O massacre de Janaúba foi um massacre escolar ocorrido no dia 5 de outubro de 2017, em uma creche municipal no município de Janaúba, no estado brasileiro de Minas Gerais. O vigilante noturno do Centro Municipal de Educação Infantil Gente Inocente, no bairro Rio Novo, ateou fogo em si mesmo, em funcionárias e em várias crianças, o que causou várias mortes e muitos feridos.
O massacre de Realengo foi o massacre escolar mais mortífero do Brasil, mas, no dia 4 de dezembro de 2017, quando o número de mortos subiu para 13, o massacre de Janaúba conseguiu superar e se tornar o massacre escolar mais mortífero do país. O massacre de Janaúba ocorreu 15 dias antes de outro atentado ocorrido em uma instituição, no Colégio Goyases, que resultou em seis vítimas, duas delas fatais.
O Centro Municipal de Educação Infantil Gente Inocente é uma escola primária, localizada no bairro Rio Novo, Janaúba, Minas Gerais, Brasil. A creche foi construída em 2000 e não tinha extintor, sistema anti-fogo e nem alvará do Corpo de Bombeiros. A creche tinha capacidade de ter 82 crianças na instituição. 75 crianças dos bairros Rio Novo e Barbosas estudavam na instituição. Uma das professoras da instituição era Heley de Abreu Silva Batista, que lecionava na instituição desde 2016 e lutava pela inclusão dos alunos com deficiência.
Por volta das 9h30, o vigia noturno de 50 anos, Damião Soares dos Santos, se dirigiu de motocicleta ao Centro Municipal de Educação Infantil Gente Inocente, localizado no Bairro Rio Novo, Janaúba, Minas Gerais, Brasil. Com uma mochila rosa nas costas que carregava galões cheios de gasolina.
Ao chegar no local, uma das funcionárias estranhou a chegada de Soares na instituição. No momento, havia cerca de 92 pessoas, sendo 75 crianças de 2 a 7 anos de idade. Mas Soares disse que entregaria um atestado médico.
Conseguindo ter acesso ao local, Soares se dirigiu à cozinha, jogou gasolina no local e ateou fogo, atingindo uma funcionária que rapidamente correu e gritou por socorro. Soares se dirigiu a uma sala de recreação, onde estavam crianças, a diretora e uma professora local, Heley de Abreu Silva Batista, 43. A sala era de teto em PVC, material escolar inflamável e janelas fechadas por grades, se cobrindo pelas labaredas. O que facilitou a expansão rápida do fogo. Soares jogou gasolina na professora, em si mesmo e nas crianças, mas antes de atear fogo. Soares disse às crianças: "Eu vou dar picolés a vocês", antes de iniciar o incêndio. Soares havia trancado três salas da instituição para tacar fogo, onde havia cerca de 55 a 60 pessoas.
Por causa de a creche não ter extintor ou algum objeto anti-incêndio, dificultou-se conter o fogo. A diretora conseguiu fugir antes que fosse atingida e o incêndio se iniciou, tomando conta da sala, brinquedos e livros. Durante o incêndio, Soares começou a abraçar as crianças, enquanto estava em chamas.
Segundo testemunhas, a professora Heley de Abreu Silva Batista, ao perceber o incêndio, imediatamente começou a correr para salvar as crianças, tirando-as da sala, onde ocorria o incêndio, pela janela que dava acesso ao corredor. Mas quando Abreu percebeu que Soares estava com mais gasolina, tentou impedir ele de incendiar as vítimas. Batista foi alcançada e lutou contra Soares nas chamas, mas acabou desmaiando por conta das queimaduras e não conseguiu salvar mais crianças. A professora acabou tendo 90% do corpo queimado. Abreu havia entrado e saído da creche três vezes e conseguiu salvar cerca de 25 crianças e impedir que o ataque não fosse pior e tivesse mais vítimas fatais do que teve na realidade. A auxiliar, Geni Oliveira Lopes Martins, 63, também tentou ajudar as vítimas do incêndio e acabou ficando com ferimentos graves.
No ataque, quatro estudantes de 4 anos faleceram no local e mais de 40 pessoas ficaram feridas, muitas delas em estado grave.
Enquanto o incêndio ocorria, um pedreiro, Lourival Pereira da Silva, 47, percebeu que o portão estava trancado com um cadeado. Utilizou uma torquês para abrir o cadeado e conseguir ter acesso ao local. As pessoas começaram a correr desesperadas para dentro da instituição para conter o fogo, policiais e cidadãos entraram com camisas amarradas no rosto e utilizando baldes d'água para diminuir o fogo. Muitas mulheres choravam ao ver a cena. Em um vídeo, foi possível escutar um falando: "Vê a água, vê a água na mangueira!", e depois "Está saindo água da mangueira?".
Mais tarde, o autor do ataque foi identificado como Damião Soares dos Santos (nascido em 21 de maio de 1967, Porteirinha, MG, e morreu em 5 de outubro de 2017, Janaúba, MG). Soares era o vigia noturno da creche atacada, ele era filho caçula de sete mulheres e quatro homens, além de ter nascido gêmeo com um dos irmãos, Cosme. Ele vendia picolés para si mesmo e para outras crianças. De acordo com sua irmã, Maria Alexandrina dos Reis Santos, 59, ele fazia parte de uma família humilde, unida, trabalhadora e de "coração bom". Moradores descreveram Soares como uma pessoa "reservada" e que não conversa tanto, mas outros, como os vizinhos de Soares, o descreveram como trabalhador, prestativo e educado.
Soares era funcionário efetivo da prefeitura desde 2008 e, de acordo com o prefeito da cidade, Carlos Isaildon Mendes, Soares nunca apresentou algum comportamento semelhante ao crime que cometeu. Soares estava afastado da creche desde julho do mesmo ano. Estando de férias e depois com problemas psiquiátricos. Em 2014, Soares procurou o Ministério Público Estadual, que o encaminhou para o Centro de Atenção Psicossocial de Janaúba (Caps).
Soares nunca casou e teve filhos, sempre morava há anos em uma casa com dois cômodos, que aparentemente estava suja e parecia estar abandonada. Mas Soares teve uma namorada que engravidou de outro homem. Em suas redes sociais, Soares parecia um ser solidário e pacífico. Em sua última postagem, Soares postou: "Se alguém duvidar, visita minha família." Eu fazia de tudo para ajudar, nunca fiz mal a ninguém". Escreveu no dia 2 de outubro, às 9h54, o perfil de Soares tinha mensagens confusas e desconexas. Na tarde do ataque, sua conta foi excluída.
O ataque ocorrido no dia 5 de outubro foi cometido no mesmo dia em que completou três anos da morte do pai de Soares, Patrocínio Soares dos Santos, 81. O motivo das desavenças de Soares e sua família. Assim que a morte do seu pai ocorreu, Soares passou a morar sozinho em sua casa, ficando mais desconfiado de que sua família queria prejudicá-lo. Principalmente de sua mãe, de 83 anos na época do ataque, achando que ela tinha intenção de envenená-lo. Mas, nos últimos dias, Soares se aproximou da família e, na véspera do ataque, dormiu na casa dela.
A polícia encontrou galões de gasolina em sua casa e, dois dias antes do incêndio, ele falou à família que iria morrer e que iria dar aquele "presente" aos parentes. Nas buscas realizadas no imóvel, os agentes da Polícia Civil encontraram anotações com textos confusos e pouco concatenados, contendo referências ao Estatuto da Criança e do Adolescente. Uma nota da Polícia Civil chegou a falar que o vigia era "obcecado por crianças".
Soares tinha comprado as gasolinas usadas no ataque três dias antes do ataque. O delegado Ricardo Nunes Henriques, chefe do 11º Departamento da Polícia Civil, diz que o crime não foi um surto e Soares tinha noção e havia premeditado o crime. Soares trabalhava 12 por 36 horas e sofria de delírio persecutório, sentindo que era perseguido por alguém.
Cinquenta e uma pessoas foram atingidas no ataque, entre elas, 44 crianças e seis adultos, incluindo o próprio vigia que incendiou a creche. Foram levadas aos hospitais de Janaúba, mas pela cidade ter poucos recursos e rapidamente se esgotarem para atender dezenas de casos de queimaduras. As prefeituras de Montes Claros e Belo Horizonte se uniram para ajudar as vítimas feridas. Os médicos que atenderam as vítimas do incêndio da Boate Kiss, em janeiro de 2013, ajudaram as vítimas do ataque. O Centro Integrado de Atendimentos às Vítimas de Acidentes, do Hospital Universitário de Santa Maria, ajudou por telefone. Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre (RS) enviou lotes de pele para os hospitais de Janaúba para as vítimas. Banco de Pele da Universidade Federal do Ceará (UFC) também enviou lotes de pele para as vítimas do incêndio. Parte dos feridos teve o quadro agravado pela inalação de fumaça. Algumas vítimas foram transferidas para a Santa Casa de Montes Claros, a cerca de 130 km de Janaúba. As vítimas com queimaduras mais graves foram transferidas, utilizando-se aeronaves, para o Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, a cerca de 550 km, que tem atendimento especializado em queimaduras.