Marcel "Marco" van Basten (Utreque, 31 de outubro de 1964) é um ex-futebolista neerlandês que atuava como centroavante. Amplamente considerado um dos maiores atacantes de todos os tempos, marcou 306 gols em uma carreira de alto nível, mas jogou sua última partida em 1993, aos 28 anos, devido a uma lesão que forçou sua aposentadoria dois anos depois. Anos mais tarde, trabalharia como treinador no Ajax e na Seleção Neerlandesa.
Em 1998, ficou em sexto lugar na votação da internet para Melhor Jogador do Século da FIFA e décimo na eleição do Melhor Jogador Europeu do Século realizada pela IFFHS. Também ficou em oitavo lugar em uma votação organizada pela revista francesa France Football, consultando vencedores da Bola de Ouro para eleger o Jogador de Futebol do Século.[carece de fontes?] Em 2004, foi nomeado por Pelé na lista FIFA 100. Ainda em 2004, uma votação para os 100 maiores holandeses foi realizada na Holanda: Van Basten ficou em 25º lugar, o segundo mais alto para um jogador de futebol, atrás de Johan Cruyff. Em 2007, a Sky Sports classificou Van Basten em primeiro lugar em sua lista de grandes atletas que tiveram suas carreiras interrompidas.
Seu pai havia sido jogador e estimulava os filhos a seguirem a mesma carreira. Apegado ao esporte, o jovem Van Basten, para se aperfeiçoar, costumava descrever em desenhos as jogadas de seus principais ídolos, de Johan Cruyff a Didier Six. Foi no clube de Cruyff, o Ajax, que ele debutou, em 1982.
Sua estreia não poderia ser mais simbólica: entrou em campo substituindo o próprio Cruyff e marcando gol. Não seria apenas naquela partida que o garoto iria substituir o maior craque do país, mas também no coração dos torcedores do Ajax e da Seleção Neerlandesa, pela qual estrearia já no ano seguinte.
Dono de uma grande noção de posicionamento, postura imponente e elegante, velocidade e espírito coletivo, além de um enorme faro de gol, Van Basten conquistou logo em sua primeira temporada profissional o Campeonato Neerlandês. Desde aquele tempo outros dois fatos já apareciam: sua amizade com o colega Frank Rijkaard e sua fragilidade, exposta em suas pernas longas e de poucos músculos, o que foi logo notado pelos zagueiros adversários. Com eles irritava-se com facilidade, começando a "retribuir" as pancadas que sofria. Acabou se dando mal: sua primeira lesão séria no tornozelo ocorreu quando tentou fazer uma falta em jogo da Eredivisie. Não conseguindo se dar bem ao tentar utilizar contra os outros a mesma violência que sofreu, resolveu responder os adversários com humilhações em campo.
Com o Ajax, foi novamente campeão nacional, e também da Copa dos Países Baixos, em sua segunda temporada, a última de Cruyff como jogador do clube. Um terceiro título na Eredivisie viria em 1985, e o ano seguinte seria marcado por dois triunfos: nova conquista na Copa dos Países Baixos e o retorno de Cruyff, como técnico. Na temporada 1986–87, quatorze anos após seu último título na Copa dos Campeões da UEFA, o Ajax aproximou-se novamente de um título continental, ao chegar à final da Recopa Europeia, então o segundo torneio interclubes de maior prestígio no continente. Antes da partida, contra os alemães-orientais do Lokomotive Leipzig, ouviu dizeres nada sutis do treinador Cruyff: "se você não vencer, eu destruo você". Levando ou não a sério as palavras do técnico, Van Basten marcou cedo, aos 21 minutos do primeiro tempo, o único gol da partida, garantindo o título.
A conquista foi seu ápice no Ajax, pelo qual vinha sendo artilheiro do campeonato neerlandês desde 1984. Com isso, chamou a atenção do Milan, tradicional equipe italiana que vinha se reerguendo após momentos ruins no início da década, o que incluíra duas passagens na segunda divisão.
O clube também contrataria um compatriota, Ruud Gullit. Os dois não demorariam a se consagrar nos rossoneri: na primeira temporada de ambos, trariam o Scudetto de volta ao time, encerrando um jejum de nove anos, com Van Basten marcando no jogo que praticamente definiu o campeonato: uma vitória fora de casa contra o concorrente direto, o Napoli de Diego Maradona. A dupla viraria um trio com a chegada de novo reforço vindo dos Países Baixos, seu ex-colega de Ajax Frank Rijkaard. O final da temporada seria coroado com inédito título dos Países Baixos na Eurocopa e com o craque recebendo sua primeira Bola de Ouro como melhor jogador do continente.
Embora já sofresse com seus tornozelos no Milan, foi no clube italiano que se consagraria mundialmente. Em sua segunda temporada, ajudaria a equipe a quebrar outro jejum, que completava vinte anos: o de título na Copa dos Campeões da UEFA. Até então, o Milan dividia com a rival Internazionale o posto de time italiano que mais venceu a competição (duas conquistas). Pois Van Basten e Gullit deixariam o Milan como líder isolado nessa escala: ambos marcariam cada um duas vezes na final, em goleada de 4 a 0 sobre o Steaua Bucareste, base dos bons elencos que a Seleção Romena teria nos anos 90. O feito lhe rendeu sua segunda Bola de Ouro seguida.
Na temporada seguinte, a de 1989–90, o trio neerlandês se consagraria ainda mais com o bicampeonato na Copa dos campeões europeu conseguiu ser duas vezes seguidas campeão do mais importante torneio interclubes da Europa. Para completar, Van Basten finalmente conseguiria a artilharia na Serie A, embora o título tenha ficado com o Napoli de Maradona.
O pequeno jejum no campeonato italiano terminaria em 1992, com ele novamente sendo o artilheiro da liga. Com isso, recebeu sua terceira Bola de Ouro, igualando Johan Cruyff e Michel Platini. Apesar disso, o fim de sua carreira estava próximo. Sua última temporada foi a posterior, a de 1992–93. O Milan foi novamente campeão italiano e tinha a chance de conquistar novamente a Copa dos Campeões, mas o título foi perdido para o Olympique de Marseille. Seria seu último jogo: seus tornozelos estavam acabados, vítimas de tantos anos de pancadas e de cirurgias infelizes. A despeito de um torcedor ter lhe oferecido a própria cartilagem do tornozelo, isso não seria suficiente para retomar a carreira. A melhor solução, o implante de uma prótese, já o impediria de caminhar normalmente. No desespero, Van Basten tentou, sem solução, até utilizar curandeiros.
A gravidade de suas lesões eram tamanhas que nem mesmo um jogo comemorativo pôde ser feito, uma vez que mal podia correr. Em 1995, sem jogar havia dois anos, desistiu da luta e resolveu se assumir como um ex-jogador. Com apenas 30 anos, esforçando-se para não chorar, deu, vestido à paisana, uma volta olímpica no estádio San Siro, para se despedir dos torcedores do Milan. Comoveu até o durão então técnico do clube, Fabio Capello, que não conseguiu segurar as lágrimas. Mesma comoção teve o presidente Adriano Galliani, que declararia ter perdido o seu Leonardo da Vinci. Seu sucessor como artilheiro ali, o liberiano George Weah, faria questão de dizer que "Todo mundo, inclusive eu, quer ser como Van Basten".
Debutou pelos Países Baixos credenciado pelo título neerlandês em sua primeira temporada no Ajax. A Oranje, órfã da brilhante geração bivice-campeã mundial na década anterior, ainda demoraria a recuperar-se, não se classificando para as Copas do Mundo FIFA de 1982 e 1986 e para a Eurocopa 1984. A virada ocorreria na Eurocopa 1988.
Apesar do título italiano logo em sua primeira temporada no Milan, Van Basten ainda não havia se consagrado totalmente, uma vez que esteve lesionado a maior parte da temporada, o que quase lhe custou sua presença na Euro. Entrou na segunda partida, contra a Inglaterra, e marcou três gols, humilhando o defensor adversário Tony Adams, ícone do Arsenal. O zagueiro posteriormente agradeceria Van Basten, dizendo que as pesadas críticas que sofreu após a partida o estimulou a se aperfeiçoar. Declaração semelhante viria do alemão Jürgen Kohler após a semifinal, em que os Países Baixos conseguiram vingar-se da mesma Alemanha Ocidental que lhe tirara o título na Copa do Mundo FIFA de 1974. Novamente anfitriã do torneio, foi a vez dos germânicos perderem de virada por 2 a 1; Van Basten marcou o gol da vitória a dois minutos do fim da partida.