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Maringá

Município do estado brasileiro do Paraná

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Maringá é um município brasileiro localizado no estado do Paraná. É a terceira cidade mais populosa do estado, com uma estimativa de 429.660 habitantes em 2025, segundo dados oficiais. Apresenta elevados índices de qualidade de vida, urbanismo e sustentabilidade ambiental, com desempenho destacado em áreas como educação, saneamento básico, mobilidade urbana e segurança pública.

Fundada oficialmente em 10 de maio de 1947, Maringá é uma cidade planejada desenvolvida como parte de um projeto de colonização do norte do Paraná, conduzido pela Companhia de Terras Norte do Paraná, posteriormente rebatizada como Companhia Melhoramentos Norte do Paraná. O nome do município é uma referência à canção “Maringá”, composta por Joubert de Carvalho, e seus habitantes são chamados maringaenses. A cidade é conhecida como Cidade Canção, título oficializado pela Lei Municipal nº 5.945/2002, em alusão à sua relação histórica com a música e a cultura local.

Projetada pelo urbanista Jorge de Macedo Vieira, adepto do conceito de Cidade Jardim proposto por Ebenezer Howard, Maringá apresenta um traçado viário orgânico, com ruas arborizadas, avenidas largas, amplos canteiros e integração com áreas verdes. O município possui um dos maiores índices de área verde per capita do país, com média de 26 m² por habitante, sendo reconhecido pela FAO-ONU e pela Arbor Day Foundation com o título Tree City of the World (“Cidade Árvore do Mundo”), ao lado de cidades como Nova Iorque, Toronto e Paris.

Desde sua fundação, Maringá consolidou-se como um dos principais polos econômicos, educacionais e culturais do interior do Brasil. É sede da Universidade Estadual de Maringá (UEM), instituição pública de ensino superior reconhecida nacionalmente por sua qualidade acadêmica, além de contar com centros universitários privados de destaque, como a UniCesumar, a Uningá e a UniCV. No setor produtivo, o município desempenha papel relevante no agronegócio brasileiro, abrigando a sede da Cocamar, uma das maiores cooperativas agroindustriais do país. No campo cultural, Maringá sedia eventos de abrangência nacional e internacional, como a Festa Literária Internacional de Maringá (FLIM), o Festival de Música Cidade Canção, o Festival Internacional de Corais, o Festival Nipo-Brasileiro e a Prova Rústica Tiradentes.

O nome Maringá tem origem na canção homônima composta em 1931 pelo músico e médico Joubert de Carvalho. A música retrata a seca no sertão paraibano e narra a história de uma jovem chamada Maria do Ingá, que deixa sua terra natal em busca de melhores condições de vida. Inicialmente chamada de Maria do Ingá, a personagem passou a ser referida como Maria Ingá, e, posteriormente, Maringá — forma mais sonora e poética, que acabou dando título à composição.

A criação da música foi motivada por um pedido de Rui Carneiro, então oficial do gabinete do Ministério da Aviação, para que Joubert escrevesse uma canção sobre a seca que atingia o Nordeste. Ao receber uma lista de cidades afetadas, o compositor inspirou-se no nome “Ingá” e construiu a personagem central da obra. O nome “Maringá” surgiu da contração sonora de “Maria do Ingá” e agradou de imediato ao autor, que concluiu a música em poucas horas. A canção se tornou um sucesso nacional ainda na década de 1930.

Durante o processo de colonização do norte do Paraná pela Companhia de Terras Norte do Paraná, na década de 1940, a música "Maringá" era frequentemente cantada pelos trabalhadores nas frentes de desmatamento e construção. Segundo relatos históricos, ao notar a popularidade da canção, Elizabeth Thomas, esposa de Arthur Thomas, um dos diretores da companhia, sugeriu que a nova cidade recebesse o nome da música. A proposta foi aceita, sendo oficializada com a fundação do Patrimônio de Maringá, em 10 de maio de 1947. A elevação à categoria de município ocorreu em 1952, com o desmembramento do território de Mandaguari.

Embora a origem musical do nome seja amplamente aceita e documentada, existem interpretações alternativas que apontam possíveis raízes na língua tupi. Algumas hipóteses sugerem que “Maringá” derive de marigûã ou maringã, termos que podem significar “peneira para pescar” ou “boi de pelagem clara salpicada de preto”. Também se considera a junção dos elementos “Maria” (nome de origem hebraica) e “Ingá” (do tupi in-gá, referente ao fruto do ingazeiro). No entanto, essas interpretações carecem do mesmo grau de comprovação histórica da versão ligada à canção de Joubert de Carvalho.

Com o tempo, Maringá consolidou o título afetivo de “Cidade Canção”. A alcunha surgiu em 1962, após Antenor Sanches, então secretário da prefeitura e radialista, receber uma carta de uma estudante mineira que expressava o desejo de conhecer “a cidade que nasceu de uma canção”. Inspirado pela correspondência, Sanches iniciou uma campanha para oficializar o título, que foi institucionalizado pela Lei Municipal nº 5.945/2002, de autoria do vereador João Batista Beltrame.

O município tem origem com a colonização do norte do Paraná, que teve início no fim do século XIX. A região, que era predominantemente ocupada por florestas de mata atlântica, atraiu a atenção de produtores rurais paulistas e mineiros devido à presença da "terra roxa", do italiano, terra rossa (vermelha), originada da decomposição do basalto e extremamente fértil. O principal interesse dos fazendeiros era a aumentar a área de produção de café. Para solucionar os problemas de logística da região, um grupo de fazendeiros da região, liderados pelo paulista Antonio Barbosa Ferraz, promoveu a construção de uma estrada de ferro ligando a cidade paranaense Cambará, no “norte velho”, a Ourinhos, no interior de São Paulo.

Em 1923, uma comitiva liderada por Edwin Samuel Montagu, ex-secretário de finanças do tesouro do Reino Unido, veio ao Brasil para negociar uma dívida que o país possuía junto a credores britânicos. Entre os membros da comitiva estava Simon Fraser, 14.º Lorde Lovat, que viajou para procurar terras férteis para cultivar algodão para a indústria têxtil britânica. Lorde Lovat visitou propriedades do interior paulista e, seguindo a trilha das fazendas de café, chegou ao norte do Paraná.

A fertilidade da terra roxa que atraíram paulistas e mineiros à região alguns anos antes também agradou o britânico, que decidiu investir na plantação de algodão na região e fundou a empresa Brazil Plantation Sindicate, empresa responsável pelo gerenciamento de suas propriedades em terras brasileiras, que mais tarde foi absorvida pela Companhia de Terras Norte do Paraná, que planejou a colonização da região com a formação de quatro núcleos urbanos, que teriam aproximadamente 100 km de distância uns dos outros: Londrina, Maringá, Cianorte e Umuarama. Essas cidades seriam os grandes centros prestadores de serviços da região, sendo interligadas por uma única ferrovia. Entre essas cidades, a cada 15 km aproximadamente, deveriam surgir cidades menores, que teriam a função de ser um ponto de apoio para as propriedades rurais da região, abastecendo-as com produtos de necessidade básica que não eram produzidos no campo, como sal, produtos de higiene pessoal, querosene, roupas, entre outros.

A divisão dos lotes promovida pela Companhia de Terras Norte do Paraná foi planejada para aproveitar o máximo possível os recursos naturais e logísticos da região. Todas as propriedades deveriam fazer divisa com uma corrente d’água ao fundo, aproveitando os fartos recursos hídricos locais; e com uma estrada de rodagem à frente, para facilitar o escoamento da produção. O primeiro lote de Maringá, de numeração 1/A, foi adquirido pelo padre alemão Emílio Clemente Scherer, que chegou ao país em 1938, fugindo do nazismo. O padre Scherer é considerado o primeiro pioneiro desbravador de Maringá. A propriedade que ele adquiriu, foi batizada de Fazenda São Bonifácio. Foi nesta propriedade que, a 12 de fevereiro de 1940, surgiu a primeira igreja do município, a Igreja São Bonifácio, construída com madeira retirada de árvores cortadas na própria fazenda. Em 1942, surgiu também um pequeno povoado que servia como ponto de apoio aos desbravadores que já começavam a trabalhar nas propriedades rurais locais, o chamado "Maringá Velho". Já a Capela Santa Cruz foi o primeiro templo religioso na zona urbana, sendo construída em madeira em 1945. Preservada, encontram-se no seu interior quadros e imagens sacras, algumas vindas da Espanha.

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