Milão (em italiano: Milano; em milanês: Milan) é uma comuna italiana, capital da região da Lombardia, província de Milão, com cerca de 1 404 239 habitantes. A área urbana de Milão é a quinta maior da União Europeia, com uma população estimada em 4 300 000 habitantes. A Região metropolitana de Milão é a maior e mais populosa da Itália, com uma população estimada em 7 400 000 habitantes de acordo com as estimativas da OCDE. Em termos europeus, a área metropolitana de Milão cobre uma área territorial equivalente à de Paris com uma população de mais de sete milhões de habitantes. Esta área encontra-se com os critérios das áreas estatísticas combinadas (CSAs) dos Estados Unidos. Pela população, Milão é a segunda maior cidade italiana e a terceira maior área metropolitana da União Europeia. Seus habitantes são referidos como "milanesi" ("milaneses" em italiano), ou, informalmente, como meneghini ou ambrosiani.
A cidade foi fundada sob o nome de Mediolano pelos ínsubres, um povo celta. Posteriormente, foi capturada pelos romanos em 222 a.C., tornando-se assim muito bem sucedida sob o controle de Roma. De 286 a 402, foi a capital administrativa do Império Romano Ocidental. Séculos mais tarde, Milão foi governada por Visconti, Sforza, os espanhóis em 1500 e os austríacos em 1700. Em 1796, Milão foi conquistada por Napoleão I, que fez dela a capital do seu Reino de Itália em 1805. Durante o período romântico, Milão foi um importante centro cultural na Europa, atraindo vários artistas, compositores e importantes figuras literárias. Mais tarde, durante a Segunda Guerra Mundial, a cidade foi gravemente afetada pelos bombardeios dos Aliados, e após a ocupação alemã em 1943, Milão tornou-se o principal centro da resistência italiana. Apesar disso, Milão viu um pós-guerra, o crescimento econômico, atraindo milhares de imigrantes do sul da Itália e do exterior.
Uma cidade internacional e cosmopolita, 13,9% da população de Milão é de origem estrangeira. A cidade continua sendo um dos principais centros transportacionais e industriais da Europa e é um dos mais importantes centros da União Europeia para negócios e finanças, com a sua economia sendo uma das mais ricas do mundo, tendo um PIB de US$ 115 bilhões. A área metropolitana de Milão tem o PIB mais elevado da Europa: US$ 241,2 bilhões (estimativas de 2004). Milão também tem um dos maiores PIBs da Itália (per capita), cerca de 35 137 euros, que representa 161,6% da média do PIB per capita da União Europeia. Além disso, Milão é a 11ª cidade mais cara do mundo para funcionários expatriados. A cidade também tem sido classificada como sendo uma das mais poderosas e influentes do mundo.
Milão é conhecida mundialmente como a capital do design, com maior influência global no comércio, na indústria, música, desporto, literatura, arte e mídia, tornando-se uma das cidades principais do mundo. A metrópole é especialmente famosa por suas casas e lojas de moda (como a Via Montenapoleone) e a Galleria Vittorio Emanuele na Piazza Duomo (o shopping center mais antigo do mundo). A cidade tem um rico patrimônio cultural e possui uma culinária riquíssima em pratos variados (é o lar de numerosos pratos famosos, como o bolo de Natal e o Panetone). A cidade tem um musical particularmente famoso, principalmente operística, por tradição, é a casa de vários compositores importantes (como Giuseppe Verdi) e teatros (como o Teatro alla Scala). Milão é também conhecida por conter vários museus importantes, universidades, academias, palácios, igrejas e bibliotecas (tais como a Academia de Brera e o Castello Sforzesco) e dois clubes de futebol mundialmente conhecidos: Associazione Calcio Milan e Football Club Internazionale Milano. Isso faz de Milão um dos mais populares destinos turísticos da Europa, com mais de 1,914 milhão de turistas estrangeiros na cidade em 2008. A cidade sediou a Exposição Universal de 1906 e foi a sede da Exposição Universal de 2015.
Por volta de 400 a.C., os celtas insubres habitavam Milão e seus arredores. Em 222 a.C., a República Romana conquistou este assentamento, e impuseram o nome Mediolano, ainda que o nome utilizado pela população local era Milàn, do celta Medhlan. Depois de vários séculos de domínio romano, Mediolano foi declarada capital administrativa da parte ocidental do Império Romano pelo imperador Diocleciano em 293 d.C. Diocleciano preferiu ficar na parte oriental (capital Nicomédia), e seu colega Maximiano ficou no Ocidente. Imediatamente Maximiano construiu diversos monumentos gigantescos, como um grande circo de 470 m x 85 m, a termas Erculee (Thermae Erculee), um grande complexo de palácios imperiais e vários outros edifícios.[carece de fontes?]
No Édito de Milão de 313 d.C., o imperador Constantino I garantiu a liberdade religiosa para os cristãos. A cidade foi sitiada pelos visigodos em 402 d.C., e a residência imperial foi transferida para Ravena, ao sudeste. Cinquenta anos mais tarde (em 452 d.C.), os hunos invadiram a cidade. Em 539 d.C., os ostrogodos conquistaram e destruíram Mediolano, no transcorrer da chamada Guerra Gótica contra o imperador Justiniano I. No verão de 569 d.C., os lombardos (donde deriva o nome da região italiana da Lombardia) conquistaram Milão, dominando o pequeno exército romano que estava em sua defesa. Algumas estruturas romanas permaneceram em uso em Milão sob o domínio lombardo. Milão se rendeu aos francos em 774 d.C., quando Carlos Magno, em uma decisão totalmente incomum na época, assumiu também o título de "rei dos lombardos" (até então os reinos germânicos frequentemente conquistavam uns aos outros, mas nenhum havia adotado o título de rei de outro povo). A Coroa de Ferro da Lombardia data desse período. Posteriormente Milão faria parte do Sacro Império Romano-Germânico.[carece de fontes?]
Durante a Idade Média, Milão prosperou como um centro de comércio devido ao seu domínio da rica planície do Pó e das rotas da Itália através dos Alpes. A guerra da conquista por Frederico Barbarossa contra as cidades lombardas trouxe a destruição de grande parte de Milão em 1162. Após a fundação da Liga Lombarda em 1167, Milão assumiu o papel de liderança nesta aliança. Como consequência da independência que as vilas lombardas ganharam na Paz de Constança, em 1183, Milão se tornou um ducado. Em 1208, Rambertino Buvalelli exerceu por um tempo o cargo de Podestà da cidade, em 1242 Luca Grimaldi, e em 1282 Luchetto Gattilusio. Esta posição podia ser cheia de perigos pessoais na vida política violenta da comuna medieval: em 1252, hereges milaneses assassinaram o inquisidor da Igreja, mais tarde conhecido como Martir São Pedro. Em 1256, o arcebispo e os nobres influentes foram expulsos da cidade. Em 1259, Martino della Torre foi eleito Capitano del Popolo por membros das guildas; ele tomou a cidade a força, expulsou seus inimigos, e governou com poderes ditatoriais, pavimentando de ruas, escavando canais, taxando com sucesso as propriedades rurais, etc. Sua política, entretanto, levou o tesouro milanês ao colapso, a utilização frequente de unidades mercenárias imprudentes irritou demais a população, conferindo um apoio crescente aos inimigos tradicionais de Della Torre, os Viscontis.[carece de fontes?]
Em 22 de julho de 1262, Ottone Visconti foi nomeado arcebispo de Milão pelo papa Urbano IV, em oposição ao candidato dos Della Torre, Raimondo della Torre, bispo de Como. Este último então passou a divulgar alegações da proximidade dos Viscontis com os cátaros hereges, acusando-os de alta traição: os Viscontis, que acusaram os Della Torre dos mesmos crimes, foram então banidos de Milão e suas propriedades confiscadas. A guerra civil que se seguiu causou mais danos à população e economia de Milão, durando por mais de uma década.[carece de fontes?]
Ottone Visconti liderou sem sucesso um grupo de exilados contra a cidade em 1263, mas depois de anos de violência crescente de todos os lados, finalmente, após a vitória na Batalha de Desio (1277), ele conquistou a cidade para sua família. Os Viscontis conseguiram expulsar os Della Torre para sempre, governando a cidade até o século XV.[carece de fontes?]