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Moáuia I

Moáuia I, nascido Moáuia ibne Abi Sufiane (em árabe: معاوية بن أبي سفيان; romaniz.: Mu'āwiya ibn Abī Sufyān; c. 597, 603

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Moáuia I, nascido Moáuia ibne Abi Sufiane (em árabe: معاوية بن أبي سفيان; romaniz.: Mu'āwiya ibn Abī Sufyān; c. 597, 603 ou 605 - abril de 680) foi o fundador e primeiro califa do Califado Omíada, servindo de 661 até sua morte. Tornou-se califa menos de trinta anos após a morte do profeta islâmico Maomé e imediatamente após os quatro califas ortodoxos. Ao contrário de seus predecessores, que foram próximos e/ou os primeiros companheiros de Maomé, Moáuia foi um seguidor relativamente tardio do profeta.

Moáuia e seu pai Abu Sufiane se opuseram a Maomé, seu distante parente coraixita e mais tarde cunhado de Moáuia, até que Maomé capturou Meca em 630. Depois, Moáuia se tornou um dos escribas de Maomé. Foi nomeado pelo califa Abacar (r. 632–634) como vice-comandante na conquista da Síria. Subiu na hierarquia nos tempos do califado de Omar (r. 634–644) até se tornar governador da Síria durante o reinado de seu parente omíada, o califa Otomão (r. 644–656). Aliou-se à poderosa tribo dos calbitas da província, desenvolveu as defesas de suas cidades costeiras e dirigiu o esforço de guerra contra o Império Bizantino, incluindo as primeiras campanhas navais muçulmanas. Em resposta ao assassinato de Otomão em 656, assumiu a causa de vingar o califa e se opôs a seu sucessor, Ali. Durante a Primeira Guerra Civil Muçulmana, os dois levaram seus exércitos a um impasse na Batalha de Sifim em 657, levando a uma série fracassada de negociações de arbitragem para resolver a disputa. Depois, Moáuia ganhou reconhecimento como califa por seus partidários sírios e seu aliado Anre ibne Alas, que conquistou o Egito do governador de Ali em 658. Após o assassinato de Ali em 661, Moáuia obrigou o filho e sucessor de Ali, Haçane, a abdicar e a suserania de Moáuia foi reconhecida em todo o califado.

Internamente, Moáuia dependia de tribos árabes sírias leais e da burocracia síria dominada pelos cristãos. É creditado com o estabelecimento de departamentos governamentais responsáveis pela rota postal, correspondência e chancelaria. Foi o primeiro califa cujo nome apareceu em moedas, inscrições ou documentos do nascente império islâmico. Externamente, utilizou suas tropas em ataques terrestres e marítimos quase anuais contra os bizantinos, incluindo um cerco fracassado de Constantinopla, embora a maré tenha se virado contra os árabes no final de seu reinado e tenha pedido uma trégua. No Iraque e nas províncias orientais, delegou autoridade aos poderosos governadores Almuguira e Ziade ibne Abi Sufiane, o último dos quais adotou controversamente como seu irmão. Sob a direção de Moáuia, a conquista muçulmana da Ifríquia (centro do norte da África) foi lançada pelo comandante Uqueba ibne Nafi em 670, enquanto as conquistas no Coração e Sijistão, na fronteira oriental, foram retomadas.

Embora Moáuia tenha confinado a influência do omíada ao governo de Medina, nomeou seu próprio filho, Iázide I, como seu sucessor. Foi um movimento sem precedentes na política islâmica e a oposição a ela por líderes muçulmanos proeminentes, incluindo o filho de Ali, Huceine, e Abedalá ibne Zobair, persistiu após a morte de Moáuia, culminando na Segunda Guerra Civil Muçulmana. Embora haja considerável admiração por Moáuia nas fontes contemporâneas, foi criticado por não ter a justiça e piedade dos califas ortodoxos e por transformar o cargo do califado em uma realeza. Além dessas críticas, a tradição muçulmana sunita o homenageia como companheiro de Maomé e escriba da revelação do Alcorão. No islamismo xiita, é insultado por se opor a Ali, acusado de envenenar seu filho Haçane, e é tido como tendo aceitado o islamismo sem convicção.

O ano de nascimento de Moáuia é incerto, com 597, 603 ou 605 citados pelas primeiras fontes islâmicas. Seu pai Abu Sufiane ibne Harbe era um proeminente comerciante de Meca que liderou caravanas de comércio à Síria, então parte do Império Bizantino. Emergiu como o líder do clã politeísta coraixita Banu Abde Xemece, a tribo dominante de Meca, durante os estágios iniciais do conflito dos coraixitas com o profeta islâmico Maomé. Este último também veio dos coraixitas e era parente distante de Moáuia através de seu ancestral paterno comum, Abedal Manafe ibne Cussai. A mãe de Moáuia, Hinde binte Oteba, também era membro dos Banu Abde Xemece.

Em 624, Maomé e seus seguidores tentaram interceptar uma caravana de Meca liderada pelo pai de Moáuia em seu retorno da Síria, levando Abu Sufiane a pedir reforços. O exército de socorro coraixita foi derrotado na Batalha de Badre que se seguiu, na qual o irmão mais velho de Moáuia, Hanzala, e seu avô materno, Oteba ibne Rabia, foram mortos. Abu Sufiane substituiu o líder morto do exército de Meca, Abu Jal, e liderou os habitantes de Meca à vitória contra os muçulmanos na Batalha de Uude em 625. Após seu cerco abortado de Maomé em Medina na Batalha da Trincheira em 627, perdeu sua posição de liderança entre os coraixitas.

O pai de Moáuia não participou das negociações de trégua em Hudaibia entre os coraixitas e Maomé em 628. No ano seguinte, Maomé casou-se com a irmã viúva de Moáuia, Um Habiba, que havia abraçado o Islão quinze anos antes. O casamento pode ter reduzido a hostilidade de Abu Sufiane em relação a Maomé e Abu Sufiane negociou com ele em Medina em 630 depois que confederados dos coraixitas violaram a trégua de Hudaibia. Quando Maomé capturou Meca em 630, Moáuia, seu pai e seu irmão mais velho Iázide abraçaram o Islão. De acordo com relatos citados pelos primeiros historiadores muçulmanos Albaladuri e ibne Hajar de Ascalão, Moáuia secretamente se tornou um muçulmano desde a época das negociações de Hudaibia. Em 632, a autoridade muçulmana estendeu-se por toda a Arábia com Medina como sede do governo. Como parte dos esforços de Maomé para se reconciliar com os coraixitas, Moáuia foi feito um de seus cátibes (escribas), sendo um dos dezessete membros alfabetizados dos coraixitas naquela época. Abu Sufiane mudou-se para Medina para manter sua recém-descoberta influência na nascente comunidade muçulmana.

Carreira militar inicial e promoções administrativas

Após a morte de Maomé em 632, Abacar tornou-se califa (líder da comunidade muçulmana). Ele e seus sucessores Omar, Otomão e Ali são frequentemente conhecidos como califas raxiduns ("corretamente guiados" ou "ortodoxos") para distingui-los de Moáuia e seus sucessores dinásticos omíadas. Tendo que enfrentar desafios à sua liderança dos ançares, os nativos de Medina que forneceram a Maomé refúgio seguro de seus antigos oponentes de Meca e as deserções em massa de várias tribos árabes, Abacar estendeu a mão para os coraixitas, particularmente seus dois clãs mais fortes, os maquezumitas e Banu Abde Xemece, para reforçar o apoio ao califado. Entre os coraixitas que nomeou para suprimir as tribos árabes rebeldes durante as Guerras Rida (632–633) estava o irmão de Moáuia, Iázide. Depois, foi despachado como um dos quatro comandantes encarregados da conquista muçulmana da Síria bizantina em c. 634. O califa nomeou Moáuia comandante da vanguarda de Iázide. Através dessas nomeações, Abacar deu à família de Abu Sufiane uma participação na conquista da Síria, onde Abu Sufiane já possuía propriedades nas proximidades de Damasco.

O sucessor de Abacar, Omar (r. 634–644), nomeou um dos principais companheiros de Maomé, Abu Ubaida ibne Aljarrá, como comandante geral do exército muçulmano na Síria em 636 após a derrota dos bizantinos na Batalha de Jarmuque, que abriu o caminho à conquista do resto da Síria. Moáuia estava entre as tropas árabes que entraram em Jerusalém com Omar em 637. Depois, Moáuia e Iázide foram despachados por Abu Ubaida para conquistar as cidades costeiras de Sidom, Beirute e Biblos. Após a morte de Abu Ubaida na Praga de Emaús em 639, Omar dividiu o comando da Síria, nomeando Iázide como governador dos distritos militares de Damasco, Jordânia e Palestina, e o comandante veterano Iade ibne Ganme governador de Homs e Jazira (Mesopotâmia Superior). Quando Iázide sucumbiu à praga no final daquele ano, Omar nomeou Moáuia o governador militar e fiscal de Damasco, e possivelmente da Jordânia também. Em 640 ou 641, Moáuia capturou Cesareia Marítima, a capital distrital da Palestina bizantina, e depois capturou Ascalão, completando a conquista muçulmana da Palestina. Já em 640 ou 641, pode ter liderado uma campanha contra a Cilícia e seguiu para Euceta, nas profundezas da Anatólia bizantina. Em 644, liderou uma incursão contra a cidade anatólia de Amório.

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