Mercado financeiro é o conjunto de negociações de ativos financeiros, como ações, títulos de dívida, divisas e derivativos, e dos meios que aproximam seus compradores e vendedores. O termo pode designar uma bolsa de valores ou um segmento de operações, como o mercado de crédito e o mercado de câmbio, mesmo quando as partes negociam diretamente, fora de uma bolsa.
Empresas e governos obtêm recursos emitindo títulos, enquanto os investidores podem receber juros, dividendos ou ganhos na revenda dos ativos, sujeitos a perdas e às condições de cada investimento. A negociação de títulos já emitidos permite que um investidor transfira sua posição a outro sem que o emissor tenha de devolver o dinheiro naquele momento. Os mercados também permitem contratar proteção contra variações de preços e taxas, embora os mesmos instrumentos possam ser usados para especular.
No Brasil, a divisão entre mercados monetário, de crédito, de capitais e de câmbio é usada para explicar as operações e as atribuições dos órgãos do Sistema Financeiro Nacional. Em Portugal, a compra e a venda de valores mobiliários podem ocorrer na Euronext Lisboa, e os títulos da dívida pública têm canais de distribuição próprios, incluindo os destinados à poupança das famílias.
Quem dispõe de recursos pode aplicá-los diretamente em títulos ou entregá-los a um intermediário, que concede crédito ou administra investimentos. Quem precisa de financiamento pode recorrer a empréstimos bancários, emitir dívida ou admitir novos acionistas. Uma mesma família, empresa ou instituição pode tomar crédito para uma finalidade e manter aplicações para outra.
O financiamento direto aproxima o emissor dos investidores. No financiamento intermediado, uma instituição se interpõe entre quem aplica e quem recebe os recursos, assumindo obrigações próprias perante os clientes.
Um depósito bancário constitui uma obrigação do banco perante o depositante. Já a compra de uma ação dá participação no capital da empresa, sem a promessa de restituição de um empréstimo. As contribuições para fundos de pensão e os prêmios pagos às seguradoras também chegam aos mercados por meio das carteiras dessas instituições, mas os direitos dos clientes dependem do contrato previdenciário ou de seguro.
As empresas aplicam excedentes de caixa para conciliar vencimentos de despesas e receitas. Podem manter instrumentos de curto prazo ou devolver recursos aos proprietários por dividendos e recompra de ações. Bancos operam por conta própria e por conta de clientes e participam do mercado interbancário para administrar suas necessidades de liquidez.
As famílias usam crédito para consumo, aquisição de moradia e outras despesas. As empresas financiam estoques, equipamentos, expansão e reorganizações societárias, combinando prazos e instrumentos conforme suas necessidades de caixa. Operações de compra de empresas podem envolver empréstimos, títulos de dívida e recursos dos novos sócios.
Governos emitem dívida para financiar necessidades de tesouraria, refinanciar vencimentos e cobrir déficits, dentro das regras de cada país. No Brasil, os títulos públicos federais são emitidos pelo Tesouro Nacional. Em Portugal, a gestão da dívida direta do Estado cabe à Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública. Nos países que permitem endividamento de governos locais e empresas públicas, essas entidades também podem buscar financiamento em nome próprio.
O acesso a investidores de outros países amplia as possibilidades de financiamento, mas pode acrescentar risco cambial quando a dívida e as receitas estão em moedas diferentes. O mercado de câmbio atende pagamentos do comércio exterior, aplicações, empréstimos internacionais e outras transferências, com a participação de bancos, empresas, governos, investidores e viajantes.
O prazo, o ativo negociado e a forma de contratação permitem distinguir segmentos que se sobrepõem em algumas operações. No mercado monetário circulam instrumentos de curto prazo, em geral com vencimento de até um ano. O mercado de capitais reúne o financiamento por ações e por títulos de dívida de prazo mais longo. O crédito bancário permite obter empréstimos e financiamentos sem que o devedor tenha de emitir valores mobiliários para o público.
No mercado à vista, a negociação prevê entrega e pagamento no prazo de liquidação estabelecido para aquele ativo. Nos mercados a termo e futuros, o contrato fixa condições para uma data posterior. Um mesmo produto pode ter negociações à vista e de derivativos, como ocorre com moedas e mercadorias. Os criptoativos também são negociados em plataformas centralizadas e por protocolos de finanças descentralizadas, com estruturas de intermediação e riscos diferentes dos de uma bolsa de valores tradicional.
No mercado primário, o investidor subscreve uma nova emissão e os recursos chegam ao emissor. A operação pode ocorrer na primeira oferta de uma empresa ou em uma emissão posterior. No mercado secundário, os investidores negociam entre si ativos que já foram emitidos. A revenda, por si só, não coloca dinheiro novo no caixa da companhia.
A liquidez depende da possibilidade de encontrar uma contraparte e negociar sem provocar uma alteração excessiva de preço. A existência de um mercado secundário facilita a saída do investimento, mas não garante que o título possa ser vendido imediatamente ou pelo preço desejado. Ativos pouco negociados podem exigir espera ou desconto maior para a venda.
As bolsas organizam negociações segundo regras de admissão, divulgação de informações e funcionamento de seus sistemas. No mercado de balcão, as contrapartes podem contratar diretamente ou recorrer a sistemas organizados. A negociação eletrônica reduziu a necessidade de reunir compradores e vendedores em um pregão físico, e as cotações circulam entre plataformas e países.
No Brasil, a B3 reúne negociações de ações e derivativos e atividades de registro, depósito e liquidação. Sua formação resultou da união entre a BM&FBovespa e a Cetip, concluída em 2017. Em Portugal, as Obrigações do Tesouro podem ser compradas no mercado secundário por meio de intermediários financeiros, enquanto os Certificados de Aforro seguem canais próprios de subscrição. A Bolsa de Nova Iorque e a NASDAQ são exemplos norte-americanos de mercados organizados de ações.
Preços, serviços e infraestrutura
Os mercados permitem transferir recursos para quem pretende investir ou consumir, negociar riscos e transformar uma aplicação em dinheiro pela venda do ativo. A formação de preços e a divulgação de informações ajudam a comparar alternativas de financiamento e investimento. Esses mecanismos têm custos de negociação, informação e fiscalização e não asseguram rentabilidade nem impedem perdas.