O Mikoyan MiG-29 (em russo: Микоян МиГ-29; OTAN: Fulcrum) é um caça bijato projetado na União Soviética. Desenvolvido pelo escritório de design Mikoyan como um caça de superioridade aérea durante os anos 1970, o MiG-29, juntamente com o maior Sukhoi Su-27, foi desenvolvido para contrariar os novos caças dos Estados Unidos, como o McDonnell Douglas F-15 Eagle e o General Dynamics F-16 Fighting Falcon. O MiG-29 entrou em serviço com a Força Aérea Soviética em 1983.
Embora originalmente orientado para o combate contra qualquer aeronave inimiga, muitos MiG-29 foram equipados como caças multirrupos capazes de realizar uma série de operações diferentes e são comumente preparados para usar uma variedade de armamentos ar-superfície e munições de precisão. O MiG-29 foi fabricado em várias variantes principais, incluindo o multirrupo Mikoyan MiG-29M e a versão naval Mikoyan MiG-29K; o membro mais avançado da família até o momento é o Mikoyan MiG-35. Modelos posteriores frequentemente apresentam motores aprimorados, cockpits de vidro ("glass cockpits") com controles de voo compatíveis com HOTAS ("mãos no manete e na alavanca"), radar moderno e sensores de busca e rastreamento por infravermelho (IRST), e uma capacidade de combustível consideravelmente aumentada; algumas aeronaves também foram equipadas para reabastecimento aéreo.
Após a dissolução da União Soviética, as forças armadas de várias ex-repúblicas soviéticas continuaram a operar o MiG-29, sendo a maior delas as Forças Aeroespaciais da Rússia. A força aérea russa queria atualizar sua frota existente para a configuração modernizada MiG-29SMT, mas dificuldades financeiras limitaram as entregas. O MiG-29 também tem sido uma aeronave de exportação popular; mais de trinta nações operam ou já operaram a aeronave. De acordo com a Flight Global de 2024, estima-se que 809 MiG-29s, de todos os tipos, estejam em serviço em forças aéreas, tornando-o o 5º caça ativo mais comum.
No meio dos anos 1960, a Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) encontrou dificuldades nos céus do Vietnã. Bombardeiros supersônicos que haviam sido otimizados como bombardeios de baixa altitude, como o F-105 Thunderchief, mostraram-se vulneráveis aos mais antigos MiG-17 e aos mais avançados MiGs que eram muito mais manobráveis. Para recuperar a limitada superioridade aérea desfrutada na Coreia, os EUA se concentraram no combate aéreo usando o caça multifuncional F-4 Phantom, enquanto a União Soviética desenvolveu o MiG-23 em resposta. No final dos anos 1960, a USAF iniciou o programa “F-X” para produzir um caça dedicado à superioridade aérea, que levou ao pedido de produção do McDonnell Douglas F-15 Eagle no final de 1969.
No auge da Guerra Fria, uma resposta soviética era necessária para evitar a possibilidade de um novo caça americano obter uma vantagem tecnológica séria sobre os caças soviéticos existentes. Assim, o desenvolvimento de um novo caça de superioridade aérea tornou-se uma prioridade. Em 1969, o Estado-Maior Soviético emitiu um requerimento para um Perspektivnyy Frontovoy Istrebitel (PFI, aproximadamente “Caça Avançado de Linha de Frente”). As especificações eram extremamente ambiciosas, exigindo longo alcance, bom desempenho em campo curto (incluindo a capacidade de usar pistas precárias), excelente agilidade, velocidade Mach 2+ e armamento pesado. O instituto russo TsAGI trabalhou em colaboração com o escritório de design Sukhoi na aerodinâmica da aeronave.
Em 1971, no entanto, estudos soviéticos determinaram a necessidade de diferentes tipos de caças. O programa PFI foi complementado com o programa Perspektivnyy Lyogkiy Frontovoy Istrebitel (LPFI, ou “Caça Tático Leve Avançado”), com a força de caça soviética planejada para ser composta 33% do PFI e 67% do LPFI. As duas designações paralelizaram a decisão da USAF, que criou o programa “Lightweight Fighter” e o General Dynamics F-16 Fighting Falcon e o Northrop YF-17. O caça PFI foi atribuído à Sukhoi, resultando no Sukhoi Su-27, enquanto o caça leve foi para Mikoyan. O trabalho de design detalhado no resultante Mikoyan Produto 9, designado MiG-29A, começou em 1974, com o primeiro voo ocorrendo em 6 de outubro de 1977. A aeronave pré-produção foi avistada pela primeira vez pelos satélites de reconhecimento dos Estados Unidos em novembro daquele ano e foi apelidada de Ram-L, pois foi observada no centro de testes de voo Jukovski, perto da cidade de Ramenskoie.
No Ocidente, o novo caça recebeu o codinome OTAN “Fulcrum-A” porque o MiG-29A pré-produção, que deveria ter recebido logicamente essa designação, permaneceu desconhecido no Ocidente naquela época. A União Soviética não atribuiu nomes oficiais à maioria de suas aeronaves, embora apelidos fossem comuns. Incomumente, alguns pilotos soviéticos acharam o codinome da OTAN do MiG-29, “Fulcrum”, uma descrição lisonjeira do propósito pretendido da aeronave, e às vezes é usado informalmente no serviço russo.
Na década de 1980, a Mikoyan desenvolveu o MiG-29S, melhorado para usar mísseis ar-ar R-27E de maior alcance. Ela adicionou uma "corcunda" dorsal à fuselagem superior para abrigar um sistema de interferência e alguma capacidade de combustível adicional. A carga de armas foi aumentada para 4 mil kg com o reforço da estrutura. Essas características foram incluídas em novos caças e atualizações para os MiG-29 mais antigos.
Compartilhando suas origens nos requisitos originais do PFI emitidos pelo TsAGI, o MiG-29 tem amplas semelhanças aerodinâmicas com o Sukhoi Su-27, mas com algumas diferenças notáveis. O MiG-29 tem uma asa em flecha montada no meio com extensões nas pontas (LERXs) em flecha em cerca de 40°. Há também estabilizadores horizontais em flecha e duas aletas verticais, montadas em lanças fora dos motores. Slats automáticos são montados nas bordas de ataque das asas, sendo de quatro segmentos nos modelos iniciais e de cinco segmentos em algumas variantes posteriores. No bordo de fuga, há flaps de manobra e ailerons na ponta da asa.
Construído para abarcar o sistema de tiro RLPK-29 - que compreende o radar N019 "Rubin", com capacidade de detecção de alvos em até 100km - o MiG-29 tem uma atuação muito mais independente em relação ao controle de interceptação de solo do que modelos predecessores.
Um sistema único para época, o OEPrNK-29 (S-31), que compreende o sistema eletro-óptico de aquisição de alvos OEPS-29, acoplado a tela no capacete Shchel'-3UM, permite ao piloto detectar e travar alvos sem emitir ondas de radar.
Defensivamente, o MiG-29 conta com sistema de detecção de emissões de radar SPO-15LM Beryosa e o sistema de identificação amigo-inimigo (IFF) STR-700. O sistema BVP-30M é responsável pelas contramedidas de mísseis guiados a infravermelho e a radar.
O armamento padrão do MiG-29 é constituído de um canhão interno de 30 mm GSh-301 com 150 munições. A aeronave também possui seis estações para armamentos sob as asas para mísseis ar-ar de curto alcance e guiados por infravermelho, como o Vympel R-60 (OTAN: AA-8 "Aphid") e o Vympel R-73 (OTAN: AA-11 "Archer"), assim como mísseis de médio alcance guiados por radar, como o Vympel R-27R/T (OTAN: AA-10 "Alamo"). As versões modernizadas da aeronave, como o MiG-29M e MiG-29STM, podem levar mísseis de radar ativo Vympel R-77 (OTAN: AA-12 "Adler").
Apesar de ser um caça e graças ao sistema de armamentos SUV-29, o MiG-29 também é capaz de realizar ataque ao solo utilizando bombas e foguetes não guiados. As variantes mais recentes são capazes de levar armas ar-solo guiadas, como os mísseis Vympel Kh-29 (OTAN: AS-14 "Kedge") e míssil anti-radar Vympel Kh-31P (OTAN: AS-17 "Krypton").
Apesar das suas virtudes aparentes, o MiG-29 não foi tão bem sucedido em combate real. Voou em combate na Guerra do Golfo, sobre a Sérvia, e na Guerra Eritreia-Etiópia em 1999. Pelo menos uma dúzia de unidades foi atingida, sem registo de vitórias. Porém, a maioria das aeronaves destruídas estava no solo e as poucas perdidas em combate aéreo se deve ao fato da tecnologia superior utilizada pelos Estados Unidos, como aeronaves AWACS e mísseis mais modernos, além do alto grau de treinamento dos pilotos americanos. Alguns técnicos consideram estes valores reveladores das deficiências do MiG-29. No ambiente hostil do Iraque e Sérvia, os Estados Unidos tomaram a iniciativa e asseguraram a sua superioridade aérea desde muito cedo, restando poucas hipóteses aos MiG-29 de responder. No entanto, algumas análises de potencial, quando comparados paralelamente, indicam que o MiG-29 poderia ser equiparado ao F-15 Eagle. Análises efetuadas pela Federação de Cientistas Americanos (FAS) revelaram que o MiG-29 é igual ou superior ao F-16, após os exercícios conjuntos DACT, realizado entre pilotos alemães (que herdaram o MiG-29 da antiga Alemanha Oriental) e pilotos americanos, em razão de seu sistema de mira montado no capacete (HMS) dos pilotos e da grande manobrabilidade do MiG-29 à baixa velocidade.