Em economia e finanças, mercado financeiro é como se denomina todo o universo que envolve as operações de compra e venda de ativos financeiros, tais como valores mobiliários (ações, obrigações, etc.), mercadorias (pedras preciosas, commodities, etc.) e câmbio. É todo o ambiente em que ocorrem as operações de investimentos financeiros. Existem mercados gerais, onde muitos produtos são comercializados, e mercados especializados, onde apenas um tipo de mercadoria é negociada.
Os mercados funcionam colocando muitos compradores e vendedores interessados num mesmo "local", tornando assim mais fácil encontrarem-se uns aos outros. Uma economia que depende principalmente de interações entre compradores e vendedores para alocar recursos é conhecida como uma economia de mercado, em contraste a economia de comando ou com a economia de não-mercado, como é exemplo a economia de doação. Economistas como o americano Milton Friedman e o austríaco Friedrich Hayek, ambos ganhadores do Prêmio Nobel de economia, afirmam que este setor é um dos principais responsáveis por potencializar o crescimento econômico, gerando consequente desenvolvimento humano e, portanto, aumentando a qualidade de vida e o bem-estar da sociedade.
Em finanças, os mercados financeiros permitem:
A angariação de capital (no mercado de capitais)
A transferência de risco (no mercado de derivativos, que são títulos futuros)
O comércio internacional (no mercado de divisas, sinônimo de moeda)
Um exemplo conhecido é um processo de financiamento. Normalmente, quem quer ser financiado emite um recibo ao seu financiador, prometendo restituir o capital investido. Essas receitas são títulos, que podem ser comprados ou vendidos livremente. Em troca do empréstimo de dinheiro, quem o concede (financiador) espera uma compensação sob a forma de juros ou dividendos.
Em matemática financeira, o conceito de um mercado financeiro é definido em termos de um processo estocástico de movimento Browniano em tempo contínuo.
O mercado financeiro pode ser dividido em quatro grandes mercados:
Mercado de capitais: é um meio de distribuição de valores mobiliários, que tem o objetivo de gerar liquidez aos títulos emitidos pelas empresas e viabilizar o seu processo de capitalização. Isto quer dizer que o objetivo é direcionar os recursos financeiros da sociedade para o comércio, a indústria e outras atividades econômicas, assim remunerando melhor o investidor. Fazem parte desta área a compra e a venda de ações, debêntures, etc.;
Mercado de crédito: atuam neste segmento diversas instituições financeiras e não financeiras prestando serviços de intermediação de recursos de curto, médio e longo prazo para agentes deficitários que necessitam de recursos para consumo ou capital de giro. É o segmento onde ocorrem operações de empréstimo, arrendamento, financiamento, etc.;
Mercado de câmbio: é onde são negociadas as trocas de moedas estrangeiras (dólar, euro, yuan, etc.).
Mercado monetário: é o mercado onde se concentram as operações para controle da oferta de moeda e das taxas de juros de curto e curtíssimo prazo com vistas a garantir a liquidez da economia. Abrange toda a rede de entidades ou órgãos financeiros que negociam títulos ou valores, concedendo empréstimos a empresas ou particulares a curto prazo, em troca do pagamento de juros.
Sociologia do mercado financeiro
A Sociologia ainda tem poucas produções sobre o que forma os mercados financeiros, uma vez que eles são uma instituição em constante mudança que há pouco tempo tem reflexos palpáveis na organização social e instituições tradicionais.
Nesse sentido, os esforços de autoras como Karen Ho e Annelise Riles retratam bem quem faz os grandes centros financeiros, desde os responsáveis pelo setor de trading (compra e venda de ativos) até quem trabalha no back-office (setor operacional, que vai desde advogados que formulam contratos até operadores de mesas de câmbio).
No que tange à questão do trabalho nessas instituições, tanto as antropólogas como o economista Costas Lapavitsas, em um livro publicado em 2016, “Profiting Without Producing: how finance exploits us all”, notam que, à revelia do crescimento do valor e da influência das instituições financeiras no desenvolvimento da economia mundial, isso não se refletiu na contratação de mais trabalhadores. Esta constatação leva a duas conclusões: a primeira é de que grande parte do trabalho dentro dos mercados financeiros é automatizado e baseado no desenvolvimento constante de novas tecnologias que tornem as transações cada vez mais rápidas e que favoreçam o autoatendimento de seus clientes – inserindo, dessa forma, uma parcela maior da população no sistema bancário e financeiro – e a segunda aparece quando a lente é colocada sobre quem trabalha dentro dessas instituições, onde há uma cultura já consolidada de competição interna e de altos níveis de exploração, sem garantia de contrapartida financeira para esses trabalhadores. Quando, no entanto, a lente é colocada sobre a “elite” dos mercados, nota-se que, assim como nos ambientes nacionais, existe em curso o surgimento de uma nova “elite internacional”, formada nas mesmas instituições, com as mesmas origens e cultura, que reproduz a separação entre quem comanda o processo e quem opera para que o mercado consiga funcionar.
O Direito desempenhou um papel fundamental durante o adensamento do processo de financeirização mundial. Costas Lapavitsas, em seu livro: “Profiting Without Producing – How Finance Exploits Us All” retrata, em determinada parte da obra, como ocorreu essa evolução financeira, destacando a importância da regulação como parte do desenvolvimento. A seguir será exposta, com base no trabalho do Lapavitsas, a arquitetura jurídica da financeirização.