Neste Dia

Mariana Lima

Atriz e produtora brasileira

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Mariana Gomes Ferreira Lima, mais conhecida como Mariana Lima (São Paulo, 25 de agosto de 1972), é uma atriz e produtora brasileira. Artista versátil e proficiente, foi laureada ao longo de sua carreira de três décadas com várias premiações, incluindo um Prêmio Cenym e um Prêmio Shell, além de ter recebido indicações para um Grande Otelo, um Prêmio Guarani e três Prêmios Qualidade Brasil.

Lima iniciou sua carreira no teatro percorrendo diversos países latino-americanos até estudar na conceituada Lee Strasberg Theatre and Film Institute, em Nova Iorque. Ficou conhecida por seus trabalhos no teatro, integrando companhias renomadas de São Paulo, que lhe renderam elogios da crítica, até ser convidada para atuar na novela como "Liliana" em O Rei do Gado (1996), na TV Globo, trabalho que lhe alçou ao estrelato nacional. Desde então, passou a ser vista em diversas outras produções.

No teatro, ganhou reconhecimento por suas atuações em Livro de Jó (1995), Tio Vânia (1998), A Paixão Segundo G.H. (2002), A Máquina De Abraçar (2009), Pterodáctilos (2011) – pela qual foi eleita Melhor Atriz no Prêmio Shell –, Nômades (2014) e CérebroCoração (2018). No cinema, ela é mais conhecida por seus papéis em Kenoma (1998), Olga (2004), Árido Movie (2006), pelo qual foi indicada ao Grande Otelo de Melhor Atriz Coadjuvante, A Suprema Felicidade (2010), pelo qual foi indicada ao Prêmio Guarani de Melhor Atriz Coadjuvante, A Busca (2013) e Ela e Eu (2022).

Na televisão, ainda esteve em evidência nas novelas, como a doce Branca em Serras Azuis (1998), a estilista Antônia em Desejos de Mulher (2002), a rainha Helena em Cordel Encantado (2011), a promoter Roberta em O Rebu (2014), a psicóloga Isabel em Sete Vidas (2015) e produtora Ilana em Um Lugar ao Sol (2021). Além do mais, também foi aclamada por suas atuações em séries diversas, como Filhos do Carnaval (2006), Doce de Mãe (2014), Lúcia McCartney (2016), Os Dias Eram Assim (2017), Assédio (2018) e Onde Está Meu Coração (2021).

1991–98: Formação e primeiros trabalhos

Mariana iniciou sua carreira nos palcos do teatro. Aos dezessete anos, em 1989, saiu da casa de seus pais e desistiu do vestibular para ingressar em uma turnê com o grupo do diretor teatral Marinho Piacentini, viajando por vários países da América Latina. Depois de um ano, sentindo a necessidade de estudar novas formas de trabalhar no teatro, embarcou para Nova Iorque, onde morou por um ano. Durante esse período, estudou na escola de teatro Lee Strasberg, uma das mais renomadas do mundo, e trabalhou como babá, garçonete e cuidadora de cachorros para se sustentar. Em 1991, voltou ao Brasil e iniciou uma peregrinação pelas oficinas teatrais de São Paulo. Passou pelo Centro de Pesquisa Teatral (CPT), do diretor Antunes Filho. E naquele mesmo ano, aconteceu sua estreia profissional no teatro, em Comala, espetáculo baseado no romance de Juan Rulfo, viajando pelo mundo com a peça. Três meses depois, já em 1992, estudou teatro com Maria Alice Vergueiro e viajou para a Espanha e Portugal apresentando-se na peça Amor de Dom Perlimplim com Belisa em Seu Jardim, de Vergueiro. Ao regressar para o Brasil, a montagem da peça chegou ao fim e ela se aproximou das produções do dramaturgo José Celso Martinez Corrêa, integrando a companhia do Teatro Oficina. Realizou um teste para a peça Mistérios Gozosos, na companhia, e foi aprovada para um papel de destaque.

Em 1994, substituiu a atriz Maria Luisa Mendonça no espetáculo Futebol, de Bia Lessa, onde interpretou um menino. Aos 25 anos, em 1995, entra para a equipe do Teatro da Vertigem. Lá, participou da peça Livro de Jó, de Antônio Araújo, atuando com Matheus Nachtergaele, no papel da "Mulher de Jó". Também nesse ano, ao lado de atores como Giulia Gam, Otávio Augusto e Maria Padilha, estreou no cinema com o filme de comédia Sábado, de Ugo Giorgetti, interpretando uma produtora cinematográfica. Esse período também marcou uma jornada pessoal da atriz em busca de novas formas de trabalho, que a levou a ingressar na Oficina de Atores da TV Globo. Participou de uma campanha publicitária da marca de cigarros Free. E foi no teatro, que Luiz Fernando Carvalho a descobriu e a chamou para seu primeiro trabalho na televisão, na telenovela O Rei do Gado, se destacando na produção.

Em O Rei do Gado (1996), interpretou a jovem "Liliana". Na trama, sua personagem é filha do senador "Caxias", papel de Carlos Vereza, e "Rosa", interpretada por Ana Rosa. Ela é namorada de Marcos Mezenga (Fábio Assunção), com quem vive um relacionamento conturbado e que a fez entrar no mundo das drogas. A produção fez muito sucesso em sua exibição original, projetando-a para o estrelato nacional. Mariana foi considerada um dos símbolos de uma nova geração de atores que sucumbia na teledramaturgia brasileira. O diretor Luiz Fernando Carvalho a considerou como uma das "melhores atrizes de sua geração" e disse que ela correspondeu às suas expectativas por sua carga dramática de interpretação, que se refletiu no crescimento de sua personagem na trama. Também em 1996, realizou seu segundo trabalho no cinema no curta-metragem Caligrama, de Eliane Caffé.

Em 1998, voltou ao teatro na peça Tio Vânia, uma adaptação do texto russo de Anton Tchekhov dirigida por Élcio Nogueira. Com Renato Borghi, Leona Cavalli, Luciano Chirolli e Abrahão Farc no elenco, a peça sofreu algumas críticas por parte dos especialista, no entanto a performance de Mariana no papel de "Ielena" foi elogiada, sendo citada como correspondente às exigências do papel. No cinema, viajou para o sertão de Minas Gerais para interpretar a camponesa "Tira" em Kenoma (1998), trabalhando novamente com a cineasta Eliane Caffé. Ea foi convidada para o papel substituindo Glória Pires, a qual não podia viajar para as gravações do filme. Sua interpretação lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cinema Latino-Americano de Biarritz, na França. Já na televisão, esteve em um episódio do seriado Mulher, da TV Globo, e transferiu-se para a Rede Bandeirantes atuando no elenco principal da novela Serras Azuis, onde interpretou a doce "Branca Bela", que vive um romance proibido com um padre.

2000–10: Dirigindo no teatro e trabalhos no cinema

No ano de 2000, trabalhou novamente com Antônio Araújo no espetáculo Apocalipse 1,11, peça que faz parte de uma trilogia do autor inspirada na Bíblia. Interpretando "Babilônia" em Apocalipse 1,11, tinha um dos maiores desafios da carreira até o momento. O texto escrito por Fernando Bonassi e encenado pelo Teatro da Vertigem estreou em um presídio desativado em São Paulo. Como a "mãe das prostitutas", ela percorreu um labirinto de pecado e julgamento, tateando paredes mofadas e grades enferrujadas em um ambiente acinzentado típico de uma prisão. Ainda em 2000, fez parte do elenco da peça Bartolomeu, Que Será que Nele Deu?, que conta a história de um digitador em um escritório de advocacia que, sobrecarregado pelo cotidiano, toma a decisão de abandonar suas tarefas, provocando uma espécie de "revolução" entre as pessoas ao seu redor.

Em 2001, realizou uma apresentação de processo intitulada Raiz Quadrada de Menos Um durante o Festival de São José do Rio Preto, em São Paulo. Dirigida por Enrique Díaz, a apresentação foi um breve solo de dança-teatro e serviu como embrião para o monólogo A Paixão Segundo G.H., que estreou no ano seguinte. Fauzi Arap adaptou o romance homônimo de Clarice Lispector para o palco. Segundo o crítico Sérgio Salvia Coelho, a protagonista apresentada por Mariana Lima possui um despojamento impressionante. Ela retrata G.H. como uma mulher aflita e tímida diante do grande enigma que precisa compartilhar. O tom da atuação é de um realismo cinematográfico, fazendo parecer que ela esquece o texto em diversos momentos. Ela olha nos olhos do público enquanto está em cena, em uma atmosfera acolhedora, como se estivesse em sua própria sala de estar. A atuação lhe rendeu indicação ao Prêmio Qualidade Brasil na categoria Melhor Atriz Teatral de Drama.

Em 2002, voltou às telenovelas como "Antônia Donaggio" em Desejos de Mulher, de Euclydes Marinho. Na trama, exibida no horário das 19h da TV Globo, sua personagem é uma estilista que vem de uma família rica, que gosta de representar seu estado de espírito diário em suas roupas e trabalha como assistente da protagonista "Andréa", interpretada por Regina Duarte. No cinema, atuou no filme Lara, de Ana Maria Magalhães, o qual é uma cinebiografia da atriz Odete Lara, no papel de "Dora". Em 2003, pela primeira vez, experimenta a direção no teatro em parceria com Enrique Díaz em Não Olhe Agora. A obra foi produzida pelo Coletivo Improviso, um grupo de artistas investigadores de performance e dança do Rio de Janeiro. Atuou ainda como preparadora de elenco e produtora nas peças A Casa de Bernarda Alba e Acordei que Sonhava, respectivamente, além de ser convidada para o episódio "Até Que Enfim Profundos" da série Os Normais, na TV Globo.

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