Neste Dia

Marco Nanini

Ator brasileiro

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Marco Antônio Barroso Nanini (Recife, 31 de maio de 1948) é um ator, diretor e escritor brasileiro. Sua carreira iniciou no final da década de 1960 no teatro, onde se destacou nas comédias e, mais tarde, tornou-se popular por seus papéis na televisão e no cinema. Os seus prêmios incluem dois Prêmios APCA, três Prêmios Guarani, seis Prêmios Qualidade Brasil e um Prêmio Shell.

A carreira de Nanini começou nos palcos, após estudar no Conservatório Nacional de Teatro, em Salomé (1968). No mesmo período, estreou na televisão com um pequeno papel na novela A Ponte dos Suspiros (1969) e logo chamou atenção para integrar a trupe de comédia liderada por Dercy Gonçalves, com quem se apresentou por todo o país. Ao longo dos anos seguintes, Nanini foi construindo nos palcos uma carreira com destaque para as comédias e sátiras. Ao mesmo tempo, realizou trabalhos importantes na televisão na década de 1970, sobretudo nas novelas, como em O Cafona (1971), A Patota (1972), Carinhoso (1973), Pecado Capital (1975) e Feijão Maravilha (1979).

Nanini consagrou-se como um dos maiores atores de sua geração na década de 1980 com trabalhos importantes. Ele foi aclamado pela peça de teatro dramática Mão na Luva (1984), pela qual recebeu prêmios importantes, incluindo o Prêmio Molière. Na televisão, esteve no elenco principal da telenovela Um Sonho a Mais (1985) na pele de personagens duplos, Jurandir e Florisbela Freire. Em 1986, estreou, ao lado de Ney Latorraca, a peça O Mistério de Irma Vap, que entrou para o Guinness Book como a peça que manteve o mesmo elenco por mais tempo em cartaz. No ano seguinte, teve destaque ao atuar na novela Brega & Chique, sendo indicado a um Troféu Imprensa; em 1999 Nanini voltou a ser indicado ao prêmio, desta vez por seu papel como protagonista de Andando nas Nuvens. Ainda na década de 1990, Nanini ingressou em diversos humorísticos, como A Comédia da Vida Privada (1995–97), e a partir dos anos 2000, protagonizou a segunda versão da sitcom A Grande Família (2001–14) como Lineu Silva.

No cinema, sua estreia foi como um dos protagonistas do filme de pornochanchada As Moças Daquela Hora (1974). No entanto, seus principais trabalhos ocorreram a partir da década 1990. Colaborou com a cineasta Carla Camuratti em três de seus trabalhos importantes no cinema, atuando como Dom João VI na comédia satírica Carlota Joaquina, Princesa do Brasil (1995), papel que lhe rendeu um Prêmio Guarani, Alberto na comédia dramática Copacabana (2001) e Tony/Cleyde na comédia Irma Vap: O Retorno (2006). Voltou a ganhar o Prêmio Guarani por seus papéis nos filmes O Auto da Compadecida (2000) e Greta (2019). Na televisão, após catorze anos da série A Grande Família, voltou a atuar em telenovelas em 2016 como o professor Pancrácio de Êta Mundo Bom!. Posteriormente, atuou como o rei Augusto de Lurton em Deus Salve o Rei (2019) e o malandro desempregado Eusébio em A Dona do Pedaço. Em 2023, protagonizou a minissérie João Sem Deus: A Queda de Abadiânia, como um médium acusado de praticar crimes contra seus fiéis, papel que lhe rendeu a indicação ao Prêmio Grande Otelo de Melhor Ator de Série de Ficção.

Marco Antônio Barroso Nanini nasceu em Recife, capital de Pernambuco, em 31 de maio de 1948, filho de Maria Esmeralcy de Moraes Guerra e Dante Nanini, este filho de imigrantes italianos. Seu pai era gerente de hotéis e a família mudou-se quatro vezes de cidade durante sua infância. Quando tinha seis anos, em 1954, mudou-se para Manaus com seus pais e o irmão mais velho, José Alberto, pois seu pai foi convidado a trabalhar em um hotel de luxo no Amazonas. Foi neste ambiente que ele teve seu primeiro encantamento com o teatro, conhecendo o improvisado teatro Maloca dos Barés e encontrando artistas nos corredores do hotel. Mais tarde, mudou-se para Belo Horizonte e, depois, para o Rio de Janeiro, onde fixou sua residência aos dez anos de idade também morando em um quarto de hotel.

Na adolescência, frequentou o grupo de teatro da Igreja de Santa Teresinha do Menino Jesus, no bairro de Botafogo, onde passou um tempo acompanhando os ensaios do local até ser convidado para interpretar o bruxo da peça O Bruxo e a Rainha, em 1964. Nesse período, conheceu o ator Pedro Paulo Rangel, que tornou-se um grande amigo. Juntos, prestaram vestibular para ingressar no Conservatório Nacional do Teatro (atualmente vinculado à UNIRIO), e foram aprovados. O processo de seleção incluía a encenação de um texto clássico e Nanini escolheu Antígona, sendo aprovado pela banca composta por Gianni Ratto, Maria Clara Machado e a temida crítica teatral Barbara Heliodora, que na época era diretora do Conservatório.

Em 1969, ao concluir seus estudos, foi convidado pelo ator Dary Reis, que havia lhe dado aula no Conservatório, para substituir um ator na famosa trupe de teatro de Dercy Gonçalves, que já era muito conhecida no país inteiro. Com o grupo, viajou pelo Brasil e adquiriu muitas experiências. Ele conta que, com Dercy, aprendeu uma das principais lições de sua carreira: dominar a técnica do improviso em cena.

Primeiros projetos e avanços (1968—1980)

Nanini saiu do Conservatório Nacional de Teatro para atuar na peça Salomé, de Oscar Wilde, em 1968, sendo esta uma de suas primeiras experiências profissionais. No mesmo ano, integrou o Teatro Novo com a peça Ralé, de Máximo Gorki, sendo dirigido por Gianni Ratto. O grupo foi encerrado e Nanini passou a viajar ao lado de Milton Carneiro, como um mambembe, até ser contratado pela trupe de Dercy Gonçalves, onde ficou por um ano. Ao lado de Dercy, estrelou peças, entre elas A Viúva Recauchutada (1969) e A Gatatarada (1970). Nesta época, em 1969, fez sua estreia na televisão na novela A Ponte dos Suspiros, de Dias Gomes, atuando como figurante nas cenas de luta de esgrima. Nanini chamou atenção da direção e foi convidado para ter um papel um pouco maior, passando a interpretar um soldado na trama. A partir da década de 1970, tornou-se popular no teatro, trabalhando com os principais diretores e atores de cena nacional, principalmente nas comédias e nos musicais.

Na televisão, retornou em 1971 na telenovela O Cafona, de Bráulio Pedroso, como Julinho, um jovem cineasta e integrante de uma comunidade hippie. No ano seguinte, atuou na novela A Patota, de Maria Clara Machado como o professor Simões, e O Primeiro Amor, de Walther Negrão, como o simpático e generoso Rui, um dos quatro filhos do protagonista. Ele teve papéis de destaque nas peças A Pequena Notável (1972), ao lado de Marília Pêra, e Cordão Umbilical (1972), de Mário Prata. Mas foi em 1973 que alcançou o grande sucesso inicial de sua carreira em As Desgraças de uma Criança, de Martins Pena, interpretando o soldado Pacífico. Neste trabalho conheceu as atrizes Camila Amado e Marieta Severo, que viriam a ser suas grandes amigas. No mesmo ano, esteve na novela Carinhoso, de Lauro César Muniz, como o jardineiro Faísca, um romântico sonhador que é apaixonado platonicamente pela protagonista Cecília, interpretada por Regina Duarte. Em 1974, esteve na adaptação brasileira de Pippin, dirigida por Flávio Rangel, e também fez sua estreia no cinema em As Moças Daquela Hora, pornochanchada dirigida por Paulo Porto, como Luizinho.

Em 1975, Nanini atuou em três telenovelas diferentes. Em Pecado Capital, de Janete Clair, interpretou o esnobe e arrogante Vinícius, um dos filhos do viúvo rico Salviano (Lima Duarte), que contraria seu casamento com uma moça operária. Na adaptação A Moreninha, baseada no livro homônimo de Joaquim Manuel de Macedo, como o poeta e romântico Felipe, irmão da protagonista Carolina (Nívea Maria). Ele é um jovem que estuda medicina mas sonha em largar o curso para estudar direito. Em Gabriela, adaptação do romance de Jorge Amado, atuou como o professor de literatura Josué, um homem tímido que vive um romance tórrido com a mulher de um dos coronéis de Ilheús. No teatro, encenou Pano de Boca de Fauzi Arap. Em 1976, esteve em O Feijão e o Sonho, de Benedito Ruy Barbosa, interpretando o barbeiro inteligente Oficial na terceira fase da trama. Foi dirigido por Bibi Ferreira na peça Deus lhe Pague, de Joracy Camargo, atuando com Marília Pêra, Clarisse Abujamra e Walmor Chagas. No ano seguinte, após fazer uma participação na série Sítio do Picapau Amarelo, foi contratado pela TV Tupi para ser um dos protagonistas da telenovela Um Sol Maior, de Teixeira Filho, interpretando Lauro.

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