Maria Isabel da Espanha (Madrid, 6 de julho de 1789 – Portici, 13 de setembro de 1848) foi a segunda esposa do rei Francisco I e Rainha Consorte das Duas Sicílias de 1825 até 1830. Era filha do rei Carlos IV da Espanha e de sua esposa, a princesa Maria Luísa de Parma.
Ela era a filha mais nova do rei Carlos IV da Espanha e sua esposa Maria Luísa de Parma. O nascimento de Maria Isabel coincidiu com a ascensão ao poder na Espanha do favorito de sua mãe, Manuel de Godoy. Os boatos da corte atribuíram a paternidade de Maria Isabel não ao rei, mas ao jovem Godoy, que se tornou o primeiro-ministro da Espanha em 1792.
A infância da infanta coincidiu com os eventos da Revolução Francesa e da turbulência política na Espanha. Filha mais nova sobrevivente de uma família numerosa, Maria Isabel, foi mimada pelos pais e sua educação foi rudimentar. Ela e os membros de sua família foram retratados por Francisco de Goya na pintura A Família de Carlos IV, de 1800-1801.
Em dezembro de 1800, Luciano Bonaparte chegou à Espanha como o novo embaixador francês. Por meio dele, a rainha Maria Luísa ofereceu Maria Isabel em casamento a Napoleão Bonaparte em abril de 1801. O então Primeiro Cônsul Napoleão estava casado com Josefina de Beauharnais por dois anos, mas havia sido sugerido que ele deveria se divorciar dela para casar com um princesa do sangue real. Napoleão tinha uma opinião negativa da Casa de Bourbon e comentou reservadamente: "Se eu tivesse que se casar novamente, nem sequer olharia esta casa em ruínas para meus descendentes".
Ansiosa para encontrar uma coroa para Maria Isabel, na primavera de 1801, sua mãe procurou casar-lá com seu primo paterno, o Duque da Calábria, o príncipe Francisco de Nápoles e Sicília, cuja esposa, a arquiduquesa Maria Clementina da Áustria, ainda estava viva mas muito doente, todavia esta morreria em novembro do mesmo ano.
A ideia veio do diplomata francês Alquier, que havia sido embaixador em Madrid e Nápoles. Seu plano era trazer o Reino de Nápoles, um aliado da Inglaterra e hostil à França, para a recém-formada aliança espanhol-francesa, propondo um casamento arranjado entre as duas famílias através de um casamento duplo. A infanta Maria Isabel e seu irmão mais velho, Fernando, Príncipe das Astúrias, se casariam com seus primos em primeiro grau, Maria Antônia de Nápoles e Francisco, Duque da Calábria. A rainha Maria Carolina de Nápoles, que odiava a França e desconfiava da Espanha por sua boa vontade em relação a Napoleão, se opôs ao casamento. A infanta Maria Isabel tinha apenas doze anos, mesmo numa época em que as princesas se casavam muito jovens, sua tenra idade era incomum para uma noiva. Mas seu casamento precoce foi justificado pela necessidade de garantir a retomada apressada de relações estreitas entre Espanha e Nápoles em um momento particularmente crítico para as cortes europeias, lutando com a política expansionista de Napoleão.
Os contratos dos dois casamentos foram assinados em Aranjuez, em abril de 1802. Em 6 de julho de 1802, em seu décimo terceiro aniversário, Maria Isabel se casou por procuração em Madrid com seu primo Francisco de vinte e cinco anos. Seu irmão Fernando representou o noivo na cerimônia. A família real espanhola viajou para Barcelona em 13 de agosto. Os dois casais se casaram pessoalmente em 4 de outubro, com a chegada de Francisco e sua irmã. As festividades duraram até 12 de outubro, quando Maria Isabel, agora conhecida em italiano como Maria Isabella, deixou Barcelona em direção a Nápoles.
Maria Isabel não provocou uma boa impressão ao chegar à corte de Nápoles. Todas as quatro filhas de Carlos IV (Carlota Joaquina, Maria Amália, Maria Luísa e Maria Isabel) eram baixas e simples. Ao contrário de suas irmãs, Maria Isabel tinha traços regulares, mas não aparentava ter treze anos. Ela foi descrita como "pequena e redonda como uma bola". Sua sogra, a rainha Maria Carolina, era íntima da primeira esposa de seu filho, que também era sobrinha. Ela teve uma primeira impressão desfavorável da jovem Maria Isabel, sobre quem escreveu:
Um rosto bonito, fresco e saudável, no mínimo Bourbon, mas branco e vermelho, com olhos negros. Ela é muito robusta e resistente, mas suas pernas são muito curtas. Lá se vai o seu exterior. O resto não pode ser descrito porque eu mesma não consigo compreendê-lo. Ela é nula em todos os aspectos, conhecimento, ideias, curiosidade. Nada, absolutamente nada. Ela fala um pouco de espanhol, mas nem italiano nem francês, e apenas monossílabos, sim ou não, indiscriminadamente. Ela sorri o tempo todo, esteja ela satisfeita ou não... A filha de Francisco de quatro anos tem muito mais inteligência. Francisco contratou mestres para ensinar-lhe o italiano e os rudimentos da geografia e da aritmética. Ela não sabe nada, exceto um pouco de piano. Eu tentei elogiá-la e animá-la. Ela não sente nada, ela ri. Ela é um autômato que pode adquirir certas atitudes, mas nunca uma maturidade real. Se eu fosse a mulher ambiciosa e intrigante que me dizem que sou, deveria estar encantada por ter uma tal nora que nunca se tornará nada, mas sou demasiado conscienciosa para isso. Eu tentei todos os meios para moldá-la como companheira de seu marido, mesmo que isso possa colocá-la contra mim. Acredite, esta criança é um presente de grego, pois ela não enobrecerá nem melhorará nossa estirpe. Toda a numerosa camarilha espanhola, todos os seus projetos e esquemas, receberam um golpe de nocaute com a chegada desta princesa e sua perfeita nulidade.
Ela tinha apenas quinze anos quando sua primeira filha, Luísa Carlota, nasceu em Portici em 24 de outubro de 1804. Ela também tinha uma enteada, a princesa Carolina, que se casaria com o príncipe francês Carlos Fernando, Duque de Berry, o segundo filho do rei Carlos X da França.
A vida de Maria Isabel foi profundamente marcada pelas ações de Napoleão. Temendo por sua coroa, o rei Fernando ingressou na Terceira Coalizão contra Bonaparte. As tropas de Napoleão derrotaram os exércitos aliados na Batalha de Austerlitz, em dezembro de 1805, e o corpo napolitano em Campo Tenese. Após essas vitórias, as forças de Napoleão ocuparam Nápoles em 1806. O imperador entregou a coroa de Nápoles a seu irmão José Bonaparte e, quatro anos depois, a seu cunhado Joaquim Murat.
Maria Isabel, com o resto da família real, teve que fugir de Nápoles para a Sicília em fevereiro de 1806. Apesar das tentativas sucessivas de Murat de invadir a ilha, o rei Fernando e Maria Carolina mantiveram seu status e poder na Sicília sob a proteção das tropas britânicas, mas seriam incapazes de desafiar o controle francês do continente italiano. O poder real na Sicília era exercido pelo Lorde William Bentinck, comandante das tropas britânicas na ilha. Bentinck estabeleceu uma constituição e privou Fernando de todo o poder.[carece de fontes?] O rei dedicou os anos seguintes a caça, visitando a capital Palermo apenas quando sua presença era requisitada.
Em 1812, Francisco, marido de Maria Isabel, foi nomeado regente. Maria Isabel não se envolveu nos complexos assuntos sicilianos da corte napolitana no exílio em Palermo. Francisco colidiu com a aristocracia da ilha, que se opôs a novos impostos para financiar a guerra contra a França, reivindicando mais autonomia. A rainha Maria Carolina foi exilada em sua terra natal, a Áustria, em 1813, onde morreu em 1814.
Em 1815, sob proteção austríaca, Fernando retornou a Nápoles. Ele suprimiu a constituição siciliana e unificou seus dois reinos no das Duas Sicílias em 1816, concedendo a Francisco o título de Duque da Calábria como herdeiro dos reinos unificados. Servindo como tenente na Sicília entre 1815 a 1820, Francisco e Maria Isabel permaneceram na Sicília, raramente visitando Nápoles.
Embora tenha deixado a Espanha em tenra idade, Maria Isabel permaneceu apegada à sua família e ao país de origem. No outono de 1818, ela visitou seus pais que viviam no exílio em Roma. Ela ainda estava com a mãe quando a rainha Maria Luísa morreu em janeiro de 1819. Maria Isabel foi fundamental para arranjar maridos para suas filhas, das quais quatro, de seis, casaram-se com infantes espanhóis. O primeiro desses casamentos ocorreu em abril de 1819 entre sua filha mais velha, Luísa Carlota, e o irmão mais novo de Maria Isabel, o infante Francisco de Paula da Espanha, em uma união entre sobrinha e tio.