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Mary Somerville

Cientista escocesa

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Mary Fairfax Somerville (Jedburgh, 26 de dezembro de 1780 — Nápoles, 28 de novembro de 1872) foi uma cientista e escritora científica escocesa. Estudou matemática e astronomia, tendo sido a primeira mulher nomeada para a Royal Astronomical Society junto de Caroline Herschel.

Quando John Stuart Mill, filósofo e economista, organizou uma grande petição ao Parlamento para estender às mulheres o direito ao voto, a assinatura de Mary era a primeira. Foi eleita pelo jornal Morning Post como "a rainha da ciência do século XIX".

Mary nasceu na mansão da família em Jedburgo, nas fronteiras escocesas, em 1780. A residência era de propriedade de sua tia por parte de mãe, esposa do ministro Thomas Somerville. Era filha do vice-almirante da Marinha Real Sir William George Fairfax. Pela família da mãe, estava ligada a várias proeminentes casas escocesas.

Passou sua infância em Burntisland, perto da costa. Aprendeu a ler e a fazer constas por insistência do pai. Com dez anos de idade foi mandada por um ano para uma escola em Musselburgh, uma instituição bastante cara para a época. Mary aprendeu a ler e escrever um pouco de francês e gramática inglesa nessa época.

Em sua autobiografia, Mary escreveu:

Nos dias de tempo ruim, Mary se ocupava de ler os livros de seu pai na biblioteca, incluindo Shakespeare, além de cumprir tarefas domésticas. Sua tia Janet foi morar com a família e uma vez disse à mãe de Mary que ela não devia deixar a filha perder seu tempo lendo, pois ela não deveria querer ser mais do que um homem. Assim, ela foi enviada para uma escola na vila para aprender a trabalhar com trabalhos manuais e agulhas. Mary se ressentiu pelo fato de ler ser algo tão condenado e que era injusto dar às mulheres o desejo de adquirir conhecimento se eles mesmos consideravam errado adquiri-lo.

O diretor da escola da vila ia na casa da família várias manhãs na semana para ensinar Mary. Em sua autobiografia, Mary lembra que enquanto os garotos aprendiam latim, mas eles acreditavam que para as mulheres bastava aprender a ler para ler a Bíblia e poucas mulheres aprendiam a escrever.

Aos 13 anos, sua mãe a enviou para Edimburgo, para aprender a escrever, durante os meses do inverno, onde ela aproveitou para melhorar sua letra e compreensão das palavras, além de estudar as regras básicas da aritmética. De volta a Burntisland, ela estudou latim sozinha e logo já estava lendo os livros da casa. Enquanto visitava sua tia, Mary conheceu o ministro Thomas Somerville e comentou com ele que vinha tentando aprender latim. Ele lhe garantiu que, na Antiguidade, muitas mulheres eram acadêmicas e assim ele a ensinou o que sabia de latim a partir das obras de Virgílio. De volta a Edimburgo, foi enviada para uma escola de etiqueta, para aprender boas maneiras. Enquanto na capital, ela acompanhava seus tios em visitas, como na casa da família Lyell, em Kinnordy. Foi lá que ela conheceu o famoso geólogo Charles Lyell e dele se tornou amiga.

Com os ideias da Revolução Francesa circulando por toda a Europa e convivendo com as ideias liberais do pai, Mary se ressentia e se revoltava contra a opressão, a tirania e a injustiça no mundo que negava às mulheres os privilégios da educação formal apenas por serem mulheres.

Nos meses de verão, Mary teve acesso a livros básicos sobre álgebra e geometria. Passou parte de seus dias aprendendo a tocar piano e grego, tanto que em breve estaria lendo as obras de Heródoto e Xenofonte. Em Edimburgo, foi-lhe permitido entrar na escola de Alexander Nasmyth, que agora tinha vagas para moças. Vendo que um aluno tinha sido orientado por Alexander a estudar os elementos euclidianos para entender os fundamentos da mecânica e astronomia, Mary não desperdiçou a oportunidade e passou a estudar o mesmo livro do colega para ajudá-la a entender o livro "Navigations", do matemático John Robertson.

Para a família e para a sociedade escocesa, Mary era uma filha educada, polida, que ia aos eventos e mantinha uma postura delicada e suave entre as proeminentes damas da época. Na casa da família, um tutor foi contratado para dar aulas ao irmão mais novo de Mary, Henry. O tutor ensinava grego e latim ao garoto e ela pediu-lhe que comprasse livros básicos de álgebra e geometria. Ele lhe trouxe Elementos, de Euclides, e Álgebra de John Bonnycastle. Mary estudava piano desde a manhã, pintava durante o dia e ainda ficava acordada até tarde estudando Euclides e álgebra. A primeira vez que Mary viu um laboratório foi na residência de Claud Irvine Boswell, Lorde Balmuto. Mary também passou algum tempo com a família Oswald, cuja filha, Elizabeth Oswald, era uma exímia amazona, que se tornaria versada em latim e grego.

Os invernos da família eram, em geral, passados em Edimburgo. No outono de 1797, seu pai venceu a Batalha de Camperdown contra os holandeses e foi feito cavaleiro e coronel dos fuzileiros navais. O irmão mais velho de Mary morreu aos 20 anos, em Calcutá, enquanto servia na Companhia Britânica das Índias Orientais.

Mary conheceu seu primeiro marido em 1804, Samuel Creig, seu primo distante. Ele era comissário da Marinha russa e cônsul russo na Inglaterra. O casal teve dois filhos, um deles, Woronzow Greig, tornaria-se advogado e cientista. A família morava em Londres, mas esta não foi uma boa época para Mary. Apesar de poder continuar seus estudos, seu marido não acreditava que mulheres tivessem capacidade para interesses acadêmicos. Samuel nutria um preconceito bastante comum para a época. Mary teve aulas de francês nessa época, pouco antes da morte do marido, em 1807, enquanto ela ainda se recuperava do nascimento do filho mais novo. Desta forma, viúva e com duas crianças, Mary voltou para a Escócia.

Com seu retorno, ela também retomou os estudos na matemática, quando começou a estudar trigonometria, seções cônicas e o livro do astrônomo escocês James Ferguson, Astronomy. Ela também leu a obra de Isaac Newton, Princípios Matemáticos da Filosofia Natural. Sem a influência do preconceito do marido, Mary pode, finalmente, prosseguir com seus interesses intelectuais. O professor de filosofia natural da Universidade de Edimburgo, John Playfair, muito a incentivou em seus estudos e Mary trocava correspondências constantemente com o matemático William Wallace, com quem discutia vários problemas matemáticos. Mary passou a resolver vários deles, publicados no periódico de matemática da Real Academia Militar de Sandhurst e ganhou notoriedade quando resolveu o problema da equação diofantina, pela qual recebeu uma medalha de prata em 1811.

Wallace sugeriu que Mary estudasse os escritos do matemático francês Pierre-Simon Laplace, que resumiu a teoria da gravidade e recolheu os resultados matemáticos que foram estabelecidos nos 50 anos desde a publicação da "Princípios", de Newton. Foi o trabalho sobre os estudos de Laplace que deram à Mary a confiança para prosseguir na ciência.

Seus estudos se estenderam para a astronomia, química, geografia, microscopia, magnetismo e eletricidade. Aos 33 anos, Mary comprou uma biblioteca de livros científicos, com títulos como Elements of Mechanics, de Louis-Benjamin Francœur; Calculus Treatise, de Jean-Baptiste Biot; Algebra, de Sylvestre François Lacroix; Analytical Geometry and Astronomy, de Siméon Denis Poisson; Treatise on Mechanics, de Joseph-Louis Lagrange; Theory of Analytical Functions, de Leonhard Euler; Logarithmus, de François Callet e Application of Analysis to Geometry, de Gaspard Monge.

Em suas memórias, Mary comenta que a matemática andava em baixa na Grã-Bretanha, pois a reverência pelos feitos e teorias de Isaac Newton impediu que os cientistas locais adotassem o cálculo, enquanto fora do país, a ciência vinha se aperfeiçoando a cada dia. Tal bloqueio, para Mary, só foi quebrado em 1816 quando Charles Babbage, John Herschel e George Peacock publicaram a tradução dos trabalhos de Lacroix, considerado na época a obra-prima entre os livros de cálculo. Foi também nessa época que Mary conheceu vários intelectuais da sociedade escocesa, como Henry Brougham, 1º Barão de Brougham e Vaux.

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