Maria Luísa (em alemão: Maria Ludovica Leopoldina Franziska Therese Josepha Lucia von Österreich-Lothringen; em francês: Marie-Louise Léopoldine Françoise Thérèse Josèphe Lucie de Habsbourg-Lorraine; Viena, 12 de dezembro de 1791 – Parma, 17 de dezembro de 1847) foi uma arquiduquesa da Casa de Habsburgo-Lorena e Imperatriz Consorte dos Franceses em dois períodos diferentes, primeiro de 1810 até a 1814 e depois de março a junho de 1815, como segunda esposa de Napoleão Bonaparte.
Filha do Sacro Imperador Francisco II (a partir de 1806, o primeiro Imperador da Áustria como Francisco I), casou-se em 1810 com Napoleão Bonaparte para selar a paz entre a França e a Áustria. Chegando relutantemente à corte imperial, os franceses não gostavam dela. Ela própria não conseguia se sentir à vontade no país. Sua posição melhorou com o nascimento de seu único filho com Napoleão, posteriormente conhecido como "Napoleão II" e Duque de Reichstadt.
Quando Napoleão foi derrotado pela Sexta Coligação em 1814, Maria Luísa decidiu não o acompanhar no exílio na ilha de Elba e regressou com o filho à Áustria. Mesmo após a fuga do imperador de Elba e seu Governo dos Cem Dias, a imperatriz decidiu permanecer fiel à família Habsburgo até a decisiva derrota de Napoleão na Batalha de Waterloo, em 1815. O Congresso de Viena recompensou-a concedendo-lhe o Ducado de Parma, Placência e Guastalla vitaliciamente. Após a morte de Napoleão, em 1821, casou-se duas vezes, ambas uniões consideradas morganáticas: primeiro, em 1821, com Adão Adalberto, Conde de Neipperg, com quem teve três filhos, e depois, em 1834, com o conde Charles-René de Bombelles. Maria Luísa faleceu em 1847, aos 56 anos.
Filha primogênita do imperador Francisco II e de sua segunda esposa, Maria Teresa da Sicília, na família Maria Luísa era chamada pelo diminutivo Luisetta. Pouco afeto recebeu da mãe e, por isso, desenvolveu forte ligação com o pai, que a considerava sua filha favorita. Teve uma educação simples, baseada nos princípios da fé católica, voltada para torná-la uma jovem obediente e bem-educada. Gostava de jardinagem, culinária, bordado e música, especialmente piano. Estudou línguas como francês e italiano, enquanto seu alemão permaneceu imperfeito. Mesmo ainda criança, acompanhava as Guerras Napoleônicas e passou a nutrir profundo ódio por Napoleão Bonaparte: Maria Luísa via no líder francês a materialização da Revolução e, portanto, uma ameaça à Igreja e às monarquias europeias.
Em 1805, Napoleão derrotou o exército austríaco na Batalha de Ulm e entrou em Viena. Maria Luísa e seus irmãos refugiaram-se na Hungria. A guerra terminou com nova derrota austríaca na Batalha de Austerlitz e com a Paz de Pressburg, que impôs perdas territoriais à Áustria e antecedeu o fim do Sacro Império Romano-Germânico em 1806 Francisco passou a ser conhecido apenas como Imperador da Áustria, Francisco I.
Em 1807, a imperatriz Maria Teresa morreu após dar à luz seu décimo segundo filho, que também faleceu ao nascer. No ano seguinte, Francisco casou-se novamente com sua prima, também chamada Maria Luísa, que reforçou entre as crianças imperiais o ressentimento contra Napoleão.
Em 1810, Maria Luísa casou-se com o imperador francês Napoleão, cujo casamento anterior com Josefina de Beauharnais havia terminado por não gerar herdeiro. A união foi sugerida pelo chanceler austríaco Klemens von Metternich, que buscava fortalecer a aliança entre França e Áustria. Para Maria Luísa, porém, o casamento foi difícil, pois ela desprezava Napoleão – a quem chamava "Krampus" e até mesmo "o Anticristo" – devido às derrotas que ele havia imposto ao seu pai, bem como esperava se casar com Francisco IV, Duque de Módena, o irmão mais velho de sua madrasta. O casamento por procuração entre Maria Luísa e Napoleão realizou-se em 11 de março de 1810 na Igreja Agostiniana, em Viena. Maria Luísa partiu da Áustria para a França em 13 de março. Em 1 de abril, o casamento civil foi realizado pessoalmente na Igreja de Saint-Jacques, em Compiègne, seguido por uma cerimônia religiosa numa capela temporária erguida no Salon Carré do Louvre, em Paris, no dia seguinte. Maria Luísa tornou-se Imperatriz dos Franceses e Rainha da Itália.
Maria Luísa resignou-se ao seu destino de imperatriz como uma espécie de sacrifício pessoal pela Casa de Habsburgo. O povo francês sempre lhe foi hostil, considerando-a uma nova autrichienne ("austríaca"), em referência à sua melancólica tia-avó Maria Antonieta. Os cortesãos também a desprezavam: Maria Luísa era muito tímida e não possuía o charme nem a desenvoltura da imperatriz Josefina e, ao contrário desta, preferia a intimidade à vida social parisiense. Metternich tentou influenciar a imperatriz a exercer algum controle sobre o marido e a direcioná-lo para uma política pró-austríaca, mas Maria Luísa não apenas não desejava agir dessa forma, como também era incapaz de fazê-lo. Criada no ambiente devoto de Viena, a imperatriz assistia à missa aos domingos e em vários feriados religiosos. Dentro dos limites permitidos pelo marido e sob o estrito controle do aparelho estatal, também participava de obras de caridade.
Sua posição melhorou quando nasceu, em 1811, o herdeiro do trono que Napoleão tanto desejava: Napoleão Francisco, nomeado rei de Roma ao nascer e, posteriormente, conhecido como "Napoleão II". Maria Luísa, como muitas outras soberanas antes dela, não teve a oportunidade de cuidar diretamente da criança; de fato, Napoleão já havia planejado sua educação e criação, deixando sua esposa de lado.
Durante sua campanha na Rússia, em 1813, Napoleão incumbiu Maria Luísa da regência pela primeira vez. Quando sua Áustria natal entrou na Sexta Coligação com a Grã-Bretanha, a Prússia e a Rússia contra a França, a animosidade popular contra ela atingiu um novo ápice. Maria Luísa passou a ser cada vez mais apontada como uma espiã austríaca, e os novos recrutas imperiais — que Napoleão queria convocar para reforçar o exército — eram chamados de marialuigini ("soldados de Maria Luísa"). Em 1814, foi nomeada regente pela segunda vez, pouco antes da derrota de Napoleão e da captura de Paris pela coalizão.
Após a abdicação de Napoleão em 1814, Maria Luísa decidiu não o acompanhar no exílio na ilha de Elba e regressou com o filho à Áustria, onde foi recebida com grande júbilo pelo pai. Sua avó, Maria Carolina, a rainha deposta de Nápoles que odiava Napoleão ficou indignada com a neta e aconselhou-a a juntar-se ao marido, "como uma esposa deveria". Por outro lado, foi recebida com alívio pela madrasta; no entanto, a imperatriz homônima não tinha muita simpatia pelo filho de Napoleão. Embora o achasse extremamente bonito, sua aparência sempre lhe fazia lembrar o pai, a quem detestava. Se dependesse dela, o menino teria se tornado padre mais tarde, para evitar problemas políticos.
Após a abdicação de Napoleão, Maria Luísa manteve o título de Imperatriz dos Franceses. No entanto, durante o Congresso de Viena, em 1815, esses arranjos foram revisados, e Maria Luísa passou a ser apenas Duquesa de Parma, Placência e Guastalla. Seu reinado terminaria com sua morte, e a sucessão passaria para um parente. Aqueles que eventualmente assumissem o título seriam anunciados em uma data posterior. Em 1817, decidiu-se que os ducados pertenceriam a um membro da Casa de Bourbon. Por outro lado, seu único filho com Napoelão recebeu o título de Duque de Reichstadt.
Em 8 de março de 1815, Maria Luísa foi informada da fuga de Napoleão da ilha de Elba. A ex-imperatriz sofreu um colapso emocional, temendo ser obrigada a retornar à França. Ela escreveu ao pai pedindo ajuda, que logo chegou por meio dos aliados. As potências reunidas no congresso declararam guerra a Napoleão imediatamente, e Maria Luísa esperava que ele fosse derrotado. Menos de um mês depois, em 18 de junho de 1815, Napoleão foi definitivamente derrotado na Batalha de Waterloo e posteriormente enviado para Santa Helena, onde faleceu em 5 de maio de 1821. Sobre a morte do ex-imperador, Maria Luísa escreveu: "Estou hoje em grande incerteza. A Gazzetta del Piemonte anunciou a morte do Imperador Napoleão de uma forma tão categórica que é quase impossível duvidar dela. Confesso que fiquei extremamente abalada com isso, porque, mesmo que nunca tenha nutrido sentimentos muito fortes por ele, não posso esquecer que ele é o pai do meu filho e que, longe de me maltratar como o mundo acredita, sempre me demonstrou toda a consideração — a única coisa que se pode desejar num casamento político. Fiquei, portanto, muito triste com isso e, embora se deva ficar feliz por ele ter terminado a sua infeliz existência de uma forma tão cristã, eu teria desejado-lhe muitos anos de felicidade e vida, desde que estivesse longe de mim. Sem saber qual é a verdade, instalei-me em Sala, não querendo ir ao teatro até que se saiba algo com certeza."