Militza Nikolaevna (Cetinje, 26 de julho; 14 de julho no calendário juliano de 1866 – Alexandria, 5 de setembro de 1951) foi uma grã-duquesa russa. Nascida princesa Milica de Montenegro, filha do rei Nicolau I e da rainha Milena, ela adotou o nome de "Militza" após se casar com o grão-duque Pedro Nikolaevich da Rússia.
A princesa Milica nasceu em Cetinje, Montenegro, em 14 de julho de 1868. Era membro da Casa de Petrović-Njegoš, que governava ininterruptamente o Principado de Montenegro desde 1697, e segunda filha do Rei Nicolau I da Rainha Milena, nascida filha do voivoda e senador montenegrino Petar Vukotić. Embora tenha recebido o nome de Vidosava ao nascer, tornou-se amplamente conhecida por seu nome de batismo, Milica. O padrinho de seu batismo foi Miguel Obrenović, príncipe da Sérvia, que também havia apadrinhado sua irmã mais velha, Zorka.
Entre todos os filhos do Príncipe Nicolau, Milica foi a que mais cedo demonstrou interesse constante pelos livros e pelo desenvolvimento intelectual. Conforme relataram suas irmãs mais novas, ela jamais era vista sem um livro ao lado, sempre imersa na leitura, ávida por conhecimento e concentrada em um silêncio tranquilo. O pai, orgulhoso, incentivava as meninas a enfrentar os rigorosos invernos da capital com longas horas de trenó, patinação no gelo e caminhadas sobre a neve. Na primavera e no verão, quando o clima se tornava mais ameno, realizavam excursões prolongadas pelas montanhas próximas, faziam trilhas, piqueniques e também passavam férias na Vila Topolica, residência do príncipe às margens do mar Adriático. As meninas aprenderam a montar sem sela, a atirar e a caçar, a jogar golfe e a conduzir com facilidade uma carruagem de quatro cavalos. Nicolau e Milena, porém, mantinham sempre em vista a necessidade de educar princesas respeitáveis, preparadas para futuros casamentos. Por isso, contrataram governantas e professores suíços e alemães, responsáveis por instruí-las em disciplinas fundamentais e avançadas, além de línguas estrangeiras, boas maneiras e habilidades consideradas essenciais a uma jovem bem-educada, como pintura, desenho e dança. Sob esse sistema rigoroso, conforme registrou um artigo da época, as princesas desenvolveram-se de meninas traquinas em mulheres de graça e beleza incomuns, dotadas de distinção pessoal e grande talento em várias áreas.[carece de fontes?]
As crianças da corte montenegrina eram orientadas para o contato com a boa literatura, o estudo de línguas estrangeiras e o conhecimento da história nacional. As aulas de piano eram obrigatórias e o desempenho dependia do talento, da determinação e da persistência de cada uma.[carece de fontes?]
Em 1869 foi fundado em Cetinje o Instituto Feminino da Imperatriz Maria Alexandrovna, criado para formar as filhas de nobres e militares. Financiado quase exclusivamente pela imperatriz, o instituto oferecia um currículo amplo que abrangia a educação primária e secundária. Embora esse fosse o caminho educacional mais natural para Milica e suas irmãs, o Príncipe Nicolau decidiu que suas filhas deveriam receber educação na Rússia imperial. Criadas em um ambiente patriarcal, no espírito da fé ortodoxa e instruídas segundo as boas maneiras europeias, as princesas foram enviadas para a Rússia ainda muito jovens, atendendo ao convite do Imperador Alexandre II, com o objetivo de completar a formação e adquirir maior refinamento cultural. Essa decisão foi provavelmente também uma escolha política ponderada.
Em 1875, Milica e sua irmã Zorka foram convidadas por Alexandre II da Rússia a estudar no Instituto Smolny, uma escola destinada a damas nobres. Um ano depois, a irmã mais nova, Anastásia, juntou-se a elas e, nos anos seguintes, conforme atingiam a idade adulta, as demais irmãs Maria, Helena e Ana também passaram a frequentar o instituto.
As jovens eram colocadas sob os cuidados diretos da diretora, recebiam acomodações separadas e manutenção pessoal e dispunham de um tutor e de uma empregada doméstica. Apesar desses privilégios, assistiam às aulas juntamente com as outras alunas. Além disso, por ordem de Alexandre II, o Tesouro do Estado fornecia um pagamento único de 1.000 rublos destinado à instalação das meninas e uma mesada anual de cerca de 1.500 rublos para suas despesas.[carece de fontes?]
Os quartos especiais, reservados apenas para alunas de melhor classificação, ficavam próximos ao apartamento da diretora. As irmãs jantavam com ela, acompanhadas de outras alunas que se revezavam nas refeições, enquanto o chá era servido em seus próprios aposentos. Após o término das aulas, recolhiam-se aos seus quartos. Nos domingos e feriados recebiam jovens companheiras autorizadas a brincar e a dançar com as princesas montenegrinas. Frequentemente visitavam a família do imperador como convidadas e, durante o Natal, uma carruagem da corte era enviada para seus passeios, que incluíam também outras alunas do instituto. Em Smolny, as filhas de Nicolau conviviam com as colegas sem ostentação de superioridade.
Segundo o barão Carl Wrangell-Rokassovsky, Milica e suas irmãs não gozavam de grande popularidade durante o período em que estudaram no Instituto Smolny. Um parente seu, que frequentou o instituto ao mesmo tempo que elas, recordava que as jovens eram muito pobres, mas esperavam que as outras alunas dividissem com elas os presentes valiosos enviados por suas famílias. A situação teria mudado após uma visita oficial do pai, o Príncipe Nicolau, a São Petersburgo, quando o Imperador Alexandre III o recebeu em um banquete no Palácio de Inverno e o saudou como seu único e verdadeiro amigo. Depois do episódio, o estatuto das irmãs Montenegro em Smolny foi imediatamente elevado ao de membros da realeza e os professores passaram a tratá-las com etiqueta real. Wrangell-Rokassovsky observou também que Milica e Anastásia eram altivas e arrogantes. Anastásia, em especial, frequentemente se recusava a recitar suas lições, respondendo apenas Nyet ("Não") enquanto permanecia sentada. Nesse período, a postura cada vez mais assertiva e dominadora das irmãs começou a gerar tensões com outras alunas, embora Helena continuasse bem vista.[carece de fontes?]
Em 1885, durante os estudos das irmãs no instituto, Maria de Montenegro adoeceu gravemente, vítima de pneumonia ou tifo. Apesar dos esforços dos médicos imperiais, morreu aos dezesseis anos. Milica e as irmãs ficaram inconsoláveis, mas foram confortadas pela mãe, que havia viajado a São Petersburgo. Maria foi vestida com o traje nacional de Montenegro e seu caixão recebeu escolta de honra militar até a estação de trem para a última viagem à terra natal. Alexandre III e o Czarevich Nicolau compareceram pessoalmente à cerimônia final no Smolny e acompanharam a procissão até a estação como sinal de respeito.
A irmã mais velha, Zorka, deixou o instituto e, em Paris, conheceu Pedro Karađorđević, príncipe exilado e pretendente ao trono sérvio, que mais tarde se tornaria Pedro I da Sérvia. Casou-se com ele e estabeleceu-se em Cetinje, perto dos pais.
Milica e Anastásia concluíram o curso no Smolny como jovens cultas e intelectualmente curiosas. Milica recebeu a Medalha de Ouro por Excelente Desempenho Acadêmico, concedida pela Imperatriz Maria. Ambas eram profundamente religiosas e interessadas em filosofia e em ideias de caráter esotérico. Milica destacava-se por sua inclinação intelectual e chegou a falar fluentemente cinco línguas: russo, inglês, francês, alemão e sérvio. Além disso, possuía conhecimento prático de árabe, sânscrito e persa, que utilizou para traduzir obras de Omar Caiame para o russo. Era artista talentosa e pianista habilidosa, compunha música e estudava arquitetura. Demonstrava interesse constante por misticismo, ocultismo, medicina e pensamento oriental, explorando diferentes teologias e sistemas de ideias. Anastásia, mais reservada, também era muito culta e compartilhava o talento artístico da irmã.
As princesas reuniam uma série de qualidades consideradas atraentes na época e capazes de conquistar pretendentes adequados. Em aparência, eram marcantes, com tez levemente mais escura, olhos escuros e silhuetas esbeltas. Segundo Witte, como o Príncipe Nicolau procurava manter a boa vontade de Alexandre III, "era natural que o imperador dedicasse atenção às jovens após a conclusão de seus estudos. Essa deferência bastou para encorajar alguns membros jovens da família imperial a pedir suas mãos em casamento".