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Maria de Médici

Rainha consorte da França e Navarra

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Maria de Médici (em italiano: Maria de' Medici; Florença, 26 de abril de 1575 – Colônia, 3 de julho de 1642) foi a segunda esposa do rei Henrique IV e rainha consorte da França de 1600 até 1610, além de regente durante a menoridade de seu filho Luís XIII, entre 1610 e 1614, permanecendo no poder até 1617. Era filha de Francisco I de Médici, Grão-Duque da Toscana com sua primeira esposa, a arquiduquesa Joana da Áustria.

Era a sexta filha de Francisco I de Médici, Grão-duque da Toscana, e de Joana de Habsburgo, Grã-Duquesa da Toscana e Arquiduquesa de Áustria. Maria teve uma infância despreocupada até 1578, quando sua mãe morreu. Com a morte de sua esposa o Grão-Duque casou-se com sua amante, Bianca Cappello. A partir daí, Maria de Médici tornou-se triste e solitária, no Palácio Pitti.

Tinha por companhia apenas seus irmãos, Leonor, Ana e Filipe. Entretanto, Filipe morreu em 1583 e Ana em 1584. Leonor abandonou a Toscana para tornar-se duquesa de Mântua, casando-se em 1584 com Vicente I Gonzaga, duque de Mântua. Sendo a única filha que restou do primeiro casamento do Grão-Duque, Maria sentia-se muito sozinha. Seu consolo foi a presença de seu primo Virgílio Orsini, e de sua amiga Leonora Galigai, que era sua irmã de leite.

Em outubro de 1587, Maria ficou sob a tutela de seu tio, Fernando I, grão-duque da Toscana, sucessor de Francisco I que morreu em 19 de outubro de 1587. Fernando I desistiu de ser cardeal e casou-se com Cristina de Lorena, que teve uma relação conflituosa com Maria.

À espera de um possível casamento, Maria tornou-se uma menina dedicada ao estudo, aprendendo história, matemática, a arte do desenho, escultura e música. Ela herdou de seu pai o amor pela ciência; era apaixonada por jóias e pedras preciosas, e por isso também aprendeu a distinguir as verdadeiras das falsas.

Seu tio, Fernando I, desejava fortalecer os laços entre a França e a Toscana, por isso começou-se a negociar o casamento de Maria de Médici com o Rei da França, Henrique IV, que acabara de anular seu primeiro casamento com a "Rainha Margot".

Henrique IV de França precisava casar-se urgentemente, devido, principalmente, às preocupações financeiras e dinásticas do Reino. Os Médici, credores do Rei da França, prometeram um dote de 600 000 coroas, o que fez Maria de Médici ser apelidada de "Grande Banqueira".

Em 25 de abril de 1600 o contrato de casamento foi assinado no Palácio Pitti. Aconteceu então uma troca de retratos, presentes e cartas de amor. Em 5 de outubro de 1600 foi celebrado o casamento por procuração, na Catedral de Santa Maria del Fiore. O Grão-Duque Fernando fez o papel do noivo na troca de alianças.

Em 19 de outubro, junto com a Grã-Duquesa Cristina e com sua irmã Leonor de Médici, Duquesa de Mântua, Maria de Médici partiu de Livorno em direção a Marselha.

Sua chegada em Marselha teve um grande impacto. Duas mil pessoas formavam seu séquito. Antonieta de Pons, Marquesa de Guercheville e dama de honra da rainha, foi encarregada de recebê-la em Marselha. Após o desembarque, Maria de Medici e seu marido reuniram-se em Lyon, onde passaram a noite de núpcias. A Grã-Duquesa da Toscana e a Duquesa de Mântua embarcaram de volta a Itália.

Chegando em Paris, a rainha ficou chocada ao descobrir que seu marido tinha uma amante, Henriqueta de Entragues, Marquesa de Verneuil. Influenciada por Leonora Galigai, a rainha teve boas maneiras em relação à Marquesa de Verneuil. Isto fez Leonora cair nas graças do rei, e este deu-lhe o título de Dama de Honra da Rainha, e casou-a com Concino Concini, um aventureiro que veio da Itália e vivia na esteira de Maria de Médici.

Em 27 de setembro de 1601 nasceu o primeiro filho do casal, o Delfim Luís, o que causou grande alegria ao Rei e a todo o reino, porque durante quarenta anos era aguardado o nascimento de um herdeiro ao trono. Maria de Médici continuou seu papel como esposa e deu outros cinco filhos a Henrique IV. Em 1605, quando a situação entre o Rei e sua amante estava desmoronando, Margarida de Valois, a primeira esposa de Henrique IV, regressou a Paris. Ela e Maria de Médici tornaram-se boas amigas e Margarida ajudou-a a restaurar a antiga etiqueta da corte, devolvendo ao Palácio do Louvre seu antigo esplendor. Margarida tinha um grande afeto materno pelo Delfim Luís, e ao morrer nomeou-o como seu herdeiro.

Nem sempre Maria de Médici se dava bem com Henrique IV. Extremamente ciumenta, não podia suportar as aventuras extraconjugais do marido; além disso, Henrique IV obrigava-a a conviver com suas amantes e negava-lhe o dinheiro necessário para manter todas as necessidades que sua posição de Rainha exigia. As discussões entre eles eram frequentes, seguidas de um relativo período de calma.

Maria de Médici queria ser oficialmente coroada como rainha da França, mas Henrique IV, por diferentes razões políticas, sempre adiava a cerimônia. Em maio de 1610, Maria de Médici foi nomeada regente, com Conselho de 15 pessoas, quando seu marido Henrique IV se preparava para conduzir uma expedição contra a Alemanha, os espanhóis e imperialistas. Ela foi coroada rainha em Saint-Denis, fazendo sua entrada oficial em Paris no dia 13 de maio de 1610. No dia seguinte, Henrique IV foi assassinado.

Duas horas depois do assassinato de Henrique IV em 14 de maio de 1610, o duque de Epernon foi ao Parlamento e conseguiu que Maria de Médici fosse declarada regente, pois Luís XIII tinha nove anos. A política de Henrique IV, que se tivesse vivido teria lutado cada vez mais por assegurar alianças com os Estados protestantes, foi substituída por uma política católica. Ela destituiu os conselheiros do rei, mas não conseguiu impor a obediência aos nobres. Para recuperar o poder da França não encontrou nenhuma solução melhor do que fazer a paz com a Espanha, e seu primeiro passo nessa direção foi começar a planejar um casamento entre seu filho e a primogênita de Felipe III de Espanha.

A política da Rainha gerou muitos descontentamentos. Por um lado, os protestantes ficaram apreensivos com a aproximação de Maria com a Sua Majestade Católica, o Rei de Espanha, Felipe III; por outro lado, Maria de Medici tentou fortalecer o poder da monarquia com o apoio de pessoas como Concino Concini e sua esposa Leonora Galigai, que não eram bem vistos por alguns nobres franceses. Aproveitando o enfraquecimento causado pela regência, os nobres das grandes famílias, liderados pelo Príncipe de Condé, levantaram-se contra Maria de Médici a fim de obter alguma compensação financeira. Os Príncipes exigiam que Luís XIII não se casasse com Infanta Ana, primogênita de Felipe III de Espanha. Em 1614, a regente convoca os Estados Gerais, como uma concessão aos príncipes. Finalmente, desafiando as suscetibilidades de Condé e dos Protestantes, e para surpresa de todos, Luís XIII casou-se com Ana da Áustria em 28 de novembro de 1615. Para selar ainda mais a paz entre as duas coroas, Maria de Médici casa também sua filha Isabel com o Príncipe Felipe (futuro Felipe IV de Espanha).

Um período de relativa paz segue-se ao casamento de Luís XIII e Ana de Áustria. Um ano após os Estados Gerais, ocorre uma nova rebelião, que termina com o Tratado de Loudun (3 de maio de 1616), que permite que Condé entre para o Conselho do Rei.

Os requisitos do Príncipe de Condé tornam-se tão absurdos que, em 1 de setembro de 1616, ele finalmente é preso e enviado à Bastilha por ordem da Regente. Em 25 de novembro de 1616, Maria de Médici nomeia Richelieu, Bispo de Luçon, como seu Ministro de Guerra e Assuntos Estrangeiros, pondo um fim as revoltas.

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