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Milton Friedman

Economista, estatístico e escritor americano (1912-2006)

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Milton Friedman (Nova Iorque, 31 de julho de 1912 — São Francisco, 16 de novembro de 2006) foi um economista e estatístico americano que recebeu o Prêmio Nobel de Ciências Econômicas de 1976 por sua pesquisa sobre consumo, história e teoria monetária e a complexidade da política de estabilização. Com George Stigler, Friedman foi um dos líderes intelectuais da escola de Chicago, uma escola neoclássica de pensamento econômico associada ao trabalho do corpo docente da Universidade de Chicago, que rejeitou o keynesianismo em favor do monetarismo até meados da década de 1970, quando se voltou para a nova macroeconomia clássica, fortemente baseada no conceito de expectativas racionais. Vários estudantes, jovens professores e acadêmicos que foram recrutados ou orientados por Friedman em Chicago tornaram-se economistas de destaque, incluindo Gary Becker, Robert Fogel, e Robert Lucas Jr.

As contestações de Friedman ao que ele chamou de "teoria keynesiana ingênua" começaram com a sua análise do consumo, que acompanha o gasto dos consumidores. Ele introduziu a teoria da suavização do consumo, que mais tarde se tornaria parte da economia ortodoxa. Durante a década de 1960, ele tornou-se o principal opositor das políticas governamentais keynesianas, e descreveu sua abordagem (assim como a economia mainstream) como uma que usava uma "linguagem e aparato keynesianos", mas rejeitava suas conclusões iniciais. Ele teorizou que existia uma taxa natural de desemprego e argumentou que o desemprego abaixo dessa taxa causaria uma aceleração da inflação. Ele argumentou que, devido à taxa natural de desemprego, a curva de Phillips seria, a longo prazo, vertical e previu o que viria a ser conhecido como estagflação. Friedman defendeu uma teoria macroeconômica conhecida como monetarismo e argumentou que uma expansão constante e pequena da oferta de moeda era uma política melhor do que uma com mudanças rápidas e inesperadas. Suas ideias sobre política monetária, tributação, privatização e desregulamentação influenciaram as políticas governamentais, especialmente durante a década de 1980. O monetarismo influenciou a política monetária do Federal Reserve (FED) na resposta à crise financeira de 2007-2008.

Após aposentar-se da Universidade de Chicago em 1977 e tornar-se professor emérito de economia em 1983, Friedman serviu como conselheiro do presidente republicano dos EUA Ronald Reagan e da primeira-ministra conservadora britânica Margaret Thatcher. Sua filosofia política exaltava as virtudes de um sistema econômico de livre-mercado com intervenção governamental mínima em questões sociais. No seu livro de 1962, Capitalism and Freedom, Friedman defendeu políticas como um exército voluntário, taxas de câmbio flutuantes, abolição de licenças médicas, um imposto de renda negativo, voucher escolar, e apoio às políticas de liberalização das drogas. Seu apoio à liberdade de escolha escolar o levou a fundar a Fundação Friedman para a Escolha Educacional, mais tarde renomeada EdChoice.

As obras de Friedman abrangem uma ampla gama de tópicos econômicos e de políticas públicas. Seus livros e ensaios tiveram influência global, inclusive em antigos estados comunistas. Uma pesquisa realizada em 2011 com economistas, encomendada pela EJW, classificou Friedman como o segundo economista mais popular do século XX, atrás apenas de John Maynard Keynes. Após sua morte, The Economist o descreveu como "o economista mais influente da segunda metade do século XX [...] possivelmente de todo ele".

Friedman nasceu no Brooklyn, Nova York, em 31 de julho de 1912. Seus pais, Sára Ethel (nascida Landau) e Jenő Saul Friedman, eram imigrantes judeus da classe trabalhadora de Beregszász na Rutênia dos Cárpatos, Reino da Hungria (hoje Berehove na Ucrânia). Eles emigraram para a América no início da adolescência. Ambos trabalhavam como comerciantes. Friedman era seu quarto filho e único filho homem, além de ser o mais novo. Pouco depois de seu nascimento, a família mudou-se para Rahway, Nova Jersey. Seu pai, Jenő Saul Friedman, morreu durante o último ano do ensino médio de Friedman, deixando sua mãe aos seus cuidados e de duas irmãs mais velhas.

No início da adolescência, Friedman sofreu um acidente de carro, que deixou cicatrizes no lábio superior. Estudante talentoso e leitor ávido, Friedman formou-se na Rahway High School em 1928, pouco antes de seu aniversário de 16 anos. Ele foi o primeiro da família a frequentar uma universidade. Friedman recebeu uma bolsa de méritos acadêmicos da Universidade Rutgers e formou-se em 1932.

Friedman pretendia inicialmente tornar-se um atuário ou um matemático, no entanto, o estado da economia, que neste momento se encontrava em recessão, convenceu-o a tornar-se um economista. Foram-lhe oferecidas duas bolsas para fazer pós-graduação, uma em matemática na Universidade Brown e outra em economia na Universidade de Chicago. Friedman escolheu a última opção, obtendo o título de Mestre em Artes em 1933. Ele foi fortemente influenciado por Jacob Viner, Frank Knight e Henry Simons. Friedman conheceu sua futura esposa, a economista Rose Director, enquanto estava na Universidade de Chicago. Friedman também foi aluno de Friedrich Hayek.

Durante o ano acadêmico de 1933-1934, ele foi bolsista na Universidade de Columbia, onde estudou estatística com Harold Hotelling. Ele voltou a Chicago para o ano acadêmico seguinte, trabalhando como assistente de pesquisa de Henry Schultz, que estava então trabalhando no livro Theory and Measurement of Demand. Durante este ano, Friedman formou o que mais tarde se tornaria uma amizade para toda a vida com George Stigler e W. Allen Wallis, ambos os quais lecionariam com ele na Universidade de Chicago. Friedman também foi influenciado por dois amigos de longa data, Arthur Burns e Homer Johnson. Eles ajudaram Friedman a compreender melhor a profundidade do pensamento econômico.

Friedman não conseguiu encontrar emprego no meio acadêmico, por isso, em 1935, seguiu o seu amigo W. Allen Wallis para Washington, DC, onde o New Deal de Franklin D. Roosevelt foi "um salva-vidas" para muitos jovens economistas. Nesta fase, Friedman disse que ele e a sua esposa "consideravam os programas de criação de emprego, como o WPA, o CCC e o PWA, respostas adequadas à uma situação crítica", mas não "as medidas de fixação de preços e salários da Administração de Recuperação Nacional e da Administração de Ajuste Agrícola". Prenunciando suas ideias posteriores, ele acreditava que controles de preços interferiam em um mecanismo de sinalização essencial que ajudava os recursos a serem usados onde eram mais valorizados. Na verdade, Friedman concluiu mais tarde que toda a intervenção governamental associada ao New Deal era "a cura errada para a doença errada", argumentando que o Federal Reserve era a culpado e que eles deveriam ter expandido a oferta de moeda em reação à "Grande Contração", mais tarde assim descrita por ele em A Monetary History of the United States. No livro, Friedman e sua colega Anna Schwartz argumentaram que a Grande Depressão foi causada por uma severa contração monetária devido a crises bancárias e políticas equivocadas por parte do Federal Reserve. Robert J. Shiller descreve o livro como o “relato mais influente” sobre a Grande Depressão. Em 1935, ele começou a trabalhar para o National Resources Planning Board, que estava então trabalhando em uma grande pesquisa de orçamento do consumidor. As ideias deste projeto mais tarde se tornaram parte de sua Theory of the Consumption Function (Teoria da Função de Consumo), um livro que descreveu pela primeira vez a suavização do consumo e a hipótese de renda permanente.

Friedman começou a trabalhar no National Bureau of Economic Research no outono de 1937 para auxiliar Simon Kuznets em seu trabalho sobre a renda profissional. Esse trabalho resultou na publicação conjunta de Incomes from Independent Professional Practice, que introduziu os conceitos de renda permanente e transitória, um componente importante da hipótese de renda permanente que Friedman elaborou com mais detalhes na década de 1950. O livro levanta a hipótese de que o licenciamento profissional restringe artificialmente a oferta de serviços e aumenta os preços. Incomes from Independent Professional Practice foi um livro relativamente controverso na comunidade econômica, por causa da hipótese de que as barreiras à entrada, que eram exercidas pela Associação Médica Americana, levavam a salários médios mais altos para médicos quando comparados a outros profissionais. As barreiras à entrada são um custo fixo, que devem ser incluídos a despeito de outros fatores como a experiência de trabalho ou outros fatores de capital humano.

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