Miguel Vaz de Almada, cujo nome completo era Miguel José Maria das Necessidades Filomeno João Pedro Paulo de Santana Vaz de Almada (Viana do Castelo, 27 de junho de 1860 — Lisboa, 11 de dezembro de 1916), foi o 16.º representante título de conde de Avranches em França e tinha direito ao de conde de Almada no Reino de Portugal, sendo ele o 4.º a sucedê-lo, mas que nunca o oficializou por não concordar com o regime liberal e sua Carta Constitucional, devido às suas fortes convicções miguelistas, e mais tarde por ser contra o republicanismo. Ambas foram as tendências politicas que governaram Portugal, em sua vida, e as quais convictamente combateu.
Foi um dos chefes do Partido Legitimista, sendo em 1899 vogal na lugar-tenencia de D. Miguel II, estando ao seu lado em janeiro de 1908 quando SAR apresentou o seu programa em Londres, para o Reino de Portugal, e mais tarde um dos responsáveis pelo monárquico pacto de Dover, em 1912.
Era proprietários dos bens do Palácio dos Almadas do Rossio, do antigo Senhorio dos Lagares d’El-Rei e de Pombalinho assim como do Paço de Lanheses. Embora fosse registado como morador em Lisboa, era no último local onde vivia mais tempo e exercia agricultura e política.
Estava igualmente ligado à Real Associação da Agricultura e, como proprietário agrícola, praticava essa actividade com as mais modernas técnicas e modalidades de então. Assim como, complementarmente era acérrimo defensor do mutualismo para segurar os riscos inerente ao investimento dos agricultores, na produção dos seus agro-produtos, e também como melhor forma para aumentar a socialização, entre eles, conseguido através do apoio mútuo inerente. Nesse sentido, em 1907, instituiu e foi presidente da "Sociedade de Seguros Mútuos de Gado Bovino da Freguesia de Lanhezes". Era igualmente, depois de 1901, vice-presidente do Centro Nacional de Viana do Castelo com preocupações sociais nacionalistas e católicas, muito associadas às tais questões rurais nomeadamente as vitivinícolas. Fazia igualmente parte da direcção do Sindicato Agrícola de Viana do Castelo.
Como dinâmico empreendedor, chegou a levar os seus vinhos, da sua lavra, do Minho (vinho verde e vinho da Madeira (de onde a família de sua mulher era originária e tinha as propriedades dela), a concurso em exposições estrangeiras, onde obtinha muito sucesso, nomeadamente como aconteceu no Rio de Janeiro.
Em 27 de Novembro de 1908, subscreveu, como accionista fundador, a "União dos Viticultores de Portugal".
Quando em Maio de 1886 se procedeu à inauguração do Monumento aos Restauradores de 1640 foi convidado pela Comissão do Primeiro de Dezembro a comparecer e assim o fez, mas, sabendo que estaria na presença de Luís I de Portugal teve o cuidado de expôr publicamente que ele não era o seu rei e só o fazia por estar na qualidade de representante de D. Antão de Almada, de assim o homenagear e ao seu patriótico acto. Igualmente, em 1901 esteve presente na recepção a D. Miguel Maria Maximiliano de Bragança, pretendente ao trono português, filho primogénito de D. Miguel II, que visitava clandestinamente o Reino de Portugal, acompanhando-o do Porto a Viana do Castelo. Estado este de regresso à cidade douriense, no dia 3 de Fevereiro, ainda participa numa reunião de seus partidários em casa de José Pestana, na Rua do Almada.
Igualmente o vemos, juntamente com os restantes legitimistas, a participar no processo de constituição do Partido Nacionalista e é disso evidente em 3 de Abril de 1906, ao presenciar em conjunto o descerrar de um retrato do falecido chefe deles, António Maria da Luz de Carvalho Daun e Lorena, Conde da Redinha.
Pertenceu a várias confrarias ou irmandades, nomeadamente à de São Miguel Arcanjo do Real Mosteiro de Nossa Senhora da Encarnação; a Irmandade da Nossa Senhora da Pérsia na sua capela da Igreja de Nossa Senhora da Graça; a Real Irmandade do Santíssimo Sacramento, da qual foi juiz, e Irmandade de Santo André e das Almas ambas da freguesia dos Anjos e todas em Lisboa; assim como da Irmandade do Senhor do Cruzeiro em Lanheses; entre outros.
D. Miguel Vaz de Almada, nasceu em Viana do Castelo a 27 de Junho de 1860, faleceu no Paço de Lanheses às 22h do dia 11 de Dezembro de 1916 e deixou testamento para ser enterrado no Cemitério Oriental de Lisboa, no Alto de São João, e que assim aconteceu.
D. Lourenço José Maria Boaventura de Almada Cirne Peixoto (1801—1834), 3.º conde Almada, , 15.º representante de conde de Avranches em França e Abranches em Portugal, 6.º mestre-sala, senhor do Vila Nova de Lanheses, dos Lagares de El-Rei, e de Pombalinho, e de
D. Maria Rita Machado de Castelo-Branco Mendonça e Vasconcelos, filha de D. José Maria Rita de Castelo Branco, 1º conde da Figueira e de D. Maria Amália Machado Eça Castro e Vasconcelos Magalhães Orosco e Ribera.
Casado, em 27 de Junho de 1883, na Paróquia de São Pedro do Funchal, na Ilha da Madeira, com:
D. Leocádia Silvana de Sant' Ana e Vasconcelos Moniz de Bettencourt, (Funchal, 12 de junho ou 12 de dezembro de 1855 no Funchal — 17 de dezembro de 1925), sem geração.
Filha de João de Sant' Ana e Vasconcelos Moniz de Bettencourt, nascido em 1806 no Funchal, e de D. Silvana Cândida de Freitas Branco Moniz e Bettencourt, filha de Silvano de Freitas Branco, do Conselho de S. M. F.
João Carlos Feo Cardoso de Castelo Branco e Torres e Manuel de Castro Pereira (de Mesquita), «Resenha das Famílias Titulares», Imprensa Nacional, Lisboa, 1838.
Fernando de Castro da Silva Canedo, A Descendência Portuguesa de El-Rei D. João II, Fernando Santos e Rodrigo Faria de Castro, 2ª Edição, Braga, 1993, vol. I, pg. 225.
José de Sousa Machado, Últimas Gerações de Entre Douro e Minho - J.A. Telles da Sylva, 2ª Edição, Lisboa, 1989, vol. I, pg. 16.