Neste Dia

Miriam Batucada

Música e apresentadora brasileira

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Miriam Ângela Lavecchia, conhecida como Miriam Batucada (São Paulo, 28 de dezembro de 1946, batizada em 1 de janeiro de 1947 — São Paulo, 2 de julho de 1994), foi uma cantora, compositora e apresentadora de televisão brasileira. Iniciou a carreira artística em 1966, apresentando-se em programas na RecordTV, especialmente ao lado de Blota Júnior, sua mulher Sônia Ribeiro, Hebe Camargo e Ronnie Von. Por causa de sua técnica de batucada com as mãos - aprendida na adolescência no bairro paulistano da Mooca - ganhou o apelido de "Miriam da Batucada", da também apresentadora Cidinha Campos, e passou a adotá-lo - sem a preposição - como nome artístico. Passou para a carreira de cantora lançando compactos de modestas vendagens e repercussão, sem nunca, entretanto, abandonar as participações em programas de televisão.

É mais conhecida por sua participação no disco anárquico Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10 - um álbum conceitual ao estilo de Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, dos The Beatles; de Freak Out!, do The Mothers of Invention; e de Tropicalia ou Panis et Circencis, de Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Nara Leão, Os Mutantes e Tom Zé -, lançado em 21 de julho de 1971 pela gravadora Discos CBS, juntamente com Edy Star, Sérgio Sampaio e Raul Seixas. A cantora desenvolveria uma carreira de pouco sucesso nos anos que se seguiram, sendo a menos bem-sucedida do grupo. Lançou, ainda, mais dois álbuns de estúdio - Amanhã Ninguém Sabe, pela gravadora GEL; e Alma da Festa, de forma independente - sem obter grandes êxitos de público ou comercial. Morreu em 1994 e sua fama beneficiou-se da redescoberta dos kavernistas a partir da década de 2000, com o relançamento do álbum original, homenagens e o lançamento de compilações com material de seus compactos nunca lançados em disco.

Miriam nasceu no dia 28 de dezembro de 1946, em São Paulo, no bairro paulistano da Mooca, com o qual ficaria identificada posteriormente em sua carreira artística, devido ao seu modo de falar característico dos descendentes de italiano da região.. Entretanto, a menina foi registrada no primeiro dia do ano seguinte, para "ganhar um ano", conforme o costume da época, tornando-se esta a data oficial em seus documentos. Ela era neta de italianos, tanto por parte de mãe, quanto por parte de pai.

Quando tinha já 17 anos, conheceu uma menina que tinha o apelido de "Chacareira", no salão de cabeleireiro da Dona Adelina, na Rua da Mooca: foi essa amiga de infância que lhe ensinou a fazer percussão - isto é, a batucar - com as mãos. No início, fazia apenas um ritmo lento. Mas, após 3 meses de prática, conseguia atingir ritmos muito rápidos, podendo reproduzir o ritmo no compasso de qualquer samba. Futuramente, esta seria sua marca registrada na carreira artística. Ainda, antes de tentar a carreira artística, chegou a fazer curso de digitadora na IBM e a trabalhar na Arno, tendo sido despedida por batucar com as mãos no teclado.

Oriunda de uma família conservadora, nunca assumiu publicamente ser lésbica; em 1968, quando se muda para o Rio de Janeiro, tentando seguir carreira como cantora, foi morar com o amor da sua vida, a jornalista Flamínia, a qual também jamais reconheceu em público seu envolvimento afetivo com Miriam. Segundo depoimentos de amigos e pessoas próximas, concedidos ao biógrafo Ricardo Santhiago sob a condição de anonimato, a crise existencial da cantora se intensifica quando Flamínia abandona Miriam, para ir viver com Tania, amiga em comum das duas.

Iniciou a carreira em 1966, com uma participação no programa do apresentador Blota Júnior, na RecordTV. Apresentou-se tocando diversos instrumentos - como piano, bateria, harmônica, violão e cuíca -, além de mostrar a sua técnica de batucada com as mãos. Nas semanas que se seguiram, a jovem artista foi contratada pelo canal de televisão paulista, participando do programa da mulher de Blota Júnior, Sônia Ribeiro, bem como passando a apresentar-se regularmente nos programas de Hebe Camargo e Ronnie Von, nas tardes de sábado. Chegou a apresentar-se, inclusive, juntamente com Os Mutantes, que eram atração permanente do programa de Ronnie Von na época. Ficou famosa por ser uma espécie de "show-woman": fazia imitações, contava "causos" e piadas, e cantava e tocava instrumentos musicais. Foi num destes programas que a apresentadora Cidinha Campos chamou-a de Miriam da Batucada, vindo a artista a adotar o nome artístico sem a preposição.

Em 1967, gravou o seu compacto de estreia com as músicas "Batucando nas Mãos" (de Renato Teixeira) e "Plác-Tic-Plác-Plác" (de Waldemar Camargo e Walter Peteléco), produzido por Roberto Côrte Real para a pequena gravadora pernambucana Rozenblit, pelo selo Artistas Unidos. O fonograma sairia também em uma compilação pela mesma gravadora, Seleção de Sucessos, lançada no mesmo ano.

No ano seguinte, muda-se para o Rio de Janeiro para tentar seguir carreira como cantora, haja vista que esta cidade era o grande polo da indústria fonográfica nacional, sendo sede das maiores gravadoras do país. Ali, lança um compacto duplo pela gravadora Odeon Records, contendo "Linguajar do Morro"; "Depois do Carnaval"; "Puro Amor"; e "Dois Meninos". Entretanto, a alta competitividade e a popularidade relativamente baixa de seu estilo de preferência, o samba, na época, levaram ao insucesso da empreitada. Passa a viver, nesse período, de apresentações esporádicas - chegando a apresentar-se até no exterior, como nos Estados Unidos e em Portugal - e aparições em programas de televisão. Uma revista da época chegaria a publicar que ela e Ronnie Von não tinham talento algum, sendo apenas "invenções da Record".

Apesar das dificuldades na capital fluminense, foi numa apresentação no Rio de Janeiro, em 1970 - na Boate Drink, de Djalma Ferreira -, que Batucada causou boa impressão em um jovem artista baiano que havia chegado naquele ano ao Rio, Edy Star. Edy vivia de um contrato com a gravadora Discos CBS, intermediado por seu amigo de longa data e produtor musical da CBS, Raul Seixas. Assim, quando Raul e seu amigo Sérgio Sampaio resolveram juntar pessoas para um projeto inovador no mercado fonográfico brasileiro - um álbum conceitual ao estilo de Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, dos The Beatles; de Freak Out!, do The Mothers of Invention; e de Tropicalia ou Panis et Circencis, de Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Nara Leão, Os Mutantes e Tom Zé -, Edy foi o primeiro a ser chamado. Como eles queriam contar com uma voz feminina no grupo, pensaram em Diana, então namorada de Odair José, e Lilian, da dupla com Leno, amigo de Raul na época. Ambas foram descartadas pela linha romântica que seguiam. Outra que foi proposta foi a cantora piauiense Lena Rios, em começo de carreira e que viria a defender uma canção composta por Raul no Festival Internacional da Canção 1972. Após esta também ser recusada, Edy propôs que Raul entrasse em contato com Miriam e suas respostas bem-humoradas às perguntas do trio garantiram ela no conjunto.

Assim, Miriam participaria das gravações de Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10, o único álbum lançado pelos "quatro kavernistas", pela Discos CBS. Batucada cantaria 2 faixas no disco coletivo: "Chorinho Inconsequente", de Edy Star e Sérgio Sampaio; e "Soul Tabarôa", uma nova canção da dupla Antônio Carlos e Jocáfi que ela mesma conseguiu para lançamento no trabalho. O disco foi gravado entre o final de junho e o começo de julho de 1971 e lançado no dia 21 deste último mês. O álbum chegou a receber duas boas matérias de críticos relacionados com a contracultura brasileira da época - o poeta piauiense Torquato Neto, em sua coluna no jornal Última Hora, do Rio de Janeiro; e o filósofo Luiz Carlos Maciel, que escrevia para o semanário brasileiro O Pasquim - e a render algumas entrevistas com o quarteto e uma charge do cartunista Henfil antes de ter sua carreira interrompida pela decisão unilateral do presidente da gravadora, Evandro Ribeiro, de retirá-lo das lojas, menos de 2 meses após o seu lançamento. As vendagens do disco na época são difíceis de estimar devido a sua curta carreira, mas algumas de suas canções chegaram a tocar no rádio e fez algum barulho nos meios contraculturais cariocas.

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