Melanie Adele Martinez (Queens, 28 de abril de 1995) é uma cantora, compositora, cineasta e atriz norte-americana. Nascida em Astoria, Queens, e criada em Baldwin, Nova York, Martinez alcançou a fama em 2012 após participar da terceira temporada do programa de talentos The Voice. Após o programa, ela assinou com a Atlantic Records e lançou seu single de estreia "Dollhouse", seguido por seu EP de estreia de mesmo nome (2014).
Martinez posteriormente lançou seu álbum de estreia, Cry Baby (2015), que recebeu certificação de platina dupla pela Recording Industry Association of America (RIAA). O álbum acumulou vários singles de sucesso comercial, incluindo "Pity Party", "Soap" e "Mrs. Potato Head", e alcançou a sexta posição da Billboard 200, com 32 mil cópias vendidas na primeira semana. Desde então, ela lançou três álbuns subsequentes: K–12 (2019) , Portals (2023), e Hades (2026)
Conhecida por seus cabelos e franja coloridos em dois tons, o estilo visual de Martinez desempenha um papel importante em seus videoclipes e performances. Ela alcançou a fama cultivando uma aparência de boneca, complementada por vestidos babydoll e expressões faciais emotivas.
Infância, raízes culturais e primeiras influências
Melanie Adele Martinez nasceu em 28 de abril de 1995 no distrito de Astoria, localizado no Queens, na cidade de Nova Iorque. Filha de Mery Martinez e Jose Martinez, possui ascendência prioritariamente dominicana e porto-riquenha, crescendo imersa em um lar que fundia tradições latinas com a cultura urbana nova-iorquina. Sua mãe trabalhava no setor administrativo de folha de pagamento, enquanto seu pai era proprietário de uma pequena agência de publicidade corporativa. Quando Melanie completou quatro anos de idade, a família realocou-se para o bairro suburbano de Baldwin, na região de Long Island, local onde ela passou toda a sua infância e adolescência ao lado de seu irmão mais novo, Joseph Martinez.
Desde a mais tenra infância, Martinez demonstrou um fascínio incomum pelas expressões vocais e sonoras, cantando rotineiramente aos três anos de idade. No ambiente doméstico, sua formação musical foi moldada pelos hábitos de seus pais: seu pai ouvia constantemente clássicos do hip-hop tradicional e west coast rap, como Tupac Shakur, Biggie Smalls e Brandy Norwood, o que legou à artista uma forte percepção de ritmo, métrica e o apreço pelo uso proeminente de batidas pesadas em suas produções futuras. Por outro lado, o rádio de sua mãe a expôs ao pop e à música internacional de nomes como Shakira, Christina Aguilera, Britney Spears e The Beatles. De sua fixação pelos Beatles, nasceu seu interesse definitivo pelo storytelling — a arte de contar histórias completas e lineares através das letras de música.
Devido a restrições no orçamento familiar, seus pais não puderam financiar instrutores ou escolas de música particulares durante o seu crescimento. Impulsionada pelo desejo de compor, aos quatorze anos de idade Melanie comprou um violão acústico e aprendeu a tocá-lo de forma totalmente autodidata, decodificando diagramas de acordes e tablaturas que encontrava na internet. Na mesma época, começou a escrever as suas primeiras poesias líricas, transformando-as em canções sob a influência direta do movimento indie pop e anti-folk norte-americano, espelhando-se em compositoras como Regina Spektor, Feist, Fiona Apple e Kimbra.
Formação escolar, mentores e a origem de "Cry Baby"
Sua educação formal inicial ocorreu na Plaza Elementary School, em Baldwin. Foi nessa instituição que ela conheceu o professor de música Andrew Nadien, figura fundamental em sua infância, que identificou seu potencial vocal e passou a estimulá-la ativamente, ensinando-lhe técnicas básicas de canto e introduzindo-a à flauta doce. Nadien coordenou a gravação de um álbum musical de Natal com os alunos, dando a Melanie sua primeira experiência real em um estúdio de gravação de áudio.
Durante este período escolar, Melanie era descrita por familiares e professores como uma criança de sensibilidade emocional aguçada, que chorava com extrema facilidade ao ser exposta a dinâmicas sociais estressantes ou ao não conseguir expressar em palavras o que sentia. Por conta dessa vulnerabilidade, tornou-se alvo frequente de intimidação sistemática (bullying) por parte de colegas de classe, que a apelidaram ironicamente de "cry baby" (bebê chorona). Anos mais tarde, em vez de rejeitar o estigma, Martinez ressignificou o insulto da infância para criar a personagem conceitual homônima que protagonizaria seus primeiros trabalhos discográficos mundiais.
Ao ingressar no ensino médio na Baldwin Senior High School, a jovem expandiu seus horizontes artísticos e passou a praticar a fotografia artística de maneira obstinada, focando em autorretratos surreais e fotografias conceituais carregadas de simbolismo abstrato. Na escola, sua professora de artes e fotografia, Patricia Grant, tornou-se sua grande mentora intelectual ao longo de três anos. Grant instigou-a a abandonar fotografias juvenis comuns de flores e paisagens cotidianas para focar em narrativas visuais complexas, fornecendo à estudante a base estética que posteriormente ditaria a identidade visual autoral de seus videoclipes. A dedicação às artes plásticas era tão intensa que Melanie definiu que, caso fracassasse em testes de gravadoras musicais, se mudaria em definitivo para a cidade de Nova Iorque para cursar bacharelado em uma faculdade de artes visuais.
Durante a juventude, trabalhou temporariamente em uma padaria em Long Island para arrecadar fundos pessoais e ajudar na compra de equipamentos artísticos — experiência que serviu de fundação criativa para o seu single de 2020, "The Bakery". Paralelamente, participou de pequenos recitais locais e concursos na ilha, vencendo a competição escolar Baldwin Singing Competition. Em 2012, inscreveu-se no programa de talentos televisivo regional MSG Varsity Talent Show; interpretando canções dos Beatles e do grupo The Four Tops, acabou sendo eliminada precocemente na segunda fase do torneio.
Aos dezesseis anos, impulsionada por uma sessão do filme 101 Dálmatas, decidiu descolorir e pintar exatamente metade de seu cabelo, adotando o marcante estilo visual bicolor inspirado na vilã Cruella de Vil. Essa atitude rebelde gerou um severo atrito em sua residência; sua mãe desaprovou veementemente a transformação radical e chegou a passar uma semana inteira sem dirigir a palavra à filha. Pouco tempo depois, o visual tornou-se a sua principal assinatura estética em rede nacional durante as audições às cegas do The Voice, onde reinterpretou de forma minimalista e puxada para o folk o clássico "Toxic", de Britney Spears, atraindo a atenção imediata de técnicos como Adam Levine.
Vida pessoal, identidade e relacionamentos
No que tange à sua vida íntima e sexualidade, Martinez assumiu publicamente sua bissexualidade através de comunicados oficiais e postagens em suas plataformas digitais, com destaque para um texto reflexivo em apoio ao "Dia de Sair do Armário" (Coming Out Day). No ano de 2021, a cantora atualizou suas diretrizes de identificação pessoal em suas redes biográficas, anunciando que adota tanto os pronomes femininos (ela/dela) quanto os pronomes neutros (elas/delas; eles/deles ou they/them), alternando seu uso de maneira fluida.
Entre os anos de 2019 e maio de 2021, Martinez esteve em um relacionamento amoroso de grande repercussão midiática com o cantor, produtor e cineasta norte-americano Oliver Tree. O namoro terminou de forma mútua e amigável. Posteriormente, Martinez iniciou um relacionamento com o ator e produtor australiano Mojean Aria. Em junho de 2026, Martinez manifestou publicamente profundo luto e consternação após receber a notícia do trágico falecimento de seu ex-namorado, Oliver Tree, vítima de uma colisão aérea de helicópteros ocorrida na Zona Oeste do Rio de Janeiro, no Brasil.
Em 2012, Martinez participou na terceira temporada do concurso de talentos estadunidense The Voice, da NBC, na esperança de desenvolver e melhorar suas habilidades musicais. A rede de televisão transmitiu o episódio de sua audição em 17 de setembro daquele ano. Martinez se apresentou nas audições às cegas cantando uma versão em jazz de "Toxic", uma canção de Britney Spears. Ao final de sua performance, três dos quatro treinadores - Adam Levine, Blake Shelton e Cee Lo Green - haviam virado suas cadeiras. Ela foi elogiada por sua versão "anormal" da canção. Comparando Melanie com Björk, Levine chamou a apresentação de "incrível" e, embora Shelton e Green tenham tentado leva-la para sua equipe, afirmando que ela agiu como uma "artista exclusiva que não soa como alguém mais", Melanie escolheu Levine para ser seu treinador. Antes de se juntar a equipe de Levine, a cantora disse que queria fazer parte de um time que a deixará se expressar criativamente e ser ela mesma. Sua versão de "Toxic" entrou nas cem melhores posições gerais e nas dez melhores posições das listas alternativas do iTunes Store.