Matheus Nachtergaele OMC (São Paulo, 3 de janeiro de 1968) é um ator, diretor e autor brasileiro. Nachtergaele é ganhador de vários prêmios, incluindo cinco Prêmios APCA, três vezes o Grande Otelo, dois Prêmios Guarani e três Prêmios Qualidade Brasil, além de ter sido laureado em diversos festivais de cinema nacionais e internacionais e concorrer a dois prêmios no tradicional Festival de Cannes.
Nachtergaele iniciou sua carreira artística no início da década de 1990 após passar pelo renomado curso da Escola de Arte Dramática da USP. Sua estreia nos palcos ocorrera em Paraíso Perdido (1992) com a companhia Teatro da Vertigem, mas foi em Livro de Jó (1995) que ganhou reconhecimento crítico por sua atuação, chegando a ser premiado com Troféu APCA. Seu sucesso nos palcos logo o levou à televisão, onde despontou como a travesti Cintura Fina na minissérie Hilda Furacão (1998), personagem polêmico e emblemático, sendo muito elogiado pela crítica. Posteriormente, atuou nas minisséries A Muralha (2000) e Pastores da Noite (2002), até fazer sua estreia em telenovelas, como o pai-de-santo maranhense Helinho em Da Cor do Pecado (2004) e o peão de rodeio Carreirinha em América (2005), recebendo novamente elogios do público e da crítica especializada.
Nos cinemas, iniciou a carreira artística no final da década de 1990, destacando-se em duas obras indiadas ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro: O Que É Isso, Companheiro? (1997) e Central do Brasil (1998). Foi convidado para interpretar o protagonista João Grilo na minissérie O Auto da Compadecida (1999), que posteriormente fora transformada em filme e relançada em 2000, conquistando prêmios e elogios por parte da crítica e do próprio autor da obra Ariano Suassuna. Posteriormente, voltou à se destacar em Cidade de Deus (2002), Amarelo Manga (2002), A Concepção (2005), Tapete Vermelho (2006), O Bem-Amado (2010), Febre do Rato (2011), Serra Pelada (2013), Trinta (2014), Cabras da Peste (2021) e O Auto da Compadecida 2 (2024).
Matheus fez sua estreia como cineasta no seu primeiro longa-metragem, A Festa da Menina Morta, de 2008, pelo qual concorreu a prêmios no Festival de Cannes, na França, e ganhou dois Prêmios APCA. Em telenovelas mais recentes, teve destaque como o profeta Miguézim em Cordel Encantado (2011), o engraçado Seu Encolheu em Saramandaia (2013) e o apaixonado Norberto em Renascer (2024).
Família e formação profissional
Nascido em São Paulo em 3 de janeiro de 1968, Matheus Nachtergaele é filho de belgas da classe média alta paulistana. Quando tinha apenas três meses de idade, perdeu sua mãe, Maria Cecília, que suicidou-se, aos 22 anos. Nachtergaele obteve conhecimento de que sua mãe havia tirado a própria vida apenas na adolescência, aos dezesseis anos, quando seu pai o apresentou uma pasta com dezenas de poemas escritos por Maria Cecília, que era poetisa e musicista.
Aos vinte anos de idade, ingressou no teatro. Em 1989, a convite de uma amiga, fez um teste para a companhia do diretor teatral Antunes Filho e foi aprovado. Anteriormente, cursava Belas Artes e Antunes o despertou para a atuação. Aos vinte e dois anos, entrou para a Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (EAD USP), formando-se em 1991. Ganhou notoriedade em 1992 com a companhia Teatro da Vertigem, sob a direção de Antonio Araújo, e teve seu trabalho reconhecido por sua atuação no premiado espetáculo da companhia Livro de Jó.
Primeiros trabalhos e reconhecimento da crítica (1992—1999)
Em 1992, Nachtergaele fez sua estreia no teatro profissional com a peça Paraíso Perdido, de Sérgio Carvalho, com a companhia Teatro da Vertigem, onde ele encenou o Anjo Caído. Anos mais tarde, em 1995, veio o reconhecimento da crítica com a encenação de Livro de Jó, com a mesma companhia, dessa vez sob a direção de Antônio Araújo, onde interpretou Jó, um homem temente a Deus que fica à mercê de um jogo entre a Deus e Satanás. Pelo seu personagem, foi agraciado com o Troféu APCA de Melhor Ator em Teatro, o Prêmio Shell de Melhor Ator e o Troféu Mambembe pela melhor performance teatral. Seu sucesso na peça Livro de Jó logo o levou à televisão, onde fez sua estreia com participações no seriado A Comédia da Vida Privada, da TV Globo, atuando nos episódios "Anchietando", onde interpretou um militante universitário, e "A Voz do Coração", no papel de um taxista que revela-se um grande talento musical, ambos exibidos em 1997.
Em 1997, fez sua estreia no cinema atuando no drama histórico Anahy de las Misiones, dirigido por Sérgio Silva, no papel de Manoel, um revoltoso que junta à família de Anahy (Araci Esteves), uma andarilha que viaja pelos campos de batalha do Rio Grande do Sul durante a Guerra dos Farrapos, saqueando os mortos e negociando os achados com os soldados sobreviventes. No mesmo ano, teve seu talento reconhecido no drama O Que É Isso, Companheiro?, de Bruno Barreto, filme indicado ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, interpretando Jonas, um dos guerrilheiros envolvidos na história verídica do sequestro do embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Charles Burke Elbrick, em 1968. Matheus foi elogiado pela sua atuação no filme e foi eleito Melhor Ator Coadjuvante no 3° Prêmio Guarani de Cinema, organizado pela crítica cinematográfica brasileira.
No ano seguinte, progrediu sua carreira no cinema atuando novamente em um filme indicado ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, o clássico drama Central do Brasil, dirigido por Walter Salles e estrelado por Fernanda Montenegro (pelo qual tornou-se a primeira brasileira indicada ao Óscar de Melhor Atriz), interpretando Isaías, um dos irmãos do menino Josué (Vinícius de Oliveira). Colhendo os frutos de seu trabalho no cinema, ele foi novamente reconhecido pela crítica por sua interpretação como Pedro no filme Kenoma (1998), de Eliane Caffé, recebendo seu segundo Prêmio Guarani como Melhor Ator Coadjuvante.
Nachtergaele adquiriu maior notoriedade na televisão apenas em 1998, quando atuou na minissérie Hilda Furacão como Cintura Fina, papel que rendeu a ele seu segundo Troféu APCA, dessa vez pela performance como Melhor Ator Revelação em Televisão. O sucesso da personagem, que no início foi temida pelo ator por conta da discriminação, o levou a atuação como protagonista na minissérie O Auto da Compadecida, em 1999, baseado na obra de Ariano Suassuna, no papel de João Grilo, sucesso popular que logo tornou-se seu trabalho mais conhecido da carreira. Ainda neste ano, o ator voltou aos cinemas novamente sob a direção de Walter Salles no suspense O Primeiro Dia, também dirigido por Daniela Thomas, que se passa na virada de ano para o início de 2000. Interpretando Francisco no filme, tornou-se o primeiro ator a vencer o Grande Otelo de Melhor Ator, concedido pela Academia Brasileira de Cinema, além de ser pela terceira vez indicado ao Guarani de Melhor Ator Coadjuvante.
Grandes sucessos populares (2000—2005)
Em 2000, estreia no cinema O Auto da Compadecida, filme dirigido por Guel Arraes adaptado da minissérie exibida no ano anterior, onde ele ressurge no papel de João Grilo. O filme logo se tornou uma febre e foi o mais assistido do ano, superando dois milhões de espectadores, e foi recebido com críticas positivas, frequentemente mencionado como um dos melhores filmes nacionais já feitos. Além do sucesso de público, Nachtergaele teve mais uma vez sua interpretação elogiado e ele ganhou pelo segundo ano consecutivo o Grande Otelo de Melhor Ator, além de ter recebido seu terceiro Troféu APCA, agora como Melhor Ator de Cinema, e o prêmio de Melhor Ator no Festival Internacional de Cinema de Vinã del Mar.
Ainda em 2000, retorna à televisão na minissérie de drama histórico A Muralha, que remonta os tempos coloniais do Brasil, onde interpretou Padre Miguel. Em 2001, pôde ser visto no filme de suspense Bufo & Spallanzani, dirigido por Flávio Ramos Tambellini, em uma participação especial como bandido Agenor, contratado para atrapalhar as investigações do mistério que sustenta o filme. No mesmo ano, destaca-se no elenco principal da minissérie Os Maias, da TV Globo, no papel de Teodorico Raposo, um dos amigos do protagonista Carlos Eduardo da Maia, interpretado por Fábio Assunção.