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Miguel Gonçalves Mendes

Miguel Gonçalves Mendes (Covilhã, 2 de Setembro de 1978) é um realizador, argumentista e produtor de cinema português.

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Miguel Gonçalves Mendes (Covilhã, 2 de Setembro de 1978) é um realizador, argumentista e produtor de cinema português.

É o autor de José e Pilar (2010), um documentário sobre prémio o Nobel da Literatura português, José Saramago, coproduzido por Pedro e Agustín Almodóvar (Hable con ella, La piel que habito) e Fernando Meirelles (Cidade de Deus e The Constant Gardener). Em 2011, já depois de um circuito internacional de festivais bem sucedido, o filme deu mote a um movimento popular no país, que fez estalar um debate sobre o cinema português com base numa petição com 1 400 signatários e impulsionou uma campanha de corrida aos Óscares, em Los Angeles e Nova Iorque. Atualmente, Miguel encontra-se a filmar o seu novo documentário, O Sentido da Vida, produzido por Fernando Meirelles, que retrata distintas personalidades mundiais.

Miguel frequentou Relações Internacionais (ISCSP - Universidade Técnica de Lisboa) e História, variante Arqueologia (Universidade Nova de Lisboa), antes de se licenciar em Cinema pela Escola Superior de Teatro e Cinema onde se especializou em montagem. Em 2002 fundou a JumpCut, através da qual produziu todos os seus projetos até 2014.

Documentário que explora a proximidade cultural entre Portugal e a Galiza, as suas raízes históricas, as suas razões mais profundas e as suas consequências. Valeu ao realizador os primeiros prémios da carreira, como o o Prémio Europeu "Massimo Troisi", em Itália.

Documentário que retrata a vida, o percurso e a individualidade do poeta e pintor português Mário Cesariny. Vencedor do prémio para o Melhor Documentário Português, no DocLisboa 2004.

A Batalha dos Três Reis (2005)

A primeira longa-metragem de ficção de Miguel Mendes, rodado em Marrocos, um insano e fatal jogo de ciúmes.

De regresso ao documentário, explorou a lenda de Floripes, uma moura encantada que deambula, todas as noites, triste e sem destino, pela vila de Olhão, inebriando os pescadores num feitiço que os guiava, mar a dentro, até à morte.

Filme experimental, baseado no universo imagético de Maria Gabriela Llansol que, ao seguir o seu processo de construção narrativa, explora a chamada “cena fulgor”.

José e Pilar olha para a a vida de um dos maiores escritores do século XX, e encontra um Saramago desconhecido, provando que génio e simplicidade são compatíveis.

A Viagem do Elefante, o livro que narra as aventuras e desventuras de um paquiderme transportado desde a corte de D. João III à do austríaco Arquiduque Maximiliano, é o ponto de partida para um filme que retrata a relação entre o Prémio Nobel da Literatura, José Saramago, e a sua companheira, Pilar del Río. Percorrendo o dia-a-dia do casal em Lanzarote e Lisboa, em casa e em viagens de trabalho por todo o mundo, revela-se um retrato surpreendente de um autor, durante o processo de criação, e da relação de um casal empenhado em mudar o mundo – ou, pelo menos, em torná-lo melhor.

Depois de se tornar a obra mais popular de Miguel Mendes, com estreia comercial em Portugal, Espanha, Brasil, México e Itália e vários prémios e nomeações, o filme teve destaque pelo apoio que recebeu do público e pelo debate e agitação que gerou em torno do cinema português, cronicamente divorciado dos portugueses. O Split Screen, referência da blogosfera cinéfila nacional, lançou uma petição que recolheu o apoio dos portugueses para que o filme fosse escolhido pelo ICA (Instituto do Cinema e Audiovisual) como o candidato de Portugal na corrida à nomeação para Óscar de Melhor Filme Estrangeiro. A par de uma campanha de screenings nos Estados Unidos, que incluiu a exibição do filme no MOMA e granjeou o aplauso de publicações como a Variety e o The New York Times, José e Pilar foi o candidato português aos Óscares de 2012. Falhou a nomeação nesta categoria e chegou à shortlist de pré-nomeados para Melhor Canção (com o tema Já Não Estar, composta por José Mario Branco e interpretada pelo fadista Camané)

Miguel e os escritores brasileiros Tatiana Salem Levy e João Paulo Cuenca viajaram até ao Extremo Oriente para uma troca de experiências com artistas e pensadores de Macau, Hong Kong, Vietname, Cambodja e Tailândia. Desse contato, nasceu o projeto “Nada tenho de meu”, descrito pelos seus autores como “uma mistura de caderno de viagens e ficção”, distribuído digitalmente sob o formato de web series. Contudo, a pretensa veracidade do diário transfigura-se rapidamente, dando origem uma narrativa ficcional, que não permitirá ao espectador saber qual a verdade da realidade que lhe é apresentada. Uma espécie de poema visual que fará questionar a identidade cultural portuguesa, ao confrontar-se com uma outra cultura - mas que, no caso concreto de Macau, já é previamente contaminada pela cultura com a qual se contrapõe. É um exemplo de um encontro cultural e de uma posterior reconstrução identitária, num mundo onde todas as civilizações se construíram sobre a ruína de outras. Conhecido também pelas suas iniciativas de distribuição alternativa, Miguel disponibilizou, online e gratuitamente, todos os episódios da série.

O próximo projecto de Miguel, produzido pela O2 filmes, já começou a ser filmado em torno do mundo e é “um projeto complexo tanto pela sua escala como pelo número de personagens envolvidos”. O realizador tem a intenção de “levar ao extremo o trabalho de construção narrativa desenvolvido em José e Pilar, isto é, captar a realidade e trabalhá-la com premissas de narrativa clássica”.

O protagonista é Giovane Brisotto, um jovem brasileiro portador de uma doença rara e incurável, de origem portuguesa, espalhada pelo globo há 500 anos durante a época das grandes navegações.

Na iminência de um transplante, o Giovane decide embarcar numa viagem ao redor do mundo, traçando a mesma rota que a primeira navegação realizada pelos portugueses que deu origem à disseminação da sua doença.

Durante a viagem, o protagonista toma contacto, apenas através dos media (televisão, cinema, publicidade), com sete figuras públicas, sete arquétipos, dados como alguns dos novos heróis da contemporaneidade. Mas é o espectador que, em narrativas paralelas, ganha acesso privilegiado ao universo privado e quotidiano de todos eles, descobrindo quem está por trás destas personas, seguidas e idolatradas por multidões, em busca de uma referência para as suas vidas.

A descoberta, explica Miguel, passa por uma “composição importante: a relação entre a morte, a criação, o poder, o movimento e a universalidade (totalidade) dos fenômenos”.

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