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Maria Luísa de Parma

Esposa do rei Carlos IV e Rainha Consorte da Espanha de 1788 até 1808

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Maria Luísa de Parma (nome completo em italiano: Luisa Maria Teresa Anna di Borbone; Parma, 9 de dezembro de 1751 – Roma, 2 de janeiro de 1819) foi a esposa do Rei Carlos IV e Rainha Consorte da Espanha de 1788 até a abdicação forçada do marido em 1808, na sequência do Motim de Aranjuez.

Nascida uma princesa italiana do Ducado de Parma, filha de Filipe, Duque de Parma e de sua esposa, a princesa Luísa Isabel da França, ela foi criada na corte do avô materno, o Rei Luís XV. Em 1765, aos 14 anos, Maria Luísa casou-se com o Príncipe das Astúrias, futuro Rei Carlos IV. Entre os muitos filhos do casal estavam o futuro Rei Fernando VII, Carlota Joaquina, Rainha Consorte de Portugal, Brasil e Algarves, e Maria Isabel, Rainha Consorte das Duas Sicílias.

Ela era impopular entre o povo e a aristocracia. O nome de Maria Luísa esteve vinculado a uma série de difamações, conspirações e amantes. A propaganda política da época lhe acusava de ser uma mulher promíscua, infiel e que, juntamente com o suposto amante, o primeiro-ministro Manuel Godoy, influenciava o rei. Ela era rival da Duquesa de Alba e da Duquesa de Osuna, bem como de sua nora, a princesa Maria Antónia de Nápoles, cuja morte precoce foi atribuída a um envenenamento causado pela rainha.

O envolvimento de Carlos IV nas Guerras Napoleônicas e disputas familiares internas entre o rei e a rainha e o filho, Fernando, Príncipe das Astúrias, minaram o já decrescente apoio à monarquia Bourbon na Espanha. Em 1808, na sequência do Motim de Aranjuez, o rei foi forçado a abdicar ao trono em favor do filho, que ascendeu como Rei Fernando VII, e partir para o exílio. Maria Luísa acompanhou o marido na França e Itália, respectivamente. Ela morreu no exílio em Roma, aos 67 anos, sem nunca ter retornado à Espanha.

Mais recentemente, historiadores consideram que a impopularidade da rainha foi resultante de um contexto antiabsolutista e antiaristocrata pós Revolução Francesa, cuja vinculação da figura da rainha infiel e libertina no imaginário coletivo atuava como propaganda política e não esteve reservada apenas à Maria Luísa, mas também a demais rainhas e nobres do período.

Nascida em Parma em 9 de dezembro de 1751, era a filha mais nova de Filipe, Duque de Parma, e de sua esposa, a princesa Luísa Isabel da França. Mais conhecida como Maria Luísa, foi batizada Luísa Maria Teresa Ana em homenagem aos seus avós maternos e a irmã favorita de sua mãe, Henriqueta Ana da França. Era neta paterna de Filipe V da Espanha e Isabel Farnésio e materna de Luís XV da França e Maria Leszczyńska. Ela tinha dois irmãos mais velhos: Isabel e Fernando.

Devido à influência de sua mãe, recebeu uma educação francesa na corte de seu avô materno. Seus tutores foram a marquesa Grigny e o controverso abade Étienne Bonnot de Condillac, discípulo de John Locke e colaborador de Voltaire, que defendia certas liberdades em termos de moralidade, como os ensinamentos empíricos da doutrina sensualista que naquela época eram inadequados para damas nobres.

Numa série de negociações entre sua mãe e avô materno foi acordado que Maria Luísa desposaria Luís, Duque da Borgonha, herdeiro do trono francês, casamento que não se veio a concretizar em decorrência da morte do jovem duque. Ela também foi sugerida como noiva ao arquiduque José da Áustria, recentemente viúvo de sua irmã Isabel, mas este projeto também não se concretizou.

Finalmente, em 4 de setembro de 1765, no Real Sitio de San Ildefonso, Maria Luísa, aos 14 anos, casou-se com seu primo, o Príncipe das Astúrias, futuro Rei Carlos IV, filho de Carlos III e herdeiro ao trono da Espanha. O casal teria quatorze filhos, dos quais apenas sete chegariam à idade adulta.

Maria Luísa, como esposa do herdeiro espanhol, exibia um comportamento considerado escandaloso pela fechada e austera corte espanhola; ela era muito orgulhosa de seus braços e fazia de tudo possível para mostrá-los seja no verão ou no inverno.

Apesar de beleza não ser o forte de Maria Luísa (suas múltiplas gravidezes deformaram o seu corpo e tinha uma dentadura de pérolas no lugar de seus dentes podres) não demorou para que rumores acerca da infidelidade da princesa começassem a circular na corte e amantes fossem apontados. E em certo ponto ela chegou a ganhar o epíteto de "a impura prostituta". No entanto, o Príncipe das Astúrias estava seguro da fidelidade da mulher, afirmando que "havia se casado com uma princesa e não com uma mulher plebeia que o trairia", ao que seu pai, o Rei Carlos III, retrucou: mas meu filho, que imbecil você é... Princesas também podem ser putas".

Seu gosto por moda e festas luxuosas também contribuíram para que uma série de difamações acerca de sua imagem fossem difundidas. Logo, a imagem de Maria Luísa estaria ligada a de uma mulher perdulária, sendo até mesmo comparada com a rainha Maria Antonieta da França. Ademais, ela não mantinha uma boa relação com Carlos III, tampouco com a cunhada Dona Mariana Vitória de Bragança, preferida de seu sogro. Maria Luísa até mesmo providenciou que após a morte da cunhada em 1788, o filho desta fosse enviado para a corte portuguesa a fim de ser educado pela mãe de Mariana Vitória, a rainha Dona Maria I de Portugal.

Ainda como princesa de Astúrias, testemunhou as negociações entre Espanha e Portugal que resultariam na assinatura do contrato de casamento entre sua filha Carlota Joaquina e o futuro rei D. João VI de Portugal.

Em 14 de dezembro de de 1788, Carlos III faleceu aos 72 anos e os príncipes das Astúrias são proclamados rei e rainha da Espanha. Em julho de 1789, Maria Luísa da à luz a sua décima primeira criança, a Infanta Maria Isabel, cuja paternidade sempre atribuiu-se a Manuel Godoy, um coronel do exército espanhol de família pobre e futuro primeiro-ministro que Maria Luísa conheceu logo após o nascimento de seu filho Carlos Maria Isidro em 1785. Sua relação com Godoy foi a causa dos vários problemas, tanto políticos quanto familiares, da Espanha da década de 1790 à primeira década do XIX. Acerca de Godoy, apelidado El Choricero, diziam: "Duque por usurpação, príncipe da iniquidade, general na maldade, almirante na traição, lascivo como um garanhão, rodeado de meretrizes, casado com duas mulheres. Na ambição sem paralelo, na arrogância sem paralelo e na ruína do Estado". O filho e herdeiro de Maria Luísa, o Príncipe das Astúrias, frequentemente conspirava contra o amante da mãe.

Como rainha, Maria Luísa era vista como uma mulher devassa, cheia de amantes, lasciva, enquanto seu marido era controlado por seu gênio forte e não tinha qualquer interesse nos afazeres do Estado. Foi apelidada de Luísa Trovejante pela aristocracia e clero da Espanha. Maria Luísa foi uma grande entusiasta de Francisco Goya, que foi nomeado pintor da corte. Em 1799, Goya pintou um retrato equestre de Maria Luísa, na qual a mesma trajava um uniforme militar de um regimento militar espanhol de elite. Este este tipo de pintura equestre com o uniforme militar era normalmente reservado às figuras masculinas e, para muitos, Maria Luísa retratada de tal forma apenas confirmava a dominância da consorte sobre o marido. Em 1800-01, Goya também realizaria um retrato de família real espanhola, influenciado por Velázquez, o qual Maria Luísa, e não o rei, é a figura central, encarnando uma figura matriarca.

Retratos de Maria Luísa por Goya (entre 1789 e 1801)

Em 1791, a Rainha Maria Luísa teve a ideia de fundar uma Real Ordem das Damas Nobres da Rainha Maria Luísa. O projeto tomou lugar por Decreto Real em 21 de abril de 1792. Ela esteve profundamente envolvida no projeto. A ordem deixou um legado para a Espanha, tendo se tornado a mais alta ordem feminina concedida.

Em 1793, os primos de Maria Luísa, o ex-rei Luís XVI da França e sua consorte Maria Antonieta foram executados em decorrência Revolução Francesa e a França, país originário da dinastia Bourbon, se tornou uma república. No mesmo ano é publicado o libelo Vie politique de Marie-Louise de Parme, Reine d’Espagne, um compilado de calúnias acerca da rainha publicados a fim de desacreditá-la.

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