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Mona Lisa

Quadro de Leonardo da Vinci

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Mona Lisa ("Senhora Lisa") também conhecida como A Gioconda (em italiano: La Gioconda, "a sorridente"; em francês, La Joconde) ou ainda Mona Lisa del Giocondo ("Senhora Lisa esposa de Giocondo") é a mais notável e conhecida obra de Leonardo da Vinci, um dos mais eminentes homens do Renascimento italiano.

Sua pintura foi iniciada em 1503 (terminando-a três ou quatro anos mais tarde) e é nesta obra que o artista melhor concebeu a técnica do sfumato. O quadro representa uma mulher com uma expressão introspectiva e um pouco tímida. O seu sorriso restrito é muito sedutor, mesmo que um pouco conservador. O seu corpo representa o padrão de beleza da mulher na época de Leonardo. Este quadro é provavelmente o retrato mais famoso na história da arte, senão o quadro mais famoso e valioso de todo o mundo. Poucos outros trabalhos de arte são tão controversos, questionados, valiosos, elogiados, comemorados ou reproduzidos.

Muitos historiadores da arte acreditam que a reverência de Leonardo da Vinci pela Mona Lisa nada tinha a ver com sua maestria artística; segundo muitos, devia-se a algo muito mais profundo: uma mensagem oculta nas camadas da pintura. A linha do horizonte à esquerda encontra-se num nível visivelmente mais baixo que a da direita, fazendo com que a Mona Lisa pareça muito maior vista da esquerda que da direita. Historicamente, os conceitos de masculino e feminino estão ligados aos lados — o esquerdo é feminino, o direito é o masculino.

A pintura a óleo sobre madeira de álamo encontra-se exposta no Museu do Louvre, em Paris, e é uma das suas maiores atrações.

Entre as obras de Leonardo da Vinci, a Mona Lisa é o único retrato cuja autenticidade nunca foi seriamente questionada, e uma das quatro obras — as outras sendo São Jerônimo no Deserto, Adoração dos Magos e A Última Ceia — cuja atribuição evitou controvérsias. Ele já havia começado a trabalhar em um retrato de Lisa del Giocondo, a modelo da Mona Lisa, em outubro de 1503. Acredita-se que a Mona Lisa tenha sido iniciada em 1503 ou 1504, em Florença. Embora o Louvre afirme que ela foi "sem dúvida pintada entre 1503 e 1506", o historiador da arte Martin Kemp diz que há dificuldades em confirmar essas datas com certeza. Alessandro Vezzosi acredita que a pintura é característica do estilo de Leonardo nos últimos anos de sua vida, após 1513. Outros estudiosos argumentam que, com base na documentação histórica, Leonardo teria pintado a obra a partir de 1513. Segundo Vasari, "depois de ter se demorado sobre ela por quatro anos, [ele] a deixou inacabada". Em 1516, Leonardo foi convidado pelo rei Francisco I da França para trabalhar no Château Clos Lucé próximo ao Château d'Amboise; acredita-se que ele levou a Mona Lisa consigo e continuou a trabalhar nela após mudar-se para lá. A historiadora da arte Carmen C. Bambach concluiu que Leonardo provavelmente continuou refinando a obra até 1516 ou 1517. A mão direita de Leonardo estava paralisada por volta de 1517, o que pode indicar por que ele deixou a Mona Lisa inacabada.

Aproximadamente em 1505, Rafael executou um esboço em pena e tinta, no qual as colunas que flanqueiam a figura estão mais evidentes. Especialistas concordam universalmente que ele foi baseado no retrato de Leonardo. Outras cópias posteriores da Mona Lisa, como as do Museu Nacional de Arte, Arquitetura e Design e do Museu de Arte Walters, também exibem grandes colunas laterais. Como resultado, pensava-se que a Mona Lisa havia sido cortada. Em 1993, Frank Zöllner observou que a superfície da pintura nunca havia sido cortada; isso foi confirmado por uma série de testes em 2004. Diante disso, Vincent Delieuvin, curador de pintura italiana do século XVI no Louvre, afirma que o esboço e essas outras cópias devem ter sido inspirados por outra versão, enquanto Zöllner afirma que o esboço pode ter sido feito a partir de outro retrato de Leonardo com o mesmo tema.

O registro de uma visita em outubro de 1517 feita por Louis d'Aragon afirma que a Mona Lisa foi executada para o falecido Juliano de Médici, protetor de Leonardo, entre 1513 e 1516; isso provavelmente foi um erro. Segundo Vasari, a pintura foi criada para o marido da modelo, Francesco del Giocondo. Diversos especialistas argumentaram que Leonardo fez duas versões (devido à incerteza quanto à datação e ao comitente, bem como ao destino da obra após a morte de Leonardo em 1519, e à diferença de detalhes no esboço de Rafael — o que pode ser explicado pela possibilidade de ele ter feito o esboço de memória). O hipotético primeiro retrato, com colunas proeminentes, teria sido encomendado por Giocondo por volta de 1503, e deixado inacabado na posse do pupilo e assistente de Leonardo, Salaì, até sua morte em 1524. O segundo, encomendado por Juliano de Médici por volta de 1513, teria sido vendido por Salaì a Francisco I em 1518, e é o que está hoje no Louvre. Outros acreditam que houve apenas uma verdadeira Mona Lisa, mas divergem quanto aos dois destinos mencionados. Em algum momento do século XVI, um verniz foi aplicado à pintura. Ela foi mantida no Palácio de Fontainebleau até que Luís XIV a transferiu para o Palácio de Versalhes, onde permaneceu até a Revolução Francesa. Em 1797, ela passou a ser exibida permanentemente no Louvre.

Após a Revolução Francesa, a pintura foi transferida para o Louvre, mas passou um breve período no quarto de Napoleão no Palácio das Tulherias. Embora a Mona Lisa não fosse amplamente conhecida fora do mundo da arte, na década de 1860, parte da intelligentsia francesa começou a saudá-la como uma obra-prima da pintura renascentista. Durante a Guerra Franco-Prussiana (1870–1871), a pintura foi transferida do Louvre para o Arsenal de Brest.

Em 1911, a pintura ainda não era popular entre o público leigo. Em 21 de agosto de 1911, a pintura foi roubada do Louvre. A ausência da pintura foi relatada pela primeira vez no dia seguinte pelo pintor Louis Béroud. Após alguma confusão sobre se a obra estava sendo fotografada em outro local, o Louvre foi fechado por uma semana para investigação. O poeta francês Guillaume Apollinaire foi considerado suspeito, chegando mesmo a ser preso. Apollinaire implicou seu amigo Pablo Picasso, que também foi interrogado. Ambos foram posteriormente inocentados. O verdadeiro culpado foi o funcionário do Louvre Vincenzo Peruggia, que havia ajudado a construir a vitrine da pintura. Ele realizou o roubo entrando no museu durante o horário normal, escondendo-se em um armário de limpeza e saindo com a pintura escondida sob o casaco após o fechamento do museu.

Peruggia era um patriota italiano que acreditava que a pintura de Leonardo deveria ter sido devolvida a um museu italiano. Peruggia pode ter sido motivado por um associado cujas cópias da obra original aumentariam significativamente de valor após o roubo da pintura. Após manter a Mona Lisa em seu apartamento por dois anos, Peruggia ficou impaciente e foi capturado ao tentar vendê-la para Giovanni Poggi, diretor da Galeria Uffizi em Florença. A obra foi exibida na Galeria Uffizi por mais de duas semanas e devolvida ao Louvre em 4 de janeiro de 1914. Peruggia cumpriu seis meses de prisão pelo crime e foi saudado como patriota na Itália. Um ano após o roubo, o jornalista da Saturday Evening Post Karl Decker escreveu que conheceu um suposto cúmplice chamado Eduardo de Valfierno, que alegou ter sido o mentor do roubo. O falsificador Yves Chaudron teria criado seis cópias da pintura para vender nos Estados Unidos enquanto escondia a localização da original. Decker publicou esse relato do roubo em 1932.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a pintura foi novamente retirada do Louvre e levada primeiro ao Château d'Amboise, depois à Abadia de Loc-Dieu e ao Château de Chambord, e por fim ao Museu Ingres em Montauban. Desde a década de 1990, a pintura foi temporariamente movida em três ocasiões para acomodar reformas no Louvre: entre 1992 e 1995, de 2001 a 2005, e novamente em 2019. Um novo sistema de filas introduzido em 2019 reduziu o tempo de espera dos visitantes do museu para ver a pintura. Após passar pela fila, cada grupo tem cerca de 30 segundos para observar a obra.

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