Beato Marcelo Spínola y Maestre (San Fernando (Cádis), 14 de janeiro de 1863 – Sevilha, 20 de janeiro de 1906) foi um clérigo espanhol, atuando como arcebispo de Sevilha e cardeal da Igreja Católica.
Spínola y Maestre nasceu na Ilha de São Fernando, Diocese de Cádiz, segundo dos oito filhos de Juan Spínola y Osorno, Marquês de Spínola e capitão de fragata, e Antonia Maestre y Osorno. Como filho primogênito, herdaria o marquesado; quatro de seus irmãos morreram na infância. Foi batizado na paróquia militar de San Fernando pelo capelão militar do segundo batalhão do Real Cuerpo de Artillería de la Marina e recebeu os nomes de Marcelo Rafael José María de los Dolores Hilario. Seu sobrenome também consta como Espínola.
Estudou na escola de San Fernando, dirigida por padres (1843-1835); no Colégio Santo Tomás, em Cádiz (gramática latina, espanhola e francesa e filosofia básica); na escola de Motril, para onde o pai havia sido transferido (matemática); em uma escola em Granada (física, química e história natural); ano de ampliação ou "pré-curso" em Valência (história da filosofia e literatura latina e espanhola); na Universidade de Valência (primeiros três anos de direito); e na Universidade de Sevilha (licenciatura in utroque iure em direito canônico e civil, 29 de junho de 1856).
Em Huelva, Marcelo abriu um escritório de advocacia, oferecendo serviços gratuitos aos pobres; mais tarde, mudou-se para Sanlúcar de Barrameda quando seu pai foi transferido para aquela cidade como chefe do porto. Após decidir seguir sua vocação sacerdotal, estudou teologia e moral em casa, de forma particular, como aluno externo no seminário de Sevilha. Recebeu a tonsura eclesiástica em 29 de maio de 1863, na igreja das freiras de Santa María de las Dueñas, Sevilha, de Calixto Castillo y Ornedo, bispo auxiliar de Sevilha e bispo eleito de Leão; as ordens menores no dia seguinte, do mesmo bispo; e então o subdiaconato em 19 de dezembro de 1863 e o diaconato em 20 de fevereiro de 1864.
Ordenado padre em 21 de março de 1864, na capela do palácio arquiepiscopal de Sevilha, por Luis de la Lastra y Cuesta, arcebispo de Sevilha. Exerceu ministério pastoral na arquidiocese de Sevilha (1864-1869), capelão da igreja de la Merced, Sanlúcar de Barrameda; cônego do cabido da catedral de Cádiz (1869-1871). Pároco de San Lorenzo de 17 de março de 1871 a 28 de maio de 1879.
Trabalhou com as irmandades da Semana Santa, particularmente com a de Nosso Pai Jesus de Grande Poder, da qual foi capelão até sua morte, deixando o cargo apenas quando serviu como bispo em Cória e Málaga. Ele também foi arcipreste e se destacou por uma série de iniciativas apostólicas em setores marginalizados da sociedade, dedicadas à formação religiosa e humana de seus paroquianos, com a ajuda de um grupo de catequistas, entre as quais estava a Irmã Ángela de la Cruz Guerrero.
Cônego penitenciário do cabido da catedral de Sevilha (1879-1880). Dom Marcelo continuou seu trabalho pastoral como confessor na paróquia de La Magdalena, localizada perto do centro de Sevilha.
Considerando suas qualidades e altas conexões familiares, em 1980, o Cardeal Joaquín Lluch y Garriga, Arcebispo de Sevilha, solicitou ao Papa Leão XIII sua nomeação como bispo auxiliar. Marcelo foi eleito bispo titular de Milos e bispo auxiliar de Sevilha em 16 de dezembro de 1880. Consagrado em 6 de fevereiro de 1881, na catedral de Sevilha, pelo Cardeal Lluch y Garriga, OCC, assistido por Manuel María Gozán y Sánchez, bispo de Jaén, e Mariano Miguel Gómez Alguacil y Fernández, bispo de Vitória. Seu lema episcopal era Omni possum in eo.
Após a morte do arcebispo Lluch, houve vários pedidos de párocos e pessoas importantes de Sevilha para que Spínola fosse escolhido em seu lugar; no entanto, o dominicano Zeferino González y Díaz-Tuñón foi escolhido e Spínola não aceitou continuar como seu assistente. Diante disso, Leão XIII o transferiu para a diocese de Cória em 10 de novembro de 1884. Viajou extensivamente pela pequena diocese, uma das mais pobres da Espanha, a qual consagrou ao Sagrado Coração de Jesus, e escreveu cerca de oitenta cartas e exortações pastorais. Promoveu a renovação moral de Cória, regulamentando a disciplina e o ensino no seminário, além da administração diocesana. Também fundou as Escravas do Divino Coração, em 26 de junho de 1885, na companhia da marquesa viúva de Puebla de Obando, Celia Méndez y Delgado. O próprio fundador a aprovou em 17 de junho de 1887.
Transferido para a diocese de Málaga em 10 de junho de 1886. Apesar de sua saúde frágil, realizou inúmeras atividades; promoveu especialmente a educação religiosa e moral de crianças e jovens por meio das diversas instituições e associações, muitas das quais foram restabelecidas após a revolução de 1868, enquanto outras foram criadas e organizadas durante seu episcopado. Senador pela Arquidiocese de Granada em 1891, 1893, 1894-1895; Senador por direito em 1899-1900, 1900, 1901, 1902, 1903-1904, 1904-1905, 1905-1907.
Quando Sevilha ficou vacante novamente, o clero e a alta sociedade renovaram seus pedidos por Spínola; então, por fim, ele foi promovido à sé metropolitana de Sevilha em 2 de dezembro de 1895. Apesar de ser chamado de fundamentalista e carlista, ele se manteve distante de qualquer partido político, concentrando-se exclusivamente em seu ministério pastoral. Porém, em 1899, foi envolvido em uma questão de oposição ao regime constitucional. Dom Marcelo obteve da Santa Sé, em 1897, a elevação do seminário de Sevilha à categoria de Universidade Pontifícia; também garantiu o legado do Palácio de San Telmo da Duquesa de Montpensier, que foi inaugurado como seminário no ano letivo de 1901-1902. Fundou o jornal El Correo de Andalucía, lançado em 1º de fevereiro de 1899, com um editorial afirmando que o jornal não era “nem carlista nem integrista, mas eminentemente católico e informativo”. Em 1904, realizou a Primeira Assembleia Nacional da Boa Imprensa em Sevilha. Em 1905, durante uma terrível seca, ele organizou cozinhas comunitárias e saiu às ruas, pedindo esmolas para os pobres.
Dom Spníola foi criado cardeal-presbítero no consistório de 11 de dezembro de 1905. Recebeu a brietta vermelha do rei Afonso XIII de Espanha em 31 de dezembro de 1905.
Contudo, o arcebispo faleceu antes de ir a Roma para receber o barrete cardinalício e o título, em 20 de janeiro de 1906, em Sevilha. Exposto no Salón San Fernando, no palácio arquiepiscopal. Recebeu as honras de capitán general. Sepultado na cripta do Sagrario, na catedral metropolitana de Sevilha. Em 24 de janeiro de 1913, seus restos mortais foram transferidos para um novo mausoléu construído na capela de Nossa Senhora das Dores, na mesma catedral. Seu monumento funerário foi obra do escultor Joaquín Bilbao Martínez.
O processo ordinário para a sua beatificação iniciou-se em 14 de maio de 1927, em Sevilha. O decreto sobre documentos foi dado pela Santa Sé em 25 de março de 1945, enquanto a introdução da causa aconteceu em 19 de fevereiro de 1956, sob o Papa Pio XII, tornando-o Servo de Deus. Em sequência, o decreto «non cultu» foi dado em 24 de janeiro de 1958.
A Santa Sé validou os processos informativos e apostólicos em 20 de abril de 1968. Dez anos depois, o dossiê Positio foi publicado. Em 1983, aconteceram o congresso de consultores teológicos e a sessão ordinária de cardeais e bispos, seguidos pelo decreto sobre as virtudes heroicas do Cardeal Spínola em 24 de setembro de 1983.
O inquérito diocesano sobre o milagre para a beatificação foi validado pela Santa Sé em 24 de maio de 1985. Em 1986, aconteceram a reunião do Conselho Médico, o congresso de consultores teológicos e a sessão ordinária de cardeais e bispos. João Paulo II promulgou o decreto sobre milagres em 10 de novembro de 1986. Foi beatificado em 29 de março de 1987, na Basílica de São Pedro, pelo Papa João Paulo II. Sua festa é celebrada em 19 de janeiro.
Sua causa de canonização continua. O inquérito diocesano sobre o milagre para a canonização transcorreu na Diocese de Jaén, entre 2011 e 2013.==Referências==