Maria Beatriz Ana Margarida Isabel de Módena (Módena, 5 de outubro de 1658 – Saint-Germain-en-Laye, 7 de maio de 1718) foi a segunda esposa do rei Jaime II & VII e Rainha Consorte da Inglaterra, Escócia e Irlanda de 1685 até a deposição de seu marido no final de 1688 durante a Revolução Gloriosa. Era uma católica devota e se casou em 1673 com o viúvo Jaime, irmão mais novo e herdeiro presuntivo do rei Carlos II. Ela não se interessava por política e era totalmente dedicada ao marido e aos filhos, dois dos quais chegaram na idade adulta: Jaime Francisco Eduardo e Luísa Maria Teresa.
Ela nasceu como uma princesa do Ducado de Módena e Reggio e é mais lembrada pelo nascimento controverso de Jaime Francisco Eduardo. Na época acreditou-se que ele era uma criança trocada, levada para dentro do quarto escondido em uma panela a fim de perpetuar a dinastia católica de seu marido. Apesar da acusação ser inteiramente falsa, com as investigações do Conselho Privado confirmando isso, o nascimento do menino foi um dos principais fatores que contribuíram para a Revolução Gloriosa, que depôs Jaime II & VII e o substituiu por sua filha protestante Maria II, fruto de seu primeiro casamento com Ana Hyde, e seu sobrinho e genro Guilherme III & II.
Maria passou o resto de sua vida exilada na França junto com seu marido e seus filhos, morando no Castelo de Saint-Germain-en-Laye dado pelo rei Luís XIV de França. Ela era popular entre os cortesãos franceses, em contraste com Jaime que era visto como tedioso. Ele morreu em 1701 e ela passou sua viuvez junto com as freiras do Convento das Visitações em Chaillot. Como Jaime Francisco Eduardo era muito jovem para assumir o governo nominal após a morte do pai, Maria atuou como sua regente até ele completar dezesseis anos. Seu filho deixou a França por causa do Tratado de Utrecht de 1713, porém ela ficou apesar de não ter nenhum familiar. Maria morreu de câncer de mama em 1718.
Maria era a segunda filha, e única menina, de Afonso IV, Duque de Módena e da sua esposa Laura Martinozzi. Ela nasceu em 5 de outubro de 1658 em Módena, Ducado de Módena e Reggio. Seu único irmão sobrevivente, Francisco, sucedeu seu pai como duque após a morte deste em 1662, ano em que Maria completou quatro anos. A mãe de Maria e Francisco, Laura, foi rigorosa com os filhos e atuou como regente do ducado até Francisco atingir a maioridade. Maria recebeu uma excelente educação, ela falava francês e italiano fluentemente, conhecia bem o latim e, mais tarde, dominou o inglês.
Maria foi descrita pelos contemporâneos como "alta e admiravelmente modelada", e foi procurada como noiva para Jaime, Duque de Iorque pelo Lorde Peterborough. Jaime era o irmão mais novo e herdeiro do rei Carlos II de Inglaterra. Inicialmente a mãe de Maria, a duquesa Laura, relutou em aceitar a proposta de Peterborough, aspirando, de acordo com o embaixador francês, um casamento entre sua filha e o rei Carlos II de Espanha. Todavia, a relutância inicial de Laura foi vencida, ela finalmente aceitou a proposta em nome da filha e Jaime e Maria se casaram por procuração em 30 de setembro de 1673.
Módena estava na esfera de influência do rei Luís XIV de França, que endossou a candidatura de Maria e a saudou calorosamente em Paris, na estádia da mesma na capital francesa, durante sua viagem para a Inglaterra, dando-lhe um broche no valor de 8 000 libras. Em contraste, sua recepção na Inglaterra foi fria.
O Parlamento, que era inteiramente composto por protestantes, reagiu mal às notícias de um casamento católico, temendo que fosse uma conspiração "papista" contra o país. O povo inglês, predominantemente protestante, rotulou a nova duquesa de Iorque - título ao qual Maria ficaria conhecida até a ascensão do marido ao trono - como a "filha do papa". O Parlamento ameaçou anular o casamento, levando o rei Carlos II a suspender o parlamento até 7 de janeiro de 1674, para garantir que o casamento fosse honrado e salvaguardando a reputação da casa de Stuart.
O duque de Iorque, um católico declarado, era vinte e cinco anos mais velho que sua noiva, marcado pela varíola e gagueira. Ele secretamente se converteu ao catolicismo por volta de 1668. Maria viu o marido pela primeira vez em 23 de novembro de 1673, no dia da cerimônia de casamento. Jaime ficou satisfeito com sua noiva, Maria, no entanto, a princípio não gostou dele, e chorava cada vez que o via. No entanto, ela logo se apaixonou por Jaime. Do seu primeiro casamento com Ana Hyde, que morreu em 1671, Jaime teve duas filhas: Maria e Ana. Elas foram apresentados a Maria por Jaime, que pronunciou as palavras: "Trouxe uma nova companheira para brincar". Ao contrário de Maria, Ana não gostou da nova esposa de seu pai, tendo Maria se empenhado para ganhar seu carinho.
A duquesa de Iorque recebia anualmente 5 000 libras e tinha sua própria comitiva, chefiada por Carey Fraser, Condessa de Peterborough e composta por damas selecionas pelo seu marido como Frances Stuart, Duquesa de Richmond - antiga amante do rei Carlos II - e Anne Scott, 1.ª Duquesa de Buccleuch. O fato da duquesa de Iorque odiar o jogo não impediu que suas damas a obrigassem a jogá-lo quase todos os dias. Elas acreditavam que "se ela se contivesse, poderia ficar doente". Consequentemente, Maria adquiriu pequenas dívidas de jogo.
O nascimento da primeira filha da duquesa de Iorque, Catarina Laura - que recebeu o seu nome em homenagem a rainha Catarina - em 10 de janeiro de 1675, representou o início de uma série de filhos que morreriam na infância. Nessa época, ela tinha excelentes relações com a filha mais velha de Jaime, Maria, e a visitou em Haia depois que a jovem Maria se casou com Guilherme de Orange. Ela viajou incógnita e levou Ana com ela.
O secretário católico da duquesa de Iorque, Edward Colman, foi, em 1678, falsamente implicado por Titus Oates em uma suposta conspiração contra o rei. A trama, conhecida como complô papista, levou ao movimento exclusionista, liderado por Anthony Ashley Cooper, 1.º Conde de Shaftesbury. Os exclusionistas procuravam retirar da linha de sucessão o católico duque de Iorque. Com sua reputação em frangalhos, o duque e a duquesa de Iorque foram relutantemente exilados em Bruxelas, sob domínio do rei da Espanha, ostensivamente para visitar a filha mais velha de Jaime - desde 1677 casada com o príncipe Guilherme de Orange. Acompanhada pela filha de três anos Isabel e sua enteada mais nova, a duquesa de Iorque ficou aborrecida com o caso extraconjugal de Jaime com Catherine Sedley. A alegria de Maria foi brevemente revivida por uma visita a sua mãe, que morava em Roma.
Uma notícia de que o rei Carlos II estava muito doente enviou o duque e a duquesa de Iorque de volta à Inglaterra prontamente. Jaime temia que o filho ilegítimo do rei, Jaime Scott, 1.º Duque de Monmouth, e comandante das forças armadas da Inglaterra, pudesse usurpar a coroa se Carlos morresse em sua ausência. Os rumores foram agravados pelo fato de Monmouth contar com o apoio dos exclusionistas, que possuíam maioria na Câmara dos Comuns da Inglaterra. Carlos sobreviveu, mas, sentindo que o duque e a duquesa de Iorque voltaram a corte prematuramente, enviou o casal para Edimburgo, onde permaneceram pelos próximos três anos. O casal foi instalado no Palácio de Holyrood, já Isabel e Ana ficaram em Londres sob as ordens de Carlos. O duque e a duquesa de Iorque foram convocados para Londres em fevereiro de 1680, apenas para Jaime ser empossado comissário do rei na Escócia, retornando novamente a Edimburgo naquele mesmo outono. Separada da filha Isabel mais uma vez, Maria caiu em profunda tristeza, temerosa pela possível aprovação do projeto de exclusão tramitando na Câmara dos Comuns. Isabel, até então a a única filha de Maria a sobreviver à infância, morreu em fevereiro de 1681. A morte de Isabel mergulhou Maria em um fanatismo religioso, preocupando seu médico. Ao mesmo tempo em que as notícias da morte de sua filha chegaram à morte Holyrood, a mãe de Maria foi falsamente acusada de oferecer 10.000 libras pelo assassinato do rei. O acusador, um panfletário, foi executado por ordem do rei.