Verónica Michelle Bachelet Jeria GColIH • GColL • GColCS (Santiago, 29 de setembro de 1951) é uma médica e política chilena, e ex-presidente da República do Chile. Bachelet ostentou a primeira magistratura do país entre 11 de março de 2006 e 2010, e assumiu novamente o cargo em 11 de março de 2014 até 11 de março de 2018. Ademais, foi a primeira presidente pró tempore da União de Nações Sul-Americanas, e a primeira encarregada da ONU Mulheres, agência das Nações Unidas para a igualdade de género.
Filha de Alberto Bachelet, brigadeiro-general da Força Aérea do Chile e membro do governo da Unidade Popular liderado por Salvador Allende, Michelle Bachelet estudou medicina na Universidade do Chile, período durante o qual ela se juntou às fileiras do Partido Socialista. Após o golpe de 11 de setembro de 1973, seu pai foi preso em 1974 pela ditadura militar, morrendo na prisão, e Michelle e sua mãe passaram à clandestinidade. Em janeiro de 1975, ela foi detida em Villa Grimaldi por agências de aplicação da lei da ditadura, antes de se exilar.
Membro do Partido Socialista do Chile, ocupou o lugar de ministra da Saúde no governo de Ricardo Lagos, entre 2000 e 2002, e posteriormente o cargo de Ministra da Defesa, tendo sido a primeira mulher a exercer este cargo na América Latina. Foi eleita presidente do Chile em 2006, para um mandato de quatro anos, sucedendo ao ex-presidente Ricardo Lagos. Em 2013, foi novamente eleita para novo mandato presidencial de quatro anos, tornando-se a primeira a vencer duas eleições presidenciais na história do país. O governo Bachelet ficou conhecido por terminar o primeiro mandato com alta taxa de aprovação, mas o segundo mandato com baixa popularidade.
O segundo mandato de Bachelet como presidente do Chile encerrou-se em março de 2018. Em setembro de 2018 se tornou Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, sucedida por Volker Türk em setembro de 2022.
Biografia e carreira acadêmica
Nascida em Santiago, Michelle Bachelet é filha do General de Força Aérea, Alberto Bachelet, e da arqueóloga Ángela Jeria. Devido ao trabalho de seu pai, viveu nas bases da Força Aérea Chilena de Quintero, Cerro Moreno e San Bernardo, e entre 1962 e 1963 nos Estados Unidos. Posteriormente, regressou a Santiago e estudou o Ensino Médio no Liceu Javiera Carrera, participando ativamente em grupos musicais e de teatro com alunos do Instituto Nacional General José Miguel Carrera Marco Antonio de la Parra.
Em 1970, Bachelet ingressa na Faculdade de Medicina da Universidade do Chile, onde se licencia em médica cirurgiã pediatra com menção em epidemiologia. No começo do governo de Salvador Allende, ingressa na Juventude Socialista do Chile. Em 1972, seu pai é indicado para um cargo no governo (Junta de Abastecimento e Preços).
Com o golpe de estado de 11 de setembro de 1973, Alberto Bachelet é detido na Academia de Guerra Aérea por "traição à pátria". Devido às torturas sofridas por parte de seus próprios camaradas, o General falece em 12 de março de 1974 no Cárcere Público de Santiago.
Bachelet continuou seus estudos e apoiando o Partido Socialista na clandestinidade. Por este motivo é presa com sua mãe pela polícia política de Pinochet, a DINA, em 10 de janeiro de 1975. Ambas foram torturadas e interrogadas no centro de detenção conhecido por Villa Grimaldi, antes de serem transferidas para o cárcere de Cuatro Álamos.
Depois de um ano de reclusão, mãe e filha partiram ao exílio na Austrália, para partir mais tarde à Alemanha Oriental. Neste país, continuou seus estudos em Medicina na Universidade Humboldt de Berlim e se casou com o arquitecto Jorge Dávalos, pai de seu primogênito, Sebastián, que nasceu em Leipzig. Na Austrália recebeu um telefonema de Jaime López Arellano, dirigente socialista do Chile, namorado dela à época do golpe. Ele a chamava à antiga Alemanha Oriental comunista.
Quando volta ao Chile em 1979, retoma seus estudos na Universidade do Chile, formando-se em 1982. Neste mesmo ano nasceu sua filha Francisca.
Sua prática profissional como médica foi rechaçada pelas autoridades, que levantaram «razões políticas». Todavia, aproveitou uma bolsa do Colégio Médico do Chile para se especializar em Pediatria e Saúde Pública no Hospital Roberto del Río. Paralelamente à sua separação de Jorge Dávalos, incorporou-se à ONG PIDEE (Proteção à Infância Prejudicada pelos Estados de Emergência) até 1990, ajudando a filhos das vítimas do regime militar do Chile.
Segundo diversas informações, Michelle Bachelet manteve uma relação sentimental com um membro da Frente Patriótica Manuel Rodríguez (FPMR) durante os anos oitenta.
Mesmo tendo descartado veementemente sua participação na FPMR e em qualquer organização de carácter terrorista, admitiu sua relação com membro de dita organização. Este fato foi admitido publicamente pela candidata nas eleições presidenciais de 2005.
Posteriormente, surgiram rumores da participação de Bachelet no seqüestro de Cristián Edwards, filho do diretor do diário El Mercurio Agustín Edwards, ocorrido em 9 de setembro de 1991 e que se prolongaria por 5 meses. Sem demora, estas acusações foram desmentidas e logo se comprovou que o rumor que havia surgido por parte de Rómulo Aitken, processado por ter vínculos com o narcotráfico. Aitken havia trabalhado na campanha eleitoral de Joaquín Lavín e havia estado montando um informe para envolver a candidata ao ex-comissário Jorge Barraza, o qual tentou nos anos noventa macular os governos de Patricio Aylwin e Eduardo Frei em atividades ilícitas no combate contra os grupos subversivos, acusações que nunca foram provadas.
No início da década de 90 Michelle Bachelet foi contratada como epidemióloga no Serviço de Saúde Metropolitano Ocidente e depois na Comissão Nacional da Aids/Sida (CONASIDA). Foi ali que conheceu o epidemiólogo Aníbal Henríquez, o seu parceiro durante mais de três anos. Desta relação nasceu em 1993 a sua filha mais nova, Sofía.
Entre 1994 e 1997, Bachelet, juntamente com Alejandro Sandoval, exerceu funções como assessora do Ministério da Saúde chileno. Em 1996 ingressou num curso sobre Defesa Continental na Academia de Assuntos Políticos e Estratégicos, onde, devido ao seu bom desempenho e graças ao financiamento de uma bolsa estatal, foi convidada a estudar no Inter-American Defense College em Washington D.C., Estados Unidos.
Em 1998 trabalhou como assessora do Ministério da Defesa e no dia 11 de março de 2000 foi nomeada ministra da Saúde pelo presidente Ricardo Lagos, que lhe solicita para que num prazo de três meses acabe com as listas de espera nos consultórios. Bachelet não alcançou este objectivo, porém conseguiu uma importante redução no tamanho dessas listas; perante o seu fracasso colocou o seu cargo à disposição, mas Ricardo Lagos reafirmou a sua confiança em Bachelet.