Neste Dia

Menelique II

Político etíope

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Menelique II, nascido Sahle Mariam (Ankober, 17 de agosto de 1844 – Adis Abeba, 12 de dezembro de 1913), ras de Xoa, foi imperador da Etiópia, fundador da atual capital do país e um dos responsáveis por sua moderna reunificação territorial.

Viveu a Etiópia por séculos um sistema feudal, onde o poder era dividido entre vários senhores, chamados de ras. Um deles, em meados do século XIX, o ras Cassa, proclamou-se imperador, sob o nome de Teodoro II, depondo um aventureiro que se proclamara com o nome de João III, e começando o processo de reunificação do país.

Teodoro prendeu diversos opositores e buscou o apoio britânico, que culminou com desentendimentos que levaram a uma invasão ao território etíope, ao suicídio do imperador e à libertação dos prisioneiros (1867).

Após algum período de conflitos e disputas internas, que duram até 1872, ano em que o ras do Tigré, saindo vitorioso, é proclamado o novo Negus Negasti (rei dos reis), assumindo como "João IV". Surge, então, a figura de Menelique, ras do Xoa, que estivera preso sob o governo de Teodoro, como um dos pretendentes ao trono.

Salé Mariam, nome de batismo de Menelique, pertencia à família real da província do Xoa, descendente de Abeto-Jacó – filho do Imperador Libne Dingel – e que, no século XVI, se refugira no Xoa por conta dos conflitos religiosos com Amade Gragn. Menelique era filho do rei (ras) Haile Melecote, do Xoa, com a "Woizero" Ijigayehu. Melecote era, por sua vez, filho do primeiro rei de Xoa, Salé Selassie, com sua esposa Bezabish. Sua mãe Ijigayehu, por sua vez, era filha de uma dama da Corte da mãe de Sahle Selassie que dizem ter sido oriunda de Gondar, trazida para a capital Ankober a fim de introduzir ali os costumes e práticas de etiqueta apropriadas.

Sua mãe nunca se casou com o Malecote, mas seu avô, Salé Selassie, legitimou Menelique como seu neto, e depois o próprio pai o fez, quando assumiu o cargo.

Durante o conturbado governo de Teodoro II, que sucedera ao usurpador João III, Salé-Mariam (Menelique, então com apenas 9 anos) e todos os eventuais opositores foram aprisionados na cidadela de Magdala, situada nas montanhas, e feita capital no seu governo.

Apesar disso, Teodoro II encheu-se de apreço por Menelique, chegando a cogitar do seu casamento com uma de suas filhas, Alitaxe Teodoro, o que ocorre durante o período em que esteve em Magdala. A crueldade do rei, junto às inúmeras insurreições que provocara, enfraqueceram-lhe o governo e, tendo desafiado a presença inglesa no território etíope, é atacado por uma tropa chefiada por sir Robert Napier. A 30 de junho de 1865, Menelique foge de Magdala, abandonando sua primeira mulher, o que mais ainda provoca a ira do Negus.

Acuado, Teodoro comete o suicídio, em 1868. Sua morte é festejada no Xoa, onde era tido por cruel opressor. Registra a História local que Menelique, porém, não se uniu à comemoração – fechando-se num quarto para prantear a morte daquele que era seu inimigo político, mas que fora-lhe como um pai. Reivindica, porém, para si, a sucessão de Teodoro.

A situação torna-se confusa, com muitos pretendentes nas demais províncias, como Wagshum Gobeze, que se autoproclama Negus Negasti com o nome de Tecla Jorge III, e Dejazmatch Kassa Mercha, que não reconhece a nenhum deles. Diversos embates ocorrem e Kassa Mercha, ras de Tecla, derrota Jorge III em Assam, e é coroado como imperador João IV.

Menelique, de seu território natal em Xoa, recebe (1887) uma delegação italiana, que resultou no Tratado de Ucciali, de 1889. Neste mesmo ano o ras Makonen, sobrinho de Menelique, consegue um empréstimo dos italianos – povo que, ingressando tardiamente na corrida colonialista europeia, não escondia seus interesses na Eritreia e, também, na própria Etiópia.

Menelique reage, sofrendo várias traições, dentre as quais a da própria esposa, a Woizero Bafena. João IV enfrenta uma série de rebeliões até que em combate contra os dervixes madistas, nas fronteiras ocidentais do país, vem a falecer (1889). Menelique, então, com apoio francês e italiano, torna-se o Negus Negasti da Etiópia.

Após seu primeiro casamento com a filha de Teodoro II, Alitaxe, que abandonou em 1865, e voltando para o Xoa, Menelique uniu-se a uma mulher mais velha, a quem chamava de sua esposa, a Woizero Bafena, união esta que não foi referendada pela Igreja Copta.

Bafena, dada a intrigas, logo granjeou imensa antipatia dos parentes de Menelique, bem como dos súditos. Viria, mais tarde, a tornar-se espiã do imperador João IV. Cogitava, também, fazer seus filhos de uniões anteriores ascenderem ao trono.

De outra união, com a Woizero Abechi, Menelique teve uma filha, Zauditu, que estaria predestinada a ocupar o trono etíope. Numerosos filhos teria tido o futuro Rei, alguns dos quais reivindicando esta primazia, sem que fossem, entretanto, como tais reconhecidos.

De sua filha Xeuarega, nasceu o neto e herdeiro Lij Eyasu que, por aproximar-se do Islão, declarando-se converso, foi excomungado e afastado do trono – o que permitiu a ascensão de Zauditu.

Quando separou-se de Bafena houve uma tentativa de reconciliação, mas a idade avançada da rainha banida não lhe permitia mais produzir herdeiros, pelo que foi rechaçada. Conta a lenda que, ao ser apresentado a jovens pretendentes, Menelique teria comentado:

"Vocês pedem que eu olhe para estas mulheres com os mesmos olhos que olharam uma vez para Bafena?"

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