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Marshall Applewhite

Líder religioso norte-americano

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Marshall Herff Applewhite Jr. (Spur, 17 de maio de 1931 – Rancho Santa Fe, 26 de março de 1997), também conhecido como Do, entre outros nomes, foi um líder religioso norte-americano fundador da seita Heaven's Gate e o responsável por organizar um suicídio coletivo em 1997 - o mais numeroso da história ocorrido em seu país natal.

Natural do Texas, Applewhite frequentou várias universidades e, na juventude, serviu no Exército dos Estados Unidos. Após concluir a Faculdade de Austin deu aulas de música na Universidade do Alabama. Mais tarde regressou ao seu estado natal onde liderou coros e atuou como presidente do departamento de música da Universidade de St. Thomas, em Houston. Ele abandonou a universidade em 1970, alegando confusões emocionais. A morte de seu pai, um ano depois, provocou uma grave depressão. Em 1972 desenvolveu uma íntima amizade com Bonnie Nettles, uma enfermeira - juntos, discutiram longamente o misticismo e concluíram que eram considerados mensageiros divinos. Após operarem uma livraria por um curto período, começaram a viajar pelo país para propagar seus ideais, porém, converteram apenas uma pessoa. Em 1975 Applewhite foi preso por não devolver um carro alugado cumprindo seis meses de reclusão. Na prisão desenvolveu sua teologia.

Depois de sua libertação Applewhite viajou para a Califórnia e Oregon com Nettles ganhando um grupo de seguidores devotos. A dupla disse a seus seguidores que seriam visitados por extraterrestres que lhes dariam novos corpos. Em princípio Applewhite declarou que seus seguidores e ele ascenderiam fisicamente a uma nave especial, onde seus corpos seriam transformados. Contudo, mais tarde, começou a proclamar que seus corpos eram meros recipientes de suas almas, que mais tarde seriam recolocadas em novos corpos. Essas ideias foram expressas com linguagem extraída da escatologia cristã do movimento New age e da cultura popular norte-americana.

No final da década de 1970 o grupo recebeu numerosos recursos financeiros que foram usados para pagar habitação e outras despesas. A morte de Nettles em 1985 deixou Applewhite perturbado e desafiando seus pontos de vista sobre a ascensão física. No início da década de 1990 o grupo fez um esforço maior para promover sua teologia. Em 1996 descobriram a aproximação do cometa Hale-Bopp com a Terra e iniciaram o rumor de uma nave espacial que o acompanhava. Eles concluíram que essa nave espacial era o transporte que levaria seus espíritos para uma viagem a outro planeta e, por consequência dessa crença, os membros do grupo cometeram suicídio coletivo em sua mansão. Depois da descoberta dos corpos os meios de comunicação voltaram suas atenções para a seita. Com o decorrer dos anos comentaristas e acadêmicos discutiram como Applewhite convenceu as pessoas a seguirem seus comandos, incluindo o suicídio. Alguns comentaristas atribuíram a disposição de seus seguidores de morrer à sua habilidade como manipulador enquanto outros argumentaram que sua disposição se devia à fé na narrativa que ele construiu.

Marshall Herff Applewhite Jr. nasceu na cidade de Spur, no Texas, em 17 de maio de 1931. Seus pais eram Marshall Herff Applewhite, Sr. e Louise Applewhite; além dele, o casal tinha mais três filhos. Dado que seu pai era ministro presbiteriano, Applewhite foi uma criança muito religiosa, e frequentou a Escola Secundária de Corpus Christi e o Colégio Austin. Nesta última, atuou em várias organizações estudantis e era moderadamente religioso. Ele obteve um diploma de bacharel em filosofia no ano de 1952 e, posteriormente, matriculou-se no Seminário Presbiteriano da União para estudar teologia, na esperança de se tornar ministro. Nessa época, casou-se com Anne Pearce, com quem teve dois filhos, Mark e Lane. Pouco depois de ter começado seus estudos, decidiu abandonar a escola e iniciar uma carreira musical, tornando-se o diretor musical de uma igreja presbiteriana na Carolina do Norte. Ele era um cantor de barítono e gostava do gênero espiritual e da música de Händel. Em 1954, foi convocado pelo Exército dos Estados Unidos e serviu na Áustria e no Novo México como membro do Signal Corps. Deixou as forças armadas em 1956 e se matriculou na Universidade do Colorado, na qual obteve um mestrado em música, com especialização em teatro musical.

Após sua graduação em Colorado, Applewhite se mudou para a cidade de Nova Iorque em uma tentativa sem êxito de iniciar uma carreira como cantor. Mais tarde, começou a dar aulas na Universidade do Alabama; contudo, perdeu seu cargo depois de ter tido uma relação sexual com um estudante. A orientação sexual dele não era aceita por sua educação religiosa, tornando-o um homem frustrado por seus desejos sexuais. O relacionamento de Applewhite acabou quando sua esposa soube do caso, e eles se divorciaram três anos depois.

Depois de deixar a Universidade do Alabama, Applewhite mudou-se para Houston, Texas, em 1965, para ensinar na Universidade de St. Thomas. Seus alunos o consideravam um palestrante envolvente e elegante. Ocupou a direção do departamento de música e também se tornou um cantor popular no local: foi diretor de uma igreja Episcopal e integrou a companhia Houston Grand Opera. No Texas, assumiu sua orientação sexual por um breve período de tempo, mas também manteve um relacionamento com uma jovem, que o deixou sob pressão de sua família, perturbando-o bastante. Ele se demitiu da Universidade de St. Thomas em 1970, alegando depressão e outros problemas emocionais. Robert Balch e David Taylor, sociólogos que estudaram o grupo de Applewhite, especulam que essa partida foi motivada por outro caso entre ele e um estudante. O presidente da universidade mais tarde lembrou que, em seus últimos anos como funcionário, Applewhite muitas vezes se demonstrava desordenado e desorganizado.

Em 1971, Applewhite se mudou brevemente para o Novo México, onde operava um delicatesse. Apesar da popularidade do local, que tinha muitos clientes, decidiu voltar para o Texas no final daquele ano. Seu pai havia falecido nessa época; a perda teve um impacto emocional significativo sobre o filho, resultando em uma grave depressão. Suas dívidas aumentaram, forçando-o a pedir dinheiro emprestado a amigos.

Em 1972, Applewhite conheceu Bonnie Nettles, uma enfermeira interessada em teosofia e profecias bíblicas. Os dois rapidamente se tornaram amigos íntimos; mais tarde, ele expressou seu sentimento de conhecê-la há muito tempo e concluíram que haviam se conhecido em uma vida passada. Nettles disse que o encontro havia sido predito por extraterrestres, convencendo-o de uma designação divina. Naquela época, ele começou a investigar alternativas à doutrina cristã tradicional, incluindo a astrologia. Ele também teve várias visões, incluindo uma na qual lhe disseram que foi escolhido para um papel como o de Jesus. Em seu perfil de 2005 sobre Applewhite, Susan Raine especula que ele teve um episódio esquizofrênico.

Applewhite logo começou a morar com Nettles. Embora eles coabitassem, seu relacionamento não era sexual, cumprindo seu desejo de longa data de ter um relacionamento profundo e amoroso, mas platônico. Ela era casada e tinha dois filhos, mas depois que se aproximou de Applewhite, divorciou-se do seu marido e, por conseguinte, perdeu a custódia de seus filhos. Applewhite também interrompeu permanentemente o contato com sua família. Ele viu Nettles como sua alma gêmea, e alguns de seus conhecidos mais tarde lembraram que ela tinha uma forte influência sobre ele. Raine escreve que Nettles "foi responsável por reforçar suas crenças ilusórias emergentes", mas o psiquiatra Robert Jay Lifton especula que a influência de Nettles o ajudou a evitar mais deterioração psicológica.

Applewhite e Nettles estabeleceram uma livraria conhecida "Christian Arts Center" (em português: "Centro de Artes Cristãs"), que vendia livros relacionados com várias temáticas espíritas. Também inauguraram um centro de ensino conhecido como "Know Place", que oferecia aulas de misticismo e teosofia, no entanto, essas empresas foram fechadas pouco tempo depois. Em fevereiro de 1973, decidiram viajar para ensinar suas crenças para outras pessoas e dirigiram pelo sudoeste e oeste dos Estados Unidos; Lifton descreve essas viagens como uma "jornada espiritual inquieta, intensa, muitas vezes confusa e peripatética". Enquanto viajavam, conviviam com a escassez de dinheiro e, ocasionalmente, recorriam à venda de sangue ou a trabalhos estranhos por recursos financeiros necessários. Eles subsistiam apenas com pães às vezes, constantemente acampados e ocasionalmente não pagavam as contas de hospedagem. Uma de suas amigas de Houston se correspondeu com ambos e concordou em aceitar seus ensinamentos. Eles a visitaram em maio de 1974, e ela se tornou a primeira convertida.

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