Montreal (em francês: Montréal) é a maior cidade da província canadense de Quebec e o segundo município mais populoso do Canadá. Originalmente chamada de Ville-Marie, ou "Cidade de Maria", a cidade foi renomeada para "Montréal", uma versão arcaica, escrita de forma simplificada, em homenagem ao Monte Royal, um morro localizado em um parque no centro da cidade. Montreal está localizada em sua maior parte na Ilha de Montreal, que tomou o seu nome da mesma fonte que a cidade, e em algumas ilhas periféricas muito menores. Montreal tem um clima continental distinto de quatro estações com verões quentes e invernos nevados e frios.
Em 2016, a cidade tinha uma população de 1 704 694 habitantes, sua área metropolitana tinha uma população de 4 098 927 e a aglomeração urbana 1 942 044, incluindo todos os municípios da Ilha de Montreal. O francês é a língua oficial da cidade, é a língua mais falada em casa por cerca de 49,8% da população da cidade, seguida do inglês em 22,8% e 18,3% por outras línguas (no censo de 2016). Na região metropolitana de Montreal, 65,8% da população fala francês em casa, em comparação com 15,3% que falam inglês. A aglomeração urbana de Montreal é uma das mais bilíngues da província de Quebec e do Canadá, com mais de 59% da população capaz de falar tanto o inglês como o francês.
A cidade foi historicamente a capital comercial do Canadá, mas foi superada em população e em força econômica por Toronto na década de 1970. Continua a ser um importante centro de comércio, tecnologia aeroespacial, finanças, produtos farmacêuticos, tecnologia, design, educação, cultura, turismo, jogos, cinema e assuntos mundiais. Sendo a localização da sede da Organização da Aviação Civil Internacional, Montreal é uma das três cidades norte-americanas que abriga a Organizações das Nações Unidas (juntamente com Washington, D.C. e Nova York) e também tem o segundo maior número de consulados no continente. Montreal também já foi nomeada pela UNESCO como cidade do design. Em 2009, Montreal foi a nomeada como a principal sede canadense de eventos de associação internacional, de acordo com os rankings preliminares de 2009 da Associação Internacional de Congressos e Convenções. A edição de 2017 da QS Best Students Cities classificou Montreal como a melhor cidade do mundo para ser um estudante universitário. Em 2015 a revista Economist classificou Montreal como a 14ª melhor cidade do mundo para se viver entre as 140 cidades avaliadas. Montreal é atualmente uma das cidades mais seguras do continente americano, sendo que em 2005 foram cometidos apenas 35 homicídios em toda a cidade.
Montreal já realizou várias conferências e eventos internacionais ao longo de sua história, incluindo a Exposição Internacional e Universal de 1967 e os Jogos Olímpicos de Verão de 1976. É a única cidade canadense que realizou os Jogos Olímpicos de Verão. Atualmente, a cidade abrigou o Grande Prêmio do Canadá de Fórmula 1, o Festival Internacional de Jazz de Montreal e o festival Just for Laughs. Em 2012, Montreal foi classificada como uma cidade global.
Na língua mohawk, a ilha se chama Tiohtià: ke Tsi. É um nome que se refere às Cataratas Lachine ao sudoeste da ilha ou Ka-wé-no-te. Significa "um lugar onde as nações e os rios se unem e se dividem". Na língua ojíbua, a área se chama Mooniyaang, o que significa "o primeiro ponto de parada" e faz parte da profecia de sete fogos.
Embora a cidade tenha sido nomeada pela primeira vez pelos colonos europeus de Ville Marie, ou "Cidade de Maria", seu nome atual vem do Monte Royal, a colina de três picos no coração da cidade. De acordo com uma teoria, o nome deriva do Mont Réal, (Mont Royal no francês moderno, embora no século XVI os termos real e royal fossem usados indistintamente); a entrada do diário de Cartier de 1535, nomeando a montanha, refere-se ao Mont Royal. Uma possibilidade do Governo do Canadá em seu site sobre nomes de lugares canadenses é que o nome foi adotado como está escrito hoje em dia porque um mapa inicial de 1556 usou o nome italiano da montanha, Monte Real; este equívoco foi rejeitado pela Comission de Toponymie du Québec.
De acordo com o Governo do Canadá, o Governo de Quebec, a Comission de Toponymie du Québec e o Conselho de Nomes Geográficos do Canadá, os nomes das cidades e cidades canadenses têm apenas um formulário oficial. Assim, Montreal é oficialmente escrito com um ac acentuado em inglês e francês canadenses.
O local onde fica a cidade de Montreal era habitado por nativos algonquinos, hurões e iroqueses, por milhares de anos antes da chegada dos primeiros europeus. Os rios e lagos da região eram cheios de peixes, que serviam como alimento aos nativos, além de servir como rotas de transportes.
O primeiro europeu a pisar na atual cidade de Montreal foi Jacques Cartier, que havia navegado o Rio São Lourenço acima, em 1535. Ouvindo rumores numa aldeia iroquesa, onde atualmente está localizada a cidade de Quebec, de que existia ouro na Ilha de Montreal, e impedido de continuar sua exploração rio acima pelas Cataratas de Lachine (geograficamente ao sul de Montreal), Cartier explorou a ilha, avistando uma aldeia iroquesa, Hochelaga, onde viviam aproximadamente mil nativos. A aldeia estava localizada ao pé do Monte Royal. Cartier então fincou uma cruz, a primeira de uma série, em honra ao Rei francês Francisco I, que havia patrocinado a excursão de Cartier. Para a infelicidade do navegador francês, o que os nativos haviam descrito como um "metal brilhante" não passava de quartzo, ou possivelmente pirita (o ouro dos tolos). Samuel de Champlain foi à Ilha de Montreal duas vezes, em 1603 e 1611, quase um século depois de Cartier. Hochelaga, então, já havia sido abandonada pelos iroqueses.
Em 1639, o cobrador de impostos Jérôme Le Royer criou uma companhia, em Paris. O objetivo da companhia era a colonização da atual Ilha de Montreal. Em 1641, a companhia enviou um grupo de missionários cristãos, cujo objetivo principal era "cristianizar" os nativos locais. Em 1642, o grupo missionário, composto por cerca de 50 pessoas, desembarcou na ilha e construiu um forte, estabelecendo a Vila Maria de Montreal (Ville Marie de Montréal).
Ataques iroqueses assolaram continuamente o forte, esperando destruir a então rentável troca de peles que os franceses mantinham com os algonquinos e hurões, rivais dos iroqueses. Apesar destes ataques, Montreal prosperava como centro católico de troca e venda de peles, bem como uma base central para a exploração de outras regiões da Nova França (regiões da América do Norte fazendo parte do império francês). No início do século XVII, a pequena Ville-Marie passou a ser chamada de Montreal. Então, possuía uma população de aproximadamente 3,5 mil habitantes.
Montreal foi invadida por forças inglesas em 1760, durante a Guerra Franco-Indígena (1754 a 1763), e passou definitivamente para controle britânico em 1763, dada a decisão francesa de manter a Ilha de Guadalupe, no Tratado de Paris, cedendo as colônias na América do Norte para o Reino Unido. Foi ocupada temporariamente pelos Estados Unidos durante a guerra da independência dos Estados Unidos em 1776. Benjamin Franklin e outros diplomatas americanos tentaram conseguir o apoio de canadenses francófonos à causa da independência das Treze Colônias contra os britânicos, sem sucesso. Em junho de 1776, com a chegada de tropas britânicas, os americanos recuaram. No início do século XVIII, Montreal possuía aproximadamente nove mil habitantes, quando imigrantes vindos da Escócia começaram a se instalar na cidade.
Os escoceses, embora constituindo apenas uma pequena percentagem da população da cidade, foram essenciais para a construção do Canal de Lachine, em 1825, que permitiu a navegação de grandes navios pelo rio, tornando a pequena Montreal em um dos principais centros portuários da América do Norte. Os pioneiros escoceses também criaram a primeira ponte conectando a ilha ao continente, o primeiro shopping center da cidade, ferrovias, e o Banco de Montreal, o primeiro banco do Canadá, e atualmente um dos maiores bancos do país.