Mariluz (pronúncia em português: /maɾilˈuʃ/ ouça) é um município brasileiro no interior do estado do Paraná, região Sul do país. Está situado no extremo sudeste da Região Metropolitana de Umuarama (RMU), fazendo divisa com a Região Metropolitana de Campo Mourão. Pertence à Região Geográfica Intermediária de Maringá e à Região Geográfica Imediata de Umuarama (anteriormente pertencente à mesorregião do Noroeste Paranaense e à microrregião de Umuarama). Distante 551 km a noroeste de Curitiba, capital estadual, a cidade desenvolveu-se entre as margens dos ribeirões Gavião e Jacutinga, e sua toponímia é uma alusão a Marília, município do estado de São Paulo.
Sua população, conforme estimativas do IBGE de 2021, era de 10 327 habitantes, sendo o oitavo município mais populoso da RMU e o 192.º mais populoso do Paraná. Ocupa uma área de 433,170 km², da qual 3,238 km² estão em perímetro urbano. Sua sede está localizada a 453 metros de altitude em relação ao nível do mar, com uma temperatura média anual de 23,7 ºC. A vegetação original do município é predominantemente do tipo Floresta Estacional Semidecidual, e a taxa de arborização das vias públicas é de 96,71%.
Com uma taxa de escolarização da ordem de 99%, o município contava, em 2019, com 8 estabelecimentos de ensino. Conforme o Relatório de Desenvolvimento Humano, do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD), divulgado em 2010, Mariluz apresenta Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) médio, de 0,639, ocupando a 373.ª posição no ranking estadual e 3312.ª no nacional. Entre os indicadores sociais que contribuíram para esse resultado estão: a taxa de mortalidade infantil é de 17 óbitos a cada mil nascidos vivos; 82,4% dos habitantes acima de 15 anos são alfabetizados; os serviços de saneamento ambiental são oferecidos a 47,2% das residências; e a expectativa de vida é de 72 anos.
O município continha um índice de Gini, a medida clássica de desigualdade, de 46,2%, abaixo da média do Mercosul de 48,1%. O rendimento médio de alguém que pertence aos 20% com rendimentos mais altos era 10,72 vezes maior do que o de alguém nos 20% mais baixos. O número de cidadãos que viviam com rendimentos abaixo do limiar de pobreza atingiu 13,9%, numa redução face aos 37,8% registrados em 2000, que ainda assim atinge 1,4 mil indivíduos.
Mariluz faz parte da chamada "Grande Umuarama", que ultrapassa os 304 mil habitantes e que compõe aproximadamente 2,68% da população do estado. Foi povoada majoritariamente por imigrantes portugueses, italianos, alemães e, mais tarde, também por japoneses, cujos descendentes, os nipo-brasileiros, deram grande impulso à sociedade. Os emigrantes trouxeram avanços nas atividades agrícolas e a descoberta do solo fértil como vocação econômica mariluzense, sendo que, ainda hoje, é uma importante fonte de renda, juntamente com a indústria e o comércio.
A Igreja Matriz de Santo Antônio, construída entre 1956 e 1958 em estilo colonial, é um dos principais monumentos religiosos tanto de Mariluz quanto da Região Metropolitana de Umuarama.
"Mariluz" é um termo híbrido, formado pelos nomes “Maria” e “Luz”. “Maria” (do nome hebraico מרים, transl. Miriam) é nome pessoal feminino, havendo duas possibilidades para sua origem: “Miriam”, cujos étimos são as palavras “mar”, significando “gota” + “yâm”, que significa “mar” ou “mar” + “yâm”, cujo significado ao todo é "gota de mar" e “Myrian”, que designa vidência, e resultou “Maria” em latim e grego antigo. O termo “Luz” é nome pessoal feminino, muito comum na Espanha, originalmente “Maria de la Luz”, um dos aspectos da mãe de Jesus em culto popular. O nome “Maria da Luz” também era comum em Portugal e no Brasil, sendo Nossa Senhora da Luz a padroeira de Lisboa e de Curitiba. O gentílico dos habitantes de Mariluz é mariluzense.
Alguns títulos de Mariluz foram colecionados no decorrer de sua história, sendo um dos apelidos mais famosos o de Princesinha do Oeste. De acordo com a disponibilidade da história, essa alcunha surgiu devido à cidade ser considerada a mais bonita da região noroeste do Paraná. Outro título dado ao município foi o de Cidade do Café, por ter sido amparado inicialmente pelo plantio e comercialização do fruto do cafeeiro.
A região de Mariluz, cidade interiorana do estado brasileiro do Paraná, vem sendo habitada pelo homem há milhares de anos. Os primeiros a percorrê-la foram grupos de caçadores-coletores, de tradição Umbu, que deixaram diversos vestígios na região sob a forma de pré-cerâmicos caracterizados, principalmente, pela grande presença de pontas de projéteis. A ocupação destas populações foi tanto em abrigos, sempre que os mesmos estivessem naturalmente disponíveis, como a céu aberto. Existem sítios multifuncionais com reocupação relativamente frequente, sendo alguns, somente estações de caça. Geralmente estão localizados próximos a arroios, rios, banhados ou lagoas. Os artefatos líticos típicos seriam pontas de projétil pedunculadas, triangulares, foliáceas, de formas e dimensões variadas, lascas, raspadores, furadores e percutores, aparecendo ainda talhadores, buris, grandes bifaces, lâminas polidas de machado, polidores e picões. Trata-se de uma indústria sobre lascas, onde a matéria-prima mais utilizada é o riolito, seguido pelo silexito, basalto, arenito silicificado e quartzo cristal. As pontas de projéteis evidenciam retoques por pressão, sendo que estes retoques também aparecem em raspadores e facas. Ainda ocorrem furadores, bifaces, talhadores e plainas, além de grande quantidade de microlascas.
Além disso, a região era cortada por um caminho indígena, rico em ramais, denominado Peabiru, que também era utilizado pelos conquistadores europeus, como Aleixo Garcia em 1524, Cabeza de Vaca em 1541 e Ulrich Schmidl em 1552.
O surgimento da vila que originou Mariluz é controverso, mas pode-se enumerar uma série de fatores que contribuíram para isso. A partir do final da década de 1940 e início da década de 1950, verifica-se os relatos da presença mais constante de atividades econômicas sendo desenvolvidas onde hoje se situa o município. Trata-se, no entanto, de ações isoladas de exploração florestal e a abertura de fazendas e estradas na densa mata, sem qualquer menção a assentamentos populacionais com atos de urbanização.
Entre 1951 e 1952 instaura-se as primeiras fazendas destinadas ao cultivo de café. Nessa mesma época, Francisco Antônio da Silva chega a região e, no ano seguinte, auxiliado por José Alfredo de Almeida, organiza a Colonizadora Mariluz, empresa constituída para que se colocasse em prática a ideia de fundar uma cidade. Após a demarcação do loteamento, a empresa pôs-se a vender os lotes urbanos e rurais a, na grande maioria, marilienses que vieram para a região com o intuito de plantar café. O trabalho de organização espacial da cidade contou com a ajuda do agrimensor Laudelino Rosa de Mello e a administração geral do processo de venda de lotes ficou a cargo de João da Silva Lavandeira.
O solo fértil e os ganhos fáceis obtidos da cultura cafeeira permitiram o crescimento rápido do núcleo urbano inicial. Em 1955, foi instalada a primeira serraria da cidade de propriedade de uns dos fundadores o senhor Abel de Oliveira que no ano seguinte já contava com diversos estabelecimentos comerciais, em especial a Agroindustrial Mariluz de propriedade de José Alfredo de Almeida. No dia 6 de agosto de 1956, realiza-se a primeira missa, celebrada pelo frei Gaspar da paróquia de Cruzeiro do Oeste, no prédio da biblioteca municipal e, nesse mesmo ano, inicia-se a construção da Igreja Matriz de Santo Antônio, que viria a ser concluída em 1958.
Devido ao rápido progresso, pela Lei n.º 29, de 23 de agosto de 1958, cria-se o Distrito Administrativo, com o nome de Mariluz. A denominação da localidade foi dada pela Colonizadora Mariluz, com o objetivo de se homenagear os pioneiros, predominantemente pessoas vindas da cidade de Marília, estado de São Paulo.
Após a elevação da vila à categoria de distrito, Mariluz viu-se em desenvolvimento acelerado. Cria-se o primeiro hospital, farmácia, posto de gasolina, abrem-se novas serrarias e demais estabelecimentos. Todos estes feitos foram gerando as condições necessárias para que seus moradores começassem a lutar pela sua emancipação. Em 29 de novembro de 1963, pela Lei n.º 4.788, foi criado o município de Mariluz, com território desmembrado do município de Goioerê. A instalação ocorreu a 14 de dezembro de 1964, sendo primeiro prefeito Ramiro Rojo Souto.