Maria, também conhecida como Maria de Nazaré e chamada pelos católicos e ortodoxos de Virgem Maria, Santa Maria e Nossa Senhora, foi uma mulher judia do primeiro século de Nazaré, a filha de Joaquim e Ana, esposa de José e mãe de Jesus. Ela é uma figura importante do cristianismo, venerada sob vários títulos, como virgem ou rainha, muitos deles mencionados na Ladainha de Loreto. As igrejas Ortodoxa Oriental e Oriental, Católica, Anglicana, Metodista e Luterana acreditam que Maria, como mãe de Jesus, é a Mãe de Deus. A Igreja do Oriente historicamente a chamou pelo título "mãe de Cristo", um termo ainda usado na liturgia da Igreja Assíria do Oriente. Outras visões protestantes sobre Maria variam, com alguns considerando que ela tem um status menor. Ela tem a posição mais alta no islamismo entre todas as mulheres e é mencionada inúmeras vezes no Alcorão, inclusive em um capítulo com seu nome. Ela também é reverenciada na Fé Bahá'í.
Os evangelhos canônicos de São Mateus e São Lucas descrevem Maria como uma virgem (em grego: παρθένος; parthenos). Tradicionalmente, os cristãos acreditam que ela concebeu seu filho milagrosamente pela ação do Espírito Santo. Os muçulmanos acreditam que ela concebeu pelo comando de Deus. Isso ocorreu quando ela estava noiva de José e aguardava o rito do casamento, que tornaria a união formal. Ela se casou com José e o acompanhou a Belém, onde Jesus nasceu. De acordo com o costume judaico, o noivado teria ocorrido quando ela tinha cerca de 12 anos, o nascimento de Jesus aconteceu cerca de um ano depois.
O Novo Testamento começa o seu relato da vida de Maria com a anunciação, quando o anjo Gabriel apareceu a ela anunciando que Deus a escolheu para ser a mãe de Jesus. A tradição da Igreja e os apócrifos canônicos afirmam que os pais de Maria eram um casal de idosos, São Joaquim e Santa Ana. A Bíblia registra o papel de Maria em eventos importantes da vida de Jesus, desde o seu nascimento até a sua ascensão. Os apócrifos canônicos falam de sua morte e posterior assunção ao céu.
Os cristãos acreditam que Maria, como mãe de Jesus, é a Mãe de Deus Encarnado (Μήτηρ Θεοῦ) e a Teótoco ou a Deípara, literalmente a Portadora de Deus. Maria foi venerada desde o início do cristianismo. Ao longo dos séculos ela tem sido um dos assuntos favoritos da arte, da música e da literatura cristã.
Há uma diversidade significativa nas crenças e práticas devocionais marianas entre as grandes tradições cristãs. A Igreja Católica tem uma série de dogmas marianos, como a Imaculada Conceição de Maria e a Assunção de Maria. Os católicos referem-se a ela como Nossa Senhora e a veneram como a Rainha do Céu e Mãe da Igreja, baseados no fato dela ter sido a mãe de Jesus que, segundo os Dogmas do Cristianismo, é Deus. Contudo, outras denominações que acreditam na divindade de Cristo, como a dos protestantes, não compartilham dessas crenças, sem atribuir a ela tais títulos por conta das poucas referências bíblicas sobre sua vida.
O nome "Maria" vem do grego Μαρίας. O nome do Novo Testamento foi baseado em seu nome original em aramaico Maryām. Ambos, Μαρίας e Μαριάμ, aparecem no Novo Testamento.
Maria, a mãe de Jesus, é chamada pelo nome cerca de vinte vezes no Novo Testamento.
O Evangelho de Lucas menciona Maria frequentemente em relação aos outros evangelhos, identificando-a pelo nome doze vezes, todas elas na narrativa da infância (Lucas 1:27,30,34,38,39,41,46,56, Lucas 2:5,16,19,34).
O Evangelho de Mateus menciona seu nome por cinco vezes, quatro delas (Mateus 1:16,18,20, Mateus 2:11) na narrativa da infância e apenas uma vez (Mateus 13:55) fora da narrativa da infância.
O Evangelho de Marcos cita Maria apenas uma vez (Marcos 6:3) e a menciona como a mãe de Jesus, sem nomeá-la, em Marcos 3:31.
O Evangelho de João se refere a ela duas vezes e a descreve como mãe de Jesus, mas não a menciona pelo nome. Ela é vista pela primeira vez nas bodas de Caná da Galileia (João 2:1–12), um evento que só é mencionado neste evangelho e também é o único texto dos evangelhos canônicos em que Maria dirige a palavra a Jesus adulto. A segunda referência em João, também exclusivamente listada neste evangelho, descreve a mãe de Jesus junto à cruz de seu filho com o "discípulo amado" (João 19:25–26).
No livro dos Atos, Maria e os irmãos de Jesus são mencionados na companhia dos onze apóstolos que estavam reunidos no cenáculo, depois da ascensão (Atos 1:14).
No livro do Apocalipse (Apocalipse 12:1–6), João não identifica explicitamente a "mulher vestida de sol" como Maria de Nazaré. No entanto, alguns intérpretes fizeram essa conexão, outros interpretam a "mulher vestida do sol" como a Igreja instituída por Deus.
Segundo uma tradição católica, estima-se que a Virgem teria nascido a 8 de setembro, data em que a Igreja festeja a sua Natividade. Também é da tradição pertencer à descendência de Davi — neste sentido, existem relatos de Inácio de Antioquia, Santo Irineu, São Justino e de Tertuliano —, consta ainda dos Evangelhos Apócrifos, Evangelho do Nascimento de Maria e do Protoevangelho de Tiago. É também uma antiga tradição que remonta ao século II, que seu pai seria São Joaquim, descendente de David, e que sua mãe seria Sant'Ana, da descendência do sacerdote Aarão.
Alguns autores afirmam que Maria era filha de Eli, mas a genealogia fornecida por Lucas alista o marido de Maria, São José, como "filho de Eli". A Cyclopædia de M'Clintock e Strong diz:
Possivelmente por este motivo Lucas diz que José era filho de Eli (Lucas 3:23).
Pelo texto Caverna dos Tesouros, atribuído a Efrém da Síria, Ana (Hannâ ou Dînâ) era filha de Pâkôdh e seu marido se chamava Yônâkhîr. Yônâkhîr e Jacó eram filhos de Matã e Sabhrath. Maria nasceu sessenta anos depois que seu pai, São Joaquim, tomou Santa Ana por esposa.
De acordo com o costume judaico aos três anos, Maria teria sido apresentada no Templo de Jerusalém, é também da tradição que ali teria permanecido até os doze anos no serviço do Senhor, quando então teria morrido seu pai, São Joaquim.