Maria Feodorovna (Estetino, 25 de outubro de 1759 – Pavlovsk, 5 de novembro de 1828), nascida Sofia Doroteia de Württemberg, foi a segunda esposa do imperador Paulo I e Imperatriz Consorte da Rússia de 1796 até 1801.
Nascida Duquesa Sofia Doroteia de Württemberg, era filha de Frederico II Eugénio, Duque de Württemberg e sua esposa Frederica de Brandemburgo-Schwedt. Pertencia a um ramo cadete da Casa de Württemberg e cresceu em Montbéliard, recebendo uma excelente educação, bem à frente do seu tempo. Em 1776, quando o grão-duque Paulo (futuro Paulo I da Rússia) enviuvou de sua primeira esposa, Sofia Doroteia foi escolhida por Frederico II da Prússia, seu tio-avô materno, e pela imperatriz Catarina II da Rússia, como a candidata ideal para a segunda esposa de Paulo. Eles se conheceram em um jantar de estado em Berlim e seu casamento foi rapidamente arranjado.
Sofia Doroteia chegou a São Petersburgo em setembro de 1776, converteu-se à Igreja Ortodoxa Russa e adotou o nome de Maria Feodorovna. A cerimônia de casamento teve lugar em 26 de setembro. Apesar do caráter difícil de seu marido, Maria Feodorovna fez de seu casamento um sucesso. Durante o longo reinado de sua sogra, a imperatriz russa Catarina II, Maria e Paulo foram completamente excluídas de qualquer influência política, pois mãe e filho desconfiavam um do outro. Maria Feodorovna ficou do lado do marido e perdeu o carinho inicial que Catarina II tinha por ela. Paulo e Maria foram forçados a viver isolados em Gatchina, mas eram devotados um ao outro e tiveram dez filhos, incluindo: os czares Alexandre I e Nicolau I da Rússia, a Grã-duquesa Maria de Saxe-Weimar-Eisenach, a rainha Catarina de Wurttemberg e a rainha Ana dos Países Baixos.
Em 1796, seu marido ascendeu ao trono russo e, durante seu reinado de quatro anos, Maria Feodorovna teve uma grande e benéfica influência sobre seu marido. Na noite do assassinato de Paulo I, Maria Feodorovna pensou em imitar o exemplo de Catarina II e reivindicar o trono, mas foi dissuadida por seu filho. Durante o reinado de seus filhos Alexandre I e Nicolau I, Maria Feodorovna se retirou para Gatchina e Pavlovsk, mas manteve a posição feminina mais alta na corte. Esse costume de precedência da imperatriz-viúva sobre a esposa do monarca reinante foi introduzido por ela e era exclusivo da corte russa. Ela superou as esposas de Alexandre I e Nicolau I, pois exercia considerável influência sobre os filhos. Maria Feodorovna também administrou todos os estabelecimentos de caridade e teve uma renda considerável. Ela foi tratada com grande respeito por todos os seus filhos que procuraram a ela por conselhos. Sua morte em 1828 foi profundamente lamentada, tanto pela família imperial e seus sucessores, quanto pelo povo russo que a considerava uma imperatriz modelo.
Maria Feodorovna nasceu em Estetino, Prússia, no dia 25 de outubro de 1759 como Sofia Maria Doroteia Augusta Luísa de Württemberg. Era filha do rei Frederico II Eugénio, Duque de Württemberg, e da sua esposa, Sofia Doroteia de Brandemburgo-Schwedt. Recebendo o nome da sua mãe, Sofia Doroteia, como era conhecida dentro da família, era a mais velha de oito crianças, cinco rapazes e três moças Em 1769, quando tinha 10 anos, a sua família passou a viver oficialmente no castelo de Montbéliard, que na altura pertencia ao Ducado de Württemberg e hoje está em território francês. O seu irmão mais novo, Alexandre de Württemberg foi o primeiro membro da família a nascer lá. Montbéliard fazia parte de um pequeno ramo da Casa de Württemberg, à qual ela pertencia. Era também um centro cultural, frequentado por muitas figuras intelectuais e políticas conceituadas da época. A residência de verão da família localizava-se em Étupes.
A educação da princesa Sofia foi melhor do que era normal de acordo com os padrões estabelecidos na altura e ela seria uma amante fervorosa das artes durante toda a sua vida. Com 16 anos ela já falava alemão, francês, italiano e latim. Quando fez 17 anos, Sofia Doroteia era alta, bonita, com bochechas rosadas e uma personalidade alegre. Era forte e carinhosa, pensativa e ingénua. Tinha sido educada de acordo com a moda e costumes franceses, como era normal na época, mas com a simplicidade alemã. As virtudes familiares eram valorizadas acima de tudo.
Em 1773, Sofia Doroteia encontrava-se entre o grupo de princesas alemãs consideradas como possíveis consortes para o czarevich Paulo da Rússia, filho da imperatriz Catarina II. Contudo, Sofia de Württemberg ainda não tinha 14 anos quando a princesa Guilhermina Luísa de Hesse e Reno, uma princesa mais matura, foi escolhida para noiva do czarevich russo.
Sofia ficou noiva do príncipe Luís de Hesse, irmão da primeira esposa de Paulo, mas quando o jovem herdeiro ao trono ficou viúvo em 1776, o rei Frederico II da Prússia sugeriu-a como a candidata ideal para ser a segunda consorte de Paulo. O noivo de Sofia recebeu uma compensação monetária quando se rompeu o noivado. Sofia tinha 17 anos e estava encantada com a perspectiva de se tornar Imperatriz da Rússia. Quando a sua mãe lamentou o destino trágico de alguns monarcas russos, Sofia respondeu que a sua única preocupação era marcar a sua posição no novo país com sucesso o mais depressa possível.
Catarina ficou encantada com a ideia. A princesa de Württemberg partilhava com a sua futura sogra o mesmo tipo de educação e também o mesmo nome original e local de nascimento. Frederico II arranjou o casamento e convocou Sofia a Berlim onde Paulo se juntou a ela. Encontraram-se pela primeira vez num jantar de estado, dado em honra da sua chegada a Berlim. Sofia esta ansiosa para o agradar, sabendo que os gostos de Paulo eram sérios, chegando a ser questionada sobre Geometria durante a primeira entrevista. No dia seguinte, Sofia escreveu uma carta a uma amiga onde declarava que estava loucamente apaixonada. Paulo estava contente com a jovem princesa, tal como ela estava com ele. Penso que a minha pretendente é exactamente como tinha sonhado, escreveu Paulo à sua mãe, Ela é alta, bem-constituída, inteligente, ágil e não é tímida de todo. As primeiras impressões de Sofia, não foram menos entusiastas. Estou mais do que satisfeita, escreveu ela. Nunca, minha querida amiga, poderia estar mais feliz. O grão-duque não podia ser mais gentil. Sinto-me orgulhosa pelo meu querido noivo me adorar tanto e isso faz-me sentir muito, muito sortuda.
Nos inícios do outono, Sofia tinha-se apaixonado profundamente pelo seu futuro marido. Não consigo ir para a cama, meu querido e adorado príncipe, sem te dizer mais uma vez que te amo e adoro loucamente, escreveu ela a Paulo.
Pouco depois de chegar a São Petersburgo nesse mês de setembro de 1, Sofia converteu-se à Igreja Ortodoxa Russa, assumindo o título de Grã-duquesa da Rússia e o nome de Maria Feodorovna. O casamento realizou-se no dia 26 de setembro de 1776.
Paulo era bastante feio e tinha uma personalidade difícil, mas Maria Feodorovna estava completamente satisfeita com o seu destino. O meu querido marido é um anjo perfeito e eu amo-o até à loucura, escreveu ela a uma amiga. Maria nunca mudou os seus sentimentos em relação a Paulo e, apesar de tudo o que aconteceu mais tarde, apesar das dificuldades e do carácter tirânico do marido, ela amava-o verdadeiramente.
Pelo menos no inicio, Catarina II estava encantada com a sua nora, sobre quem escreveu a uma amiga: Confesso que estou apaixonada com esta encantadora princesa, mas literalmente apaixonada. Ela é exactamente aquilo que se pode desejar: tem a figura de uma ninfa, uma complexidade de rosa, a pele mais maravilhosa do mundo, é alta e bem-constituída. É generosa. A doçura, a gentileza e a inocência estão reflectidas no rosto dela. Contudo a relação entre as duas não demorou a deteriorar-se. Naturalmente, Maria ficou do lado do marido durante uma discussão entre ele e a imperatriz e as suas boas intenções de acalmar a situação apenas agravaram as diferenças entre elas.
Em dezembro de 1777, Maria deu à luz a primeira de dez crianças, o futuro czar Alexandre I. Apenas três meses depois, Catarina II levou o recém-nascido consigo para o educar à sua maneira sem a interferência dos pais. Quando o casal teve um segundo filho em abril de 1779, Catarina fez o mesmo. Esta decisão não agradou a Maria, uma vez que os pais apenas tinham apenas direito a visitar os filhos uma vez por semana.