Neste Dia

Marcos Roberto Silveira Reis

Ex-futebolista brasileiro

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Marcos Roberto Silveira Reis (Oriente, 4 de agosto de 1973), conhecido apenas como Marcos, é um ex-futebolista brasileiro que atuava como goleiro. Chamado de "São Marcos" devido às suas defesas consideradas "milagrosas", é considerado um dos maiores ídolos da história do Palmeiras e um dos maiores goleiros da história do futebol brasileiro. É conhecido também por ter sido decisivo em cobranças de pênaltis; com ao menos trinta defesas ao longo de sua carreira, detém o recorde de arqueiro com mais defesas em cobranças de pênaltis na história da Libertadores, com onze. Transcendendo sua forte identificação com o Palmeiras, conquistou a simpatia e a admiração de torcedores de times rivais no Brasil.

Marcos iniciou a sua carreira jogando pelas categorias de base do Lençoense até 1992, quando transferiu-se para o Palmeiras e tornou-se atleta profissional. O goleiro então passou a sua carreira toda como atleta do Palmeiras, ostentando a camisa alviverde até 2011. Inicialmente parte da reserva da equipe, virou titular definitivo em 1999, após lesão de seu antecessor, Velloso. Entre os títulos conquistados pelo clube, o mais importante foi a vitória da Libertadores da América de 1999, torneio que protagonizou e em que foi eleito o melhor jogador. Convivendo com muitas lesões ao longo de sua carreira, anunciou sua aposentadoria em janeiro de 2012, aos 38 anos de idade. Durante seu período no time alviverde, Marcos participou de 533 jogos, tornando-se o sétimo jogador com mais partidas disputadas pelo clube.

Jogando pela Seleção Brasileira, atuou em 29 jogos. Foi convocado pela primeira vez em 1996, mas tornou-se o titular da equipe apenas em 2001, quando Luiz Felipe Scolari assumiu o posto de técnico da Seleção. Viveu seu auge na Copa do Mundo FIFA de 2002, ajudando a equipe a conquistar seu quinto título mundial; Marcos participou de todos os sete jogos do Brasil no torneio, sem ser substituído. Também com a camisa da agremiação nacional, conquistou a Copa América de 1999 e a Copa das Confederações FIFA de 2005, embora como reserva.

Na sua vida fora dos gramados, Marcos é casado com a atriz Sônia Almeida e tem três filhos. Em 2011, abriu a Clínica São Marcos, centro de fisioterapia voltado para recuperação de atletas com dificuldades financeiras. Em 2017, lançou sua própria marca de cerveja, a Cerveja 12. Assumidamente palmeirense, o ex-goleiro é conhecido por aparecer na mídia em eliminações e derrotas do Palmeiras, e por provocar os rivais, seja quando estes perdem ou quando o Palmeiras vence.

Marcos Roberto Silveira Reis nasceu em Oriente, cidade localizada no interior do São Paulo, a 450 km da capital, no dia 4 de agosto de 1973. Filho de Ladislau Silveira Reis (morto em 2008), agricultor, e Antônia Reis (morta em 2020), é o caçula de seis crianças, três filhos e duas filhas. Antes de se profissionalizar como futebolista, trabalhou por pouco tempo na plantação de café do pai, depois em um almoxarifado de uma oficina, em uma fábrica de móveis e em uma usina de açúcar. Não permaneceu por muito tempo em nenhum desses cargos.

Seu primeiro contato com o futebol veio jogando com os seus irmãos Ladislau e Sergio (os mais velhos dos filhos) e amigos; por ser considerado ruim como jogador de linha, a contragosto viu-se forçado a jogar como goleiro. O primeiro time em que jogou foi o Erva Doce Futebol Clube, onde atuou como atacante. O treinador do time logo reparou que Marcos não era efetivo como jogador de linha, e o colocou no gol por conta de sua grande estatura. Marcos então juntou-se ao time de uma serraria, em que os irmãos mais velhos jogavam; destacou-se e transferiu-se para o Primavera FC, time da cidade que era patrocinado pelo supermercado local e que disputava competições regionais. Em 1991, após boas atuações pelo Primavera em um torneio, foi convidado pelo olheiro Antônio de Novaes, o Neno, para jogar pelas categorias de base do Lençoense, time do município de Lençóis Paulista.

Inicialmente contratado para ser o quarto reserva do Lençoense, Marcos chegou à titularidade graças ao seu bom desempenho. Jogando pelo Campeonato Paulista sub-20, o Lençoense foi vice-campeão, mas o goleiro chamou a atenção e foi convidado por Jorge Parraga, então olheiro do Corinthians, para fazer testes pela equipe sub-20 do Parque São Jorge. No fim de 1991, foi selecionado pelo alvinegro mas diversos fatores contribuíram para que não permanecesse em São Paulo e retornasse a Oriente apenas dois meses depois: o fato de se mudar para uma cidade grande como a metrópole paulista, saudades de sua terra natal, não gozar de prestígio no time (sendo apenas o terceiro goleiro) e não conseguir jogar a Copa São Paulo de Futebol Júnior de 1992 devido a problemas em sua documentação.

Raul Pratalli, na época treinador da equipe sub-20 do Palmeiras, estava à procura de jogadores para reformular seu elenco. Neno, amigo do treinador, indicou seis jogadores do Lençoense; entre eles, Marcos. Todos foram aprovados e contratados, mas, eventualmente, apenas o arqueiro permaneceu na equipe alviverde. Aos dezoito anos, estreou no time principal do Palmeiras; foi no dia 16 de maio de 1992, em um amistoso contra a Esportiva Guaratinguetá, vencido por seu time por 4–0. Depois desse jogo, Marcos então retornou ao sub-20, onde ajudou a equipe a vencer o Campeonato Paulista de Juniores, em julho. Voltou a atuar pela equipe principal apenas em 1996, quando já era o reserva imediato de Velloso, o goleiro titular. Em uma das partidas disputadas, em 19 de maio, contra o Botafogo-SP, pelo Campeonato Paulista, começou como titular, já que Velloso estava suspenso. Nela, o Palmeiras venceu por 4–0 e o arqueiro defendeu um pênalti no segundo tempo. Em novembro, durante um treinamento pelo Palmeiras, Marcos quebrou o tornozelo e teve que ficar sete meses fora de campo; voltou apenas em 1997, já com o Palmeiras sob o comando de Luiz Felipe Scolari. Entre 1997 e 1998, continuou como reserva, jogando apenas quando Velloso não podia jogar, seja por lesões ou suspensões.

Em março de 1999, às vésperas da quinta rodada da fase de grupos da Copa Libertadores da América, contra o Corinthians, Velloso contundiu-se em um treino e recebeu a notícia de que ficaria afastado por seis semanas. Marcos então foi escalado como titular para o jogo; o alvinegro venceu por 2–1. O Palmeiras avançou na competição com o arqueiro como titular, passando pelo Vasco da Gama nas oitavas de final. As partidas que solidificaram a titularidade de Marcos na meta palmeirense vieram nas quartas de final, novamente contra o arquirrival Corinthians. Na partida de ida, em 5 de maio, o Palmeiras venceu por 2–0, mas o goleiro foi o nome do jogo, realizando várias defesas e garantindo que o Palmeiras saísse do jogo sem sofrer gols. Uma semana depois, na partida de volta, os alvinegros venceram pelo mesmo placar e a partida foi para os pênaltis; o Palmeiras se classificou para as semifinais ao vencer por 4–2, com Marcos defendendo o pênalti do volante corintiano Vampeta. Graças às boas atuações contra o rival, recebeu a alcunha de "São Marcos". Nas semifinais, o Palmeiras pegou o River Plate; o primeiro jogo foi na Argentina, onde o Palmeiras perdeu por 1–0. Entretanto, Marcos evitou um placar mais largo com várias defesas ao longo do jogo. O Palmeiras venceu por 3–0 no jogo de volta e se classificou para a final, onde pegou o Deportivo Cali e sagrou-se campeão nos pênaltis. Ao final da competição, foi eleito o melhor jogador da Libertadores e a revelação do torneio continental. Com o ex-titular Velloso sendo transferido para o Atlético Mineiro, Marcos foi confirmado como o primeiro goleiro do Palmeiras. Em novembro, jogando pelo Copa Intercontinental, em partida única contra o Manchester United, da Inglaterra, Marcos não alcançou a bola em um cruzamento que resultou em gol para a equipe inglesa na metade do primeiro tempo. O Palmeiras não conseguiu empatar o jogo, e ficou com o vice-campeonato.

Já pela temporada de 2000, apesar de um interesse do Vasco da Gama, o arqueiro permaneceu na equipe paulista e foi o titular na campanha do Torneio Rio-São Paulo, onde o Palmeiras foi campeão, em março. Pela Libertadores, o Palmeiras avançou para a fase eliminatória e eliminou o Peñarol nas quartas de final nos pênaltis por 3–2, onde Marcos defendeu duas cobranças. Nas semifinais, novamente o Corinthians estava pelo caminho, novamente a classificação foi resolvida nas penalidades máximas, e novamente Marcos foi destaque, defendendo a última cobrança, feita por Marcelinho Carioca e garantindo a classificação do Palmeiras para mais uma final de Libertadores. Em 2001, novamente brilhou na Libertadores, desta vez na partida de volta das quartas de final, contra o Cruzeiro. Após os dois jogos terem terminado empatados, a vaga foi decidida nos pênaltis. Marcos defendeu três cobranças adversárias e classificou a equipe paulista, que venceu por 4–3.

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