Maria Carolina (nome pessoal em alemão: Maria Karolina Luise Josepha Johanna Antonia; em italiano: Maria Carolina Ludovica Giuseppina Joana Antonia; Viena, 13 de agosto de 1752 — Viena, 8 de setembro de 1814 foi esposa do rei Fernando IV & III e Rainha Consorte da Sicília de 1759 até sua morte e Rainha Consorte de Nápoles em dois períodos, de 1759 até 1799, quando o marido foi deposto pela República Partenopeia, e de 1799 a 1806, quando Fernando foi novamente deposto por Napoleão Bonaparte. Maria Carolina faleceu no exílio em 1814, antes da unificação de Nápoles e da Sicília no Reino das Duas Sicílias, e, portanto, nunca deteve o título de rainha desse reino.
Nascida arquiduquesa da Áustria, foi a décima terceira filha de Francisco I do Sacro Império Romano-Germânico e da imperatriz Maria Teresa da Áustria. Casou-se em abril de 1768, aos dezesseis anos de idade, com o rei Fernando IV de Nápoles e III da Sicília, como parte de uma aliança com a Espanha, cujo rei era Carlos III, pai de Fernando. Como governante de facto dos reinos do seu marido, Maria Carolina supervisionou a promulgação de várias reformas, incluindo a revogação da supressão da Maçonaria, o fortalecimento da marinha com a ajuda do seu protegido John Acton, 6.º baronete, e a redução da influência espanhola. Era uma defensora do despotismo esclarecido até ao advento da Revolução Francesa, quando, para impedir a propagação de ideais liberais, transformou Nápoles num Estado policial. Após o nascimento de um herdeiro masculino em 1775, Maria Carolina passou a integrar o Conselho de Estado, no qual exerceu grande influência até 1812, ano em que regressou a Viena. Tal como a sua mãe, Maria Carolina empenhou-se em organizar casamentos vantajosos para os seus filhos.
Enquanto governante, Maria Carolina tornou Nápoles num centro das artes, financiando pintores como Jacob Philipp Hackert e Angelika Kauffmann, e académicos como Gaetano Filangieri, Domenico Cirillo e Giuseppe Maria Galanti. Horrorizada pelo tratamento dado à sua irmã Maria Antonieta pelos franceses, aliou-se à Grã-Bretanha e à Áustria durante as invasões napoleónicas. Como consequência de uma tentativa frustrada de Nápoles de conquistar Roma, ocupada pelos franceses, teve de fugir para a Sicília com o marido em dezembro de 1798. Um mês depois, a República Napolitana foi proclamada, repudiando o governo dos Bourbon em Nápoles por seis meses. Expulsa do trono pela segunda vez pelas tropas francesas em 1806, Maria Carolina morreu em Viena, em 1814, um ano antes da restauração do seu marido em Nápoles.
Nascida em 13 de agosto de 1752, no Palácio de Schönbrunn, em Viena, Maria Carolina foi a décima terceira filha do imperador Francisco I do Sacro Império Romano-Germânico e da imperatriz Maria Teresa da Áustria, sendo, contudo, a décima a alcançar a idade adulta. Os seus padrinhos foram o rei Luís XV da França e a sua esposa, Maria Leszczyńska. Maria Carolina era a filha que mais se parecia com a mãe e mantinha uma relação muito próxima com a sua irmã mais nova, a futura rainha da França, Maria Antonieta. Uma prova dessa proximidade é o facto de que, quando uma adoecia, a outra também adoecia.
Em 18 de agosto de 1765, em Innsbruck, durante as celebrações do casamento do arquiduque Leopoldo, o imperador sofreu um derrame e faleceu. Este acontecimento abalou profundamente todos os filhos de Francisco I e levou Maria Teresa a submeter-se a um rigoroso luto pelo resto da vida. A imperatriz nomeou o seu filho mais velho, o futuro imperador José II, como seu co-regente e passou a adotar uma postura de extrema rigidez em relação aos filhos mais novos. Se anteriormente os havia negligenciado devido ao excesso de trabalho, passou então a vigiá-los de perto, repreendendo-os constantemente e demonstrando frequente insatisfação com o seu comportamento. Nesse sentido, em agosto de 1767, Maria Teresa separou as duas irmãs, Maria Carolina e Maria Antonieta, até então educadas juntas pela condessa Marie von Brandis, devido ao seu mau comportamento.
Em outubro de 1767, a irmã de Maria Carolina, a arquiduquesa Maria Josefa, destinada a casar-se com o rei Fernando IV de Nápoles e III da Sicília como parte de uma aliança com a Espanha, morreu de varíola. Ansioso por preservar a aliança austro-espanhola, Carlos III da Espanha, pai do rei Fernando, solicitou que uma das irmãs de Maria Josefa a substituísse. Maria Teresa apresentou as Maria Amália e Maria Carolina à corte espanhola para que pudessem ser escolhidas. Uma vez que Maria Amália era cinco anos mais velha do que o seu filho, Carlos III optou por Maria Carolina, que reagiu muito mal ao seu noivado, chorando desesperadamente e afirmando que os casamentos napolitanos traziam azar. Contudo, os seus protestos não atrasaram os preparativos para o seu novo papel como rainha de Nápoles, conduzidos pela condessa de Lerchenfeld. Nove meses depois, em 7 de abril de 1768, Maria Carolina casou-se com o rei Fernando por procuração, sendo o seu irmão Fernando o representante do noivo.
A rainha de dezasseis anos viajou calmamente de Viena até Nápoles, fazendo paragens em Mântua, Bolonha, Florença e Roma ao longo do percurso. Entrou no Reino de Nápoles em 12 de maio de 1768, desembarcando em Terracina, onde se despediu dos criados austríacos. A partir de então, Maria Carolina viajou com o restante da sua corte, que incluía o seu irmão, o então grão-duque da Toscana e futuro imperador Leopoldo II, bem como a sua esposa, Maria Luísa da Espanha. Ao ver o marido pela primeira vez, em Pozzuoli, considerou-o "muito feio". Escreveu à condessa de Lerchenfeld: Não o amo, exceto pelo dever… Fernando também não ficou impressionado com ela, declarando, após a primeira noite juntos: Ela dorme como se estivesse morta e sua como um porco. A união, contudo, provou ser frutífera.
Fernando, que havia recebido uma educação deficiente do príncipe de San Nicandro, carecia da capacidade necessária para governar, dependendo em tudo dos conselhos do seu pai, o rei Carlos III da Espanha, que lhe eram transmitidos por intermédio de Bernardo Tanucci. Seguindo as instruções da sua mãe, Maria Carolina conquistou a confiança de Fernando ao começar a aprender a sua atividade preferida, a caça. Dessa forma, conseguiu obter acesso à administração do Estado, uma ambição que se concretizou plenamente com o nascimento de um herdeiro, Carlos, em 1775, facto que lhe garantiu um lugar no Conselho de Estado. Até então, Maria Carolina fora responsável pelo rejuvenescimento da corte napolitana, amplamente negligenciada desde o início da regência do seu marido. Académicos como Gaetano Filangieri, Domenico Cirillo e Giuseppe Maria Galanti, entre outros, frequentavam o seu salão.
A queda de Tanucci ocorreu após uma discussão com Maria Carolina a propósito da Maçonaria, à qual a rainha se havia filiado. Seguindo ordens de Carlos III, Tanucci restabelecera uma lei de 1751 que proibia a Maçonaria, em resposta à descoberta de um refúgio maçónico no seio do regimento real. Enfurecida, Maria Carolina expressou a sua opinião a Carlos III por meio de uma carta redigida pelo seu marido, dando a entender que a iniciativa partira dele, na qual afirmava que Tanucci estava a arruinar o país. Cedendo aos desejos da esposa, Fernando dispensou Tanucci em outubro de 1776, o que provocou um afastamento em relação ao pai. A nomeação do marquês de Sambuca, considerado um mero instrumento nas mãos de Maria Carolina, como seu substituto, representou o fim da influência espanhola em Nápoles, até então sua colónia em tudo, exceto no nome. Maria Carolina prosseguiu com os seus planos, promovendo diversas mudanças no seio da nobreza com o objetivo de substituir a influência espanhola pela austríaca. A antipatia que despertava entre a nobreza apenas se intensificou quando tentou retirar-lhes os seus privilégios.
Sem Tanucci no governo, a rainha passou a governar sozinha os Reinos de Nápoles e da Sicília, apoiada pelo seu favorito inglês, nascido na França, John Acton, 6.º baronete, a partir de 1778. Seguindo o conselho do seu irmão mais velho, o imperador José II, Maria Carolina e Acton restauraram a marinha napolitana, até então negligenciada, abrindo quatro novas academias navais e construindo cento e cinquenta navios de vários tamanhos. A marinha mercante também foi ampliada por meio de acordos comerciais com a Rússia e Génova. O rei Carlos III da Espanha, tendo declarado guerra à Grã-Bretanha em virtude da sua aliança com os Estados Unidos, ficou enfurecido com a nomeação de Acton para ministro da Guerra e da Marinha, pois acreditava que o seu candidato espanhol, dom António Otero, era mais digno do cargo, sobretudo por não ser inglês. Maria Carolina voltou a responder através de uma carta redigida pelo seu marido, explicando a Carlos III que Acton era filho de uma mulher francesa, não era inglês e que fora nomeado antes do início da guerra com a Grã-Bretanha. Os ataques de Carlos III contra Acton apenas contribuíram para reforçar a posição deste junto da rainha, que o nomeou marechal-de-campo.