adotada (por exemplo, a Lei de Determinação Uniforme da Morte nos Estados Unidos). Em 2005, o caso Terri Schiavo trouxe a questão da morte encefálica e sustento artificial para a frente da política estadunidense.