Maria Filomena de Carvalho Godinho Mónica GCIP (Lisboa, 30 de janeiro de 1943) é uma socióloga e historiadora portuguesa, investigadora emérita do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.
Primeira mulher portuguesa a doutorar-se em Sociologia, é autora de uma extensa obra sobre a história social e política do Portugal contemporâneo, de biografias de figuras do século XIX, de livros de memórias e de crónicas publicadas na imprensa.
Licenciou-se em Filosofia pela Universidade de Lisboa em 1969. Em 1970 entrou, como bolseira-estagiária, para o Gabinete de Investigação Pedagógica da Fundação Calouste Gulbenkian, que lhe concedeu depois uma bolsa para estudar no estrangeiro. Admitida na Universidade de Oxford em 1971, doutorou-se em Sociologia em 1978, com uma tese sobre as políticas educativas do salazarismo, publicada nesse ano com o título Educação e Sociedade no Portugal de Salazar. Foi a primeira mulher portuguesa a obter um doutoramento em Sociologia.
Antes de concluir o doutoramento, a convite de Adérito Sedas Nunes, deu aulas de sociologia no ISCTE a partir de 1974. Integrou depois o Gabinete de Investigações Sociais, que esteve na origem do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, instituição a que ficou ligada durante o resto da sua carreira académica e de que é investigadora emérita.
Dedicou a sua carreira à investigação, sendo autora de uma vasta bibliografia de índole histórica e sociológica. Entre os seus temas destacam-se a educação (Educação e Sociedade no Portugal de Salazar, Os Filhos de Rousseau, A Sala de Aula), o mundo do trabalho e da indústria (Artesãos e Operários, Os Grandes Patrões da Indústria Portuguesa, O Tabaco e o Poder), a vida social (Os Pobres, Os Ricos, Vida Moderna) e a sociologia política, com obras como A Queda da Monarquia. A pedido da Assembleia da República, coordenou os três volumes do Dicionário Biográfico Parlamentar relativos ao período de 1834 a 1910.
É ainda autora de biografias de Eça de Queiroz, Cesário Verde, D. Pedro V e Fontes Pereira de Melo, e de estudos sobre famílias ligadas aos Açores, como Os Cantos e Os Dabney: Uma Família Americana nos Açores.
Paralelamente à atividade de investigadora, colaborou regularmente na imprensa, nomeadamente como cronista do Público e do Expresso, e foi coautora de séries para a televisão.
Em 2005 publicou as suas memórias, Bilhete de Identidade, relativas aos anos de 1943 a 1976. O livro causou polémica pela franqueza com que retratava a sociedade portuguesa e pessoas identificadas pelo nome.
Em 2013 foi-lhe diagnosticado um mieloma múltiplo, doença de que falou publicamente em entrevistas.
A 13 de fevereiro de 2025, foi agraciada com a Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública, que recebeu numa cerimónia realizada em sua casa a 3 de abril de 2025.
É filha do economista José António Mónica, funcionário da Direção-Geral de Saúde Pública, e de Maria Margarida da Conceição Carvalho. A mãe e a avó materna são as protagonistas do seu livro Duas Mulheres (2022).
Casou pela primeira vez, ainda menor, a 4 de abril de 1963, na Capela do Rato, em Lisboa, com Carlos Braamcamp Freire Pinto Coelho, piloto da aviação civil, de quem se separou judicialmente em dezembro de 1972 e se divorciou em 1976. Do casamento nasceram dois filhos, entre os quais a jornalista Sofia Pinto Coelho.
Viveu depois com o historiador Vasco Pulido Valente, através de quem conheceu o sociólogo António Barreto, com quem casou em 1995.
Educação e Sociedade no Portugal de Salazar (Presença, 1978)
A Escola e as Classes Sociais (Antologia) (Presença, 1981)
O Retrato da Lisboa Popular (Presença, 1982), em coautoria com António Barreto
O Movimento Socialista em Portugal (1875-1914) (Imprensa Nacional, 1985)
Artesãos e Operários (ICS-UL, 1986)