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Mitsuyo Maeda

Mitsuyo Maeda (前田光世, Maeda Mitsuyo), conhecido também como Conde Koma (Hirosaki, 18 de novembro de 1878 – Belém do Pará,

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Mitsuyo Maeda (前田光世, Maeda Mitsuyo), conhecido também como Conde Koma (Hirosaki, 18 de novembro de 1878 – Belém do Pará, 28 de novembro de 1941), foi um judoca japonês, naturalizado brasileiro como Otávio Maeda (pronúncia em português: [oˈtavju mɐˈedɐ]`). Junto com Antônio Soishiro Satake, outro japonês naturalizado brasileiro, foi pioneiro do judô em países como Brasil e Reino Unido, entre outros. Maeda foi fundamental para a criação do jiu-jitsu brasileiro, sendo chamado de Pai do jiu-jitsu brasileiro, pelos ensinamentos de artes marciais à família Gracie. Ele era também um promotor da emigração japonesa ao Brasil. Maeda ganhou mais de 2 mil lutas profissionais em sua carreira. Suas realizações levaram-no a ser chamado de "O homem mais forte que já viveu".

Maeda nasceu no povoado de Funazawa, cidade de Hirosaki, Aomori, em 18 de novembro de 1878. Frequentou a escola Kenritsu Itiu (atualmente Hirokou — uma escola de Hirosaki). Quando criança, era conhecido como Hideyo. Quando adolescente, praticou sumô, mas sentia que faltava o ideal para prosseguir nesse esporte. Por este motivo e devido ao interesse gerado pelas notícias sobre o sucesso do judô, principalmente em competições entre judô e ju-jutsu no qual na maioria das vezes o judô ganhava, que estavam ocorrendo naquela época, ele então mudou para essa arte marcial. Em 1894, aos dezessete anos de idade, seus pais lhe enviaram a Tóquio para se matricular na Universidade de Waseda, onde começou a praticar o judô da Kodokan no ano seguinte.

Ao chegar à Kodokan, Maeda, com 164 centímetros de altura e 64 kg, foi confundido com um garoto de entrega, devido a sua origem, tamanho e maneira como se comportava. Então, o fundador do judô, Jigoro Kano prontamente lhe enviou a Tsunejiro Tomita (4 º dan), que era o menor dos professores da Kodokan. Essa atitude foi uma medida tomada para mostrar que, no judô, o tamanho não era importante.

O sensei Tomita foi o primeiro judoca da Kodokan e era um amigo próximo de Jigoro Kano. Segundo Koyassu Massao (9 º dan):

Embora um dos mais fracos da Kodokan, Tomita era capaz de derrotar o grande campeão de ju-jutsu desse tempo, Hansuke Nakamura, do estilo tenjin shinyō-ryū.

Juntamente com Soishiro Satake, Maeda foi um dos que encabeçaram a segunda geração da Kodokan, que substituiu a primeira até o início do século XX. Satake, com 175 cm e 80 kg, era inigualável no sumô amador, mas admitiu que ele próprio não foi capaz de igualar Maeda no judô. Satake, mais tarde, viajou à América do Sul com Maeda e se estabeleceram em Manaus, Amazonas, enquanto Maeda continuou viajando. Satake se tornaria o fundador, em 1914, da primeira academia historicamente registrada no Brasil. Ele e Maeda são considerados os pioneiros do judô no Brasil.

Naquela época, havia poucos graduados na Kodokan. Maeda e Satake foram os primeiros professores graduados na Universidade de Waseda, ambos sandan (3º dan), juntamente com Matsuhiro Ritaro (nidan ou 2º dan) e seis outros shodans.(1º dan). Kyuzo Mifune, matriculado na Kodokan em 1903, atraiu a atenção de Maeda, que comentou: "Você é forte e competente, portanto, certamente vai deixar a sua marca na Kodokan…" No entanto, Mifune teve aulas com Sakujiro Yokoyama. Mais tarde, Mifune disse a Maeda que suas palavras foram fundamentais e de grande incentivo para ele, e que ele tinha Maeda como objeto da maior admiração, embora Yokoyama fosse seu sensei (instrutor).

De acordo com Mifune, em 1904, Maeda perdeu para Yoshitake Yoshio, depois de derrotar três adversários em sucessão, mas em uma sequência tsukinami shiai derrotou oito adversários em seguida e recebeu a categoria de 4º dan (yondan). Mifune, afirmou que Maeda foi um dos maiores promotores do judô, não através de ensinamentos, mas através de seus combates, muitos destes, com competidores de outras disciplinas. Maeda tratava alunos experientes e inexperientes, da mesma forma, tratando-os como se fosse um combate real. Ele argumentou que esse comportamento era uma medida de respeito para com seus alunos, mas foi muitas vezes incompreendido e assustou muitos jovens, que o abandonavam em favor de outros professores.

Prelúdio para a expansão da Kodokan

Em 1879, Ulysses S. Grant, o ex-presidente dos Estados Unidos, foi para o Japão. Ainda em Tóquio, ele assistiu a uma apresentação de ju-jutsu na casa de Shibusawa Eiichi, em Asukayama. Jigoro Kano foi um dos presentes. Nessa época, o judô já era mencionado na Europa e na América do Norte, e estrangeiros com conhecimentos duvidosos com base em fontes pobres (livros obscuros e papéis). O judô e o jiu-jitsu, ainda não eram considerados disciplinas distintas, nessa época, e mesmo muitos anos após a formação da Kodokan, ambos foram muitas vezes considerados como a mesma arte marcial. Até 1925, não havia uma forte diferenciação dos nomes no Japão, e essa diferenciação só foi completada por volta de 1950.

Em 1903, um professor sênior da Kodokan, Yoshiaki Yamashita, viajou para os Estados Unidos a pedido do empresário americano de Seattle, Sam Hill. Em Washington, D.C., Yamashita teve vários alunos incluindo Theodore Roosevelt e outros proeminentes alunos americanos. Por pedido do presidente americano, na época, Theodore Roosevelt, Yamashita também ensinou judô na Academia Naval dos Estados Unidos. Apreciando a boa publicidade, foi solicitada a Kodokan para enviar mais professores para a América, dando assim continuidade ao trabalho de Yamashita. Mas o sensei Tomita relutou em aceitar a tarefa, enquanto, os senseis Maeda e Satake logo aceitaram a oportunidade.

Tomita, Maeda e Satake navegaram de Yokohama, em 16 de novembro de 1904, e chegaram a Nova York no dia 8 de dezembro de 1904.

No início de 1905, Tomita e Maeda deram várias demonstrações públicas de judô. Em 17 de fevereiro de 1905, Tomita e Maeda fizeram uma demonstração na Universidade de Princeton. Maeda venceu N.B. Tooker, um jogador de futebol da universidade, enquanto Tomita vencia Samuel Feagles, um professor do ginásio de Princeton. Em 21 de fevereiro de 1905, eles deram uma demonstração de judô na Academia Militar dos Estados Unidos, em West Point. Tomita e Maeda realizaram o kata, nage-no-kata, koshiki-no-kata, ju-no-kata, entre outros. A pedido da multidão, Maeda lutou contra um cadete e o venceu facilmente. Como Tomita havia sido quem executou os katas, os soldados queriam lutar com ele também. Ele primeiramente enfrentou Charles Daly, a quem venceu sem quaisquer problemas. No entanto, na luta seguinte, Tomita falhou duas vezes ao tentar derrubar o soldado Tipton, que também era jogador de futebol americano, com um golpe chamado tomoe-nage. Tomita era muito menor, por isso os japoneses reivindicaram uma vitória moral.

Um relato fornecido pelo New York Times em 21 de fevereiro, referindo-se a Tomita como "Prof. Tomet", afirma que:

Tomita e Maeda continuaram a apresentar o judô pelos Estados Unidos. Em 8 de março de 1905, se apresentaram no New York Athletic Club. "O melhor golpe deles era uma espécie de 'estrela voadora'", dizia um artigo no New York Times, descrevendo a luta entre Maeda e John Naething, um lutador de 200 libras. "Por causa da diferença de métodos, os dois homens rolaram no tatame como se fossem adolescentes em uma briga de rua. Após quinze minutos de luta, Maeda conseguiu a primeira queda [primeiro ponto?]. No final, porém, Naething venceu a luta por imobilização [ou por pin fall mesmo]", continua o artigo no New York Times. Em 21 de março de 1905, Tomita e Maeda fizeram uma demonstração de "jiu-do" na Universidade de Columbia, onde participaram cerca de 200 pessoas. Após introduções e uma breve palestra, Tomita demonstrou técnicas de quedas e arremessos, enquanto Maeda, em seguida, derrotou o instrutor da universidade. De acordo com o jornal estudantil, "Outra característica interessante foi a exibição de alguns dos artifício obsoletos do ju jutsu para a defesa utilizando um leque contra um oponente armado com uma espada curva japonesa". As traduções foram fornecidos pelo químico Takamine Jokichi.

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