Martin Gardner (21 de outubro de 1914 — 22 de maio de 2010) foi um escritor de matemática recreacional e literatura de divulgação científica e matemática, mas com interesses que englobavam micromágica (prestidigitação), ilusionismo, literatura em especial os trabalhos de Lewis Carroll e G. K. Chesterton, filosofia, ceticismo científico, pseudociência e religião. Ele escrevia a coluna Mathematical Games para a revista Scientific American de 1956 a 1981 e a coluna Notes of a Fringe-Watcher para a revista Skeptical Inquirer de 1983 a 2002 e publicou mais de 100 livros.
Gardner era filho de um geólogo de petróleo, e cresceu em Tulsa, Oklahoma. Desde pequeno ele demonstrou interesses em quebra cabeças e jogos e o seu melhor amigo de infância, John Bennett Shaw, depois se tornou "um dos maiores colecionadores de artigos de Sherlock Holmes". Ele foi aluno da Universidade de Chicago onde se formou em bacharel de filosofia em 1936. Alguns dos seus primeiros empregos foram o de repórter do Tulsa Tribune, escritor nos escritórios de relações com a imprensa da Universidade de Chicago e voluntário para a Administração de Auxílio da região Black Belt em Chicago (um gueto composto por favelas e cortiços). Durante a Segunda Guerra, ele serviu por quatro anos na Marinha dos Estados Unidos como marinheiro em serviços administrativos a bordo do destroier de acompanhamento USS Pope no Atlântico. Seu navio ainda estava no Atlântico quando a guerra terminou após a rendição dos japoneses em agosto de 1945.
Após a guerra, Gardner voltou para a Universidade de Chicago. Em 1950 ele publicou um artigo na Antioch Review chamado "The Hermit Scientist, (O Heremita )" um trabalho pioneiro do que explicava o que mais tarde se começou a chamar de pseudocientistas.
Foi a primeira publicação de natureza cética de Gardner e dois anos depois ela foi publicada em uma versão muito mais volumosa no livro: In the Name of Science ("Em nome da Ciência"), seu primeiro livro.
No início dos anos 50, Garner se mudou para Nova Iorque e se tornou um escritor e designer na revista Humpty Dumpty onde por oito anos ele escreveu artigos e histórias para outras revistas infantis. Seus quebra cabeças de dobraduras de papel (publicação irmã da Children's Digest na época e agora publicação irmã da revista Jack and Jill) levaram ao seu primeiro trabalho para a Scientific American. Por muitas décadas, Gardener e sua esposa Charlotte e seus dois filhos viveram em Hastings-on-Hudson, Nova Iorque, onde ele ganhava sua como um autor independente, publicando livros com diversas editoras diferentes, e também escrevendo para centenas de revistas e artigos de jornais. Apropriadamente dado o seu interesse por lógica e matemática ele vivia na Avenida Euclid. No ano de 1960 foi lançada a edição do seu maior best seller de todos os tempos, Alice Edição Comentada, tendo sido publicado em várias edições das quais ele vendeu mais de um milhão de cópias em diversas línguas.
Por mais de um quarto de século (1956-1981), Gardner escreveu uma coluna com o assunto "divertimento matemático" (recreational mathematics) para a revista Scientific American. Tudo começou com o seu único artigo publicado na revista hexaflexagon que saiu na edição de dezembro de 1956. O editor da Scientific American sugeriu que ele escrevesse uma coluna periódica chamada Mathematical Games (Jogos Matemáticos). Essas colunas foram pela primeira vez editadas em um livro em 1959 com o nome de The Scientific American Book of Mathematical Puzzles and Diversions (O livro de quebra-cabeças e divertimentos da Scientific American). Outros 14 livros foram publicados nas quatro décadas seguintes. Em 1980 a coluna passou a ser esporádica. Outros autores começaram a escrever para coluna e em maio de 1986 a coluna deixou de ser publicada. Em 1979 Gardner e sua mulher se aposentaram (pelo menos em parte) e se mudaram para Hendersonville na Carolina do Norte.
Gardner era notoriamente tímido e se recusou a aceitar muitas homenagens quando ele descobria que ele precisaria estar presente para receber o prêmio. (Ele disse uma vez a Colm Mulcahy que ele "nunca dava palestras em sua vida se ele não soubesse como") Entretanto, em 1993 em Atlanta, Georgia o colecionador de quebra-cabeças Tom Rodgers convenceu Gardner a comparecer a uma tarde dedicada a resolução dos quebra-cabeças dele. A reunião teve uma segunda edição com a presença de Gardner, o que convenceu a Rodgers e seus amigos a transformá-la em um evento periódico. Ela tem se realizado em anos alternados, próximo a Atlanta, e o programa consiste em qualquer assunto que tenha sido de interesse de Gardner durante o seu período como escritor. Esse evento é chamado "Gathering for Gardner", e é abreviado como "G4Gx" onde x é o número do evento. Por exemplo, em 2010 o evento se chamou G4G9, mas Gardner só compareceu aos eventos de 1993 e 1996.
A esposa de Gardner morreu em 2000 e dois anos depois ele voltou para Norman em Oklahoma onde seu filho, James Gardner, era professor na Universidade de Oklahoma. Ele morreu em 22 de maio de 2010.
Martin Gardner manteve um interesse muito grande nos divertimentos matemáticos nos EUA através de suas publicações por boa parte do século XX. Ele é muito conhecido por seus esforços de décadas em popularizar a matemática e jornalismo científico, particularmente através da sua coluna "Mathematical Games" (Jogos Matemáticos) na revista Scientific American.
Ironicamente, Gardner tinha dificuldade para aprender cálculo e nunca mais estudou matemática depois do ensino médio. Ele era um editor da revista infantil Humpty Dumpty para crianças pequenas quando em 1956 o editor da Scientific American lhe convidou para que ele começasse a escrever uma coluna sobre divertimentos matemáticos, logo depois que ele publicou o seu artigo sobre flexágonos.
A coluna "Mathematical Games" (Jogos Matemáticos) de 1956 a 1981 foi em vários casos a introdução de diversos assuntos para um maior público incluindo:
O Jogo da Vida de John Horton Conway
Ojogo de tabuleiro "Nash"(por causa de John Nash, também chamado de "Hex", criado por Piet Hein e John Forbes Nash
Criptoanálise/Criptografia de chave pública/decifrando o alçapão/o desafio criptográfico RSA-129
Muitos desses artigos foram agrupados em uma série de livros que começaram com Mathematical Puzzles and Diversions (Divertimentos Matemáticos e Quebra-Cabeças), com a primeira edição em 1956.
Com a saída de Gardner em 1981 da Scientific American, a coluna passou a ser escrita por Douglas Hofstadter intitulada "Metamagical Themas", um nome que é uma anagrama de "Mathematical Games". Gardner nunca se aposentou como autor, mas continuou sua pesquisa literária e escrever, em especial atualizando muitos dos seus antigos livros, como o Origami, Eleusis, and the Soma Cube, ISBN 978-0-521-73524-7, publicado em 2008.
Gardner também escreveu um "conto de quebra-cabeças" para a revista Asimov's Science Fiction (publicada de 1977-1986), produzido 111 colunas no total.
As atitudes inflexíveis de Gardner para combater a pseudociência fizeram dele um dos mais conhecidos polemista antipseudociência do século XX. Em seu livro Fads and Fallacies in the Name of Science (Modas e Falácias em Nome da Ciência de 1952, revisado em 1957) foi um trabalho clássico que ajudou a iniciar o movimento cético. Ele explora uma miríade de alegações dúbias e projetos incluindo Fletcherismo (a crença em mastigar a comida e líquidos muitas vezes é saudável), criacionismo, dietas da moda, Charles Fort, Rudolf Steiner, Cientologia, Dianética, Óvnis, Radiestesia, Percepção extrassensorial, o Bates method (Método de Beates), e a Telecinésia. Esse livro e seu livro seguintes (Science: Good, Bad and Bogus - Ciência: Bom, Ruim e Fraudulento, 1981; Order and Surprise, 1983, Gardner's Whys & Wherefores, 1989, etc.) deram a ele um grande conjunto de detratores das "ciências marginais" e Filosofia da Nova Era, com os quais ele manteve diálogos públicos e privados por décadas.