Neste Dia

Maria João Avillez

Jornalista portuguesa

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Maria João Pinto da Cunha de Avilez van Zeller GOIH (Lisboa, Campo Grande, 4 de fevereiro de 1945), jornalista, cronista e analista política portuguesa.

Maria Joao Avillez nasceu em Lisboa, no seio de uma família de origem aristocrática - nomeadamente, a família do avo paterno (Melo e Castro) detinha o titulo de Conde das Galveias, atribuido por D. Pedro II, e a da avo paterna (Avilez) o de Conde de Avilez, atribuido por D. Maria II.

Cresceu na casa familiar, com mais duas irmas - uma das quais seria a futura jurista e dirigente politica Maria José Nogueira Pinto -, o Palácio do Conde de Vimioso (por vezes também referido como Palácio Valença-Vimioso), situado ao cimo do Campo Grande (edifício classificado como Imóvel de Interesse Público, hoje afeto a um estabelecimento de educação).

Maria João Avillez teve a sua primeira experiência na comunicação social era ainda adolescente, com um programa chamado Olá Companheiros, transmitido na Rádio Renascença.

Pouco depois, com 17 anos, surgia na RTP, como elemento do Programa Juvenil - os outros intervenientes viriam a ser figuras destacadas das artes e da comunicação - Lídia Franco e Júlio Isidro - e ainda o futuro médico e professor João Lobo Antunes.

Entrara nesse programa na sequência de uma intervenção de Yvette Centeno, que era sua professora e, igualmente, uma colaboradora da RTP.

Em seguida fundava com um grupo de amigos o Companheiros e o AZ, dois jornais que acabaram por falta de financiamento.

Voltou à Rádio Renascença como locutora em programas juvenis e de leitura de poesia, passando depois a apresentar, na Emissora Nacional, o Programa Feminino.

Aos 28 anos, já casada com Francisco van Zeller, confirmou a sua carreira no jornalismo ao ser admitida como redatora estagiária em A Capital.

É ainda ao serviço desse título que obtém, no período imediatamente a seguir ao 25 de Abril de 1974 uma das primeiras entrevistas do então Primeiro-Ministro Vasco Gonçalves.

Sairia desse matutino no mesmo ano, já efetiva, para iniciar uma colaboração com o Expresso.

No semanário dirigido por Francisco Pinto Balsemão e, a seguir, por Marcelo Rebelo de Sousa - em cujo quadro acabaria por ingressar como redatora principal - desenvolveria um percurso que a levaria a notabilizar-se no jornalismo político, desde a cobertura dos eventos da revolução até à consolidação da democracia.

Aí começou por realizar uma reportagem sobre a manifestação de apoio ao General António de Spínola, de 28 de setembro de 1974, conhecida como iniciativa da Maioria Silenciosa.

Em 1981 a sua reportagem Sá Carneiro - o último retrato, publicada no semanário após a morte do então Primeiro-Ministro na Tragédia de Camarate, em dezembro de 1980, valeu-lhe o Prémio EFE (agência nacional noticiosa de Espanha), entre 350 candidaturas, para a Melhor Reportagem do Ano.

O desenvolvimento de sua investigação biográfica de Francisco Sá Carneiro daria origem ao seu livro Solidão e Poder, publicado em 1982.

De resto, a jornalista dedicaria vários trabalhos a outros líderes partidários dos primeiros anos da Democracia: publicou quatro livros dedicados a Mário Soares, de que consta uma biografia autorizada, intitulada Soares - o Presidente, em 1996; e sobre Álvaro Cunhal assinou Conversas com Álvaro Cunhal e outras lembranças de Maria João Avillez, de 2004.

Em Entre Palavras, em 1984, reuniu uma série de entrevistas realizadas por si ao longo de uma década, entre 1974 e 1984.

Em Portugal - as sete partidas do mundo, publicado em 2000, abordou a presença histórica e cultural de Portugal pelo mundo através de relatos jornalísticos de viagens a locais marcados pela influência portuguesa (como Goa, Malaca, Brasil e África), com fotografias do seu colega do Expresso Rui Ochôa, e prefácio de João Lobo Antunes.

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