Monte Everest ou, na sua forma portuguesa, Evereste, também conhecido no Nepal como Sagarmāthā (सगरमाथा), no Tibete como Chomolungma (ཇོ་མོ་གླང་མ) e Zhūmùlǎngmǎ Fēng em chinês (珠穆朗玛峰), é a montanha de maior altitude da Terra. Seu pico está a 8 848,86 metros acima do nível do mar, na subcordilheira Mahalangur Himal dos Himalaias. A fronteira internacional entre o distrito nepalês do Solukhumbu e o distrito de Tingri da Região Autônoma do Tibete da República Popular da China passa no cume. O maciço do Everest inclui diversos outros picos situados acima da zona da morte, incluindo os picos do Lhotse (8 516 m), Nuptse (7 855 m) e Changtse (7 580 m), entre outros.
O nome em inglês foi atribuído em 1865 pela Royal Geographical Society sob recomendação de Andrew Waugh, diretor do Survey of India, o organismo central de cartografia e topografia da Índia britânica. Não tendo conseguido saber os nomes locais da montanha, Waugh batizou-a com o nome do seu antecessor no Survey of India, George Everest.
O Everest atrai muitos alpinistas, alguns deles experientes. Existem duas rotas principais de escalada: uma que se aproxima ao cume pela face sudeste, no Nepal (conhecida como a rota padrão) e outra pela face norte, no Tibete. Apesar da rota padrão não colocar desafios substanciais na técnica de escalada, o Everest apresenta perigos, tais como mal da montanha, condições climáticas, vento, bem como os perigos objetivos importantes, como avalanchas. Em 2016, havia bem mais de 200 cadáveres na montanha, sendo que alguns deles chegam a servir como pontos de referência.
Os primeiros esforços registrados para alcançar o topo do Everest foram feitos por montanhistas britânicos. Como na época o Nepal não permitia que estrangeiros fossem ao país, os britânicos fizeram várias tentativas na rota pelo lado norte, no território tibetano. Após a primeira expedição de reconhecimento pelos britânicos em 1921 chegar a 7 000 m pela encosta norte, uma expedição de 1922 chegou até 8 320 m, marcando a primeira vez que um humano esteve acima de 8 000 metros de altitude. Uma tragédia atingiu a equipe na descida, quando sete alpinistas morreram numa avalancha. A expedição de 1924 resultou no maior mistério no Everest: George Mallory e Andrew Irvine fizeram uma tentativa de chegar ao cume em 8 de junho, mas nunca mais voltaram, o que provocou debate sobre se eles foram os primeiros a chegar ao topo. Eles haviam sido localizados no alto da montanha naquele dia, mas desapareceram nas nuvens e nunca mais foram vistos, até que o corpo de Mallory foi encontrado em 1999 a 8 155 metros de altitude na face norte da montanha. Parte do corpo de Irvine foi encontrada em 2024. Em 1953, Tenzing Norgay e Edmund Hillary fizeram a primeira subida oficial do Everest usando a rota sudeste. Tenzing havia atingido 8 595 m no ano anterior como membro da expedição suíça de 1952. A equipe de montanhismo chinesa de Wang Fuzhou, Gonpo e Qu Yinhua fez a primeira ascensão relatada do pico pelo lado norte em 25 de maio de 1960.
O monte Everest está localizado na cordilheira dos Himalaias, a qual surgiu de um processo natural conhecido como dobramentos modernos (também conhecidos como cadeias orogênicas ou cinturões orogênicos). São estruturas geológicas que se originaram em virtude das ações do tectonismo e correspondem à formação de cadeias montanhosas, apresentando as maiores altitudes do planeta por serem relativamente jovens se comparadas a outras formações no planeta, dessa forma o lento processo de erosão ainda atua sobre suas formações, diferente dos dobramentos antigos, onde os processos de erosão foram responsáveis pela formação de planaltos e bacias sedimentares. O início da formação das principais cadeias de montanhas da Terra não ocorreu antes de 250 milhões de anos atrás, durante o período terciário. Estima-se que o Himalaia tenha surgido cerca 50 a 40 milhões de anos atrás, quando as massas de terra do subcontinente indiano e da Eurásia, impulsionadas pelo movimento das placas tectônicas, colidiram.
Os geólogos subdividiram as rochas que formam o Monte Everest em três unidades denominadas formações. Cada formação está separada da outra por falhas de baixo ângulo, denominadas descolamentos (detachments), ao longo das quais foram empurradas para sul, umas sobre as outras. Do cume do Monte Everest até à sua base, estas unidades rochosas são a Formação Qomolangma, a Formação North Col e a Formação Rongbuk (sob o Glaciar de Rongbuk).
A Formação Qomolangma, também conhecida como Formação Jolmo Lungama, estende-se desde o cume até ao topo da Faixa Amarela, a cerca de 8 600 m (28 200 ft) acima do nível do mar. É constituída por calcário do Ordoviciano cinzento a cinzento escuro ou branco, com laminação e estratificação paralelas, intercalado com leitos subordinados de dolomita recristalizada, com lâminas argilosas e siltito. Gansser foi o primeiro a reportar a descoberta de fragmentos microscópicos de crinoides neste calcário. A análise petrográfica posterior de amostras do calcário recolhidas perto do cume revelou que eram compostas por pellets de carbonato e restos finamente fragmentados de trilobitas, crinoides e ostracodes. Outras amostras encontravam-se tão fortemente cisalhadas e recristalizadas que os seus constituintes originais não puderam ser determinados. Um leito espesso de trombolitos, de coloração branca por intemperismo e com 60 m (200 ft) de espessura, constitui o sopé do "Terceiro Degrau" e a base da pirâmide do cume do Everest. Este leito, que aflora a partir de cerca de 70 m (230 ft) abaixo do cume do Monte Everest, consiste em sedimentos retidos, ligados e cimentados por biofilmes de micro-organismos, especialmente cianobactérias, em águas marinhas rasas. A Formação Qomolangma encontra-se fragmentada por várias falhas de alto ângulo que terminam na falha normal de baixo ângulo, o Descolamento Qomolangma. Este descolamento separa-a da Faixa Amarela subjacente. Os cinco metros inferiores da Formação Qomolangma, que se sobrepõem a este descolamento, estão muito deformados.
A maior parte do Monte Everest, entre 7 000 e 8 600 m (23 000 e 28 200 ft), é constituída pela Formação North Col, da qual a Faixa Amarela forma a parte superior entre 8 200 a 8 600 m (26 900 a 28 200 ft). A Faixa Amarela consiste em leitos intercalados de mármore do Câmbrico Médio com diópsido e epídoto, que adquire uma cor castanha amarelada distinta por intemperismo, e filito de moscovita e biotite, além de semixisto. A análise petrográfica de mármore recolhido a cerca de 8 300 m (27 200 ft) revelou que é composto por até cinco por cento de vestígios (fantasmas) de ossículos de crinoides recristalizados. Os cinco metros superiores da Faixa Amarela, adjacentes ao Descolamento Qomolangma, estão muito deformados. Uma brecha de falha com 5 a 40 cm (2,0 a 15,7 in) de espessura separa-a da Formação Qomolangma sobrejacente.
O resto da Formação North Col, exposta entre 7 000 a 8 200 m (23 000 a 26 900 ft) no Monte Everest, consiste em xisto e filito intercalados e deformados, e uma quantidade menor de mármore. Entre 7 600 e 8 200 m (24 900 e 26 900 ft), a Formação North Col é constituída principalmente por filito de biotite-quartzo e filito de clorite-biotite, intercalados com quantidades menores de xisto de biotite-sericita-quartzo. Entre 7 000 e 7 600 m (23 000 e 24 900 ft), a parte inferior da Formação North Col consiste em xisto de biotite-quartzo intercalado com xisto de epídoto-quartzo, xisto de biotite-calcite-quartzo e finas camadas de mármore quartzoso. Estas rochas metamórficas parecem resultar do metamorfismo do flysch marinho profundo do Câmbrico Médio a Inferior, composto por camadas intercaladas de mudstone, folhelho (shale), arenito argiloso, arenito calcário, grauvaque e calcário arenoso. A base da Formação North Col é uma falha normal regional de baixo ângulo denominada "Descolamento de Lhotse".
Abaixo dos 7 000 m (23 000 ft), a Formação Rongbuk encontra-se por baixo da Formação North Col e forma a base do Monte Everest. Consiste em xisto e gnaisse de grau silimanita-feldspato potássico, intruídos por numerosas soleiras e diques de leucogranito (granito claro) cuja espessura varia entre 1 cm e 1.500 m. Estes leucogranitos fazem parte de uma cintura de rochas intrusivas do final do Oligoceno ao Mioceno, conhecida como o leucogranito do Alto Himalaia. Formaram-se em resultado da fusão parcial de rochas metassedimentares de alto grau, do Paleoproterozoico ao Ordoviciano, da Sequência do Alto Himalaia, há cerca de 20 a 24 milhões de anos, durante a subducção da Placa Indiana.