María Corina Machado Parisca (Caracas, 7 de outubro de 1967) é uma política e ativista venezuelana, integrante da oposição aos governos de Hugo Chávez, Nicolás Maduro e Delcy Rodríguez. Engenheira industrial com mestrado em finanças, fundou a organização de fiscalização eleitoral Súmate e tornou-se coordenadora nacional do partido Vente Venezuela. Foi deputada da Assembleia Nacional da Venezuela de 2011 a 2014 e recebeu o Nobel da Paz de 2025.
Disputou as primárias presidenciais da oposição em 2012, vencidas por Henrique Capriles, e participou da organização dos protestos contra Maduro em 2014. Venceu as primárias oposicionistas de 2023, mas foi impedida de concorrer à eleição presidencial de 2024 por uma inabilitação administrativa de quinze anos, confirmada pelo Supremo Tribunal de Justiça venezuelano. As autoridades relacionaram a medida a supostas infrações administrativas e fiscais de sua atuação parlamentar. Machado e a oposição contestaram a decisão.
Depois da impossibilidade de registrar sua substituta, Corina Yoris, apoiou a candidatura de Edmundo González Urrutia. A oposição reuniu atas de votação que apontavam a vitória de González, enquanto o governo declarou Maduro vencedor. Machado passou a viver escondida depois da eleição, afirmando temer por sua vida e sua liberdade. Após a captura de Maduro pelas forças estadunidenses em janeiro de 2026, pediu que González assumisse a Presidência. No mesmo mês, entregou ao presidente Donald Trump a medalha de seu Nobel da Paz, sem transferir a condição de laureada.
Recebeu o Prêmio Václav Havel de Direitos Humanos de 2024 e dividiu com González o Prêmio Sakharov daquele ano. A BBC a incluiu em sua lista de 100 Mulheres de 2018, e a revista Time a escolheu para a relação Time 100 de 2025.
Nascida em Caracas, Machado é a mais velha das quatro filhas da psicóloga Corina Parisca Pérez e do empresário da indústria siderúrgica Henrique Machado Zuloaga. Cresceu em uma família conservadora e católica e, ao falar de sua infância, afirmou ter sido protegida do contato com os problemas do país. Estudou em colégios particulares venezuelanos e em internatos nos Estados Unidos, além de viajar à Europa. Seu trisavô foi o escritor venezuelano Eduardo Blanco, autor de Venezuela Heroica, de 1881. O tio-avô Armando Zuloaga Blanco morreu na tentativa de levante de 1929 contra a ditadura de Juan Vicente Gómez.
Formou-se em engenharia industrial na Universidade Católica Andrés Bello e fez mestrado em finanças no Instituto de Estudos Superiores de Administração, o IESA, em Caracas. Trabalhou na indústria automobilística em Valencia e se mudou para Caracas em 1993. Em 1992, criou a Fundação Atenea, financiada por doações privadas para atender crianças órfãs e crianças em conflito com a lei que viviam nas ruas da capital. Também presidiu a Fundação Oportunitas. Afastou-se da fundação quando passou a trabalhar na Súmate, para evitar sua politização.
Participou do programa Yale World Fellows, da Universidade Yale, em 2009. Também integrou a seleção Young Global Leaders, do Fórum Econômico Mundial, em 2005 e em 2011.
Ao encontrar Alejandro Plaz no saguão de um hotel em 2001, Machado conversou com ele sobre a polarização política venezuelana. Dessa conversa surgiu a organização civil voluntária Súmate, da qual Machado foi vice-presidente e presidente. Ela explicou que não queria acompanhar o conflito político de casa e que pretendia manter a disputa no processo eleitoral, permitindo aos venezuelanos contar seus votos e reduzir as tensões antes que se agravassem. Apresentou essa escolha como a preferência pelas urnas diante da violência.
A Súmate organizou a coleta de assinaturas para o referendo revogatório de 2004. Os eleitores rejeitaram a destituição de Hugo Chávez. Depois da votação, Machado e outros integrantes da organização foram acusados de traição e conspiração, com base no artigo 132 do Código Penal, por terem recebido financiamento da organização estadunidense National Endowment for Democracy, a NED. O valor mencionado no processo era de cerca de 31 mil dólares, destinados a atividades de educação eleitoral que a Súmate apresentava como apartidárias. A Human Rights Watch confirmou o recebimento da verba, mas considerou as acusações juridicamente frágeis e motivadas por razões políticas.
Chávez chamou os dirigentes da Súmate de conspiradores, golpistas e subordinados ao governo estadunidense. O Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou que o processo fazia parte de uma campanha para intimidar a sociedade civil e impedir o exercício de direitos democráticos. A decisão também recebeu críticas da Human Rights Watch, da Embaixada dos Estados Unidos e do Movimento Mundial pela Democracia. Uma coalizão de personalidades internacionais expressou preocupação com a democracia venezuelana. Machado reconheceu em 2005 que Chávez tinha apoio popular e que havia medidas positivas a reconhecer, mas o acusou de se tornar cada vez mais intolerante.
Para o The New York Times, em 2005, Machado era uma das figuras que mais dividiam opiniões depois de Chávez, entre a admiração e a hostilidade. O governo a acusava de integrar uma elite corrupta subordinada a George W. Bush, enquanto ela viajava a Washington e Madri para denunciar a perda de direitos democráticos.
Em agosto de 2006, Machado e Plaz foram impedidos de entrar em uma audiência parlamentar sobre as contas da Súmate. Os dois afirmaram ter recebido cartas que solicitavam seu comparecimento. Machado também foi investigada por uma assinatura que lhe foi atribuída no Decreto Carmona, durante a tentativa de golpe de 2002. Ela respondeu que acreditara assinar uma lista de presença ao visitar o palácio presidencial e negou ter assinado o decreto. No processo relativo ao financiamento da Súmate, as acusações podiam resultar em mais de dez anos de prisão. O julgamento foi suspenso em fevereiro de 2006, após problemas de devido processo apontados no procedimento de primeira instância. O novo julgamento continuava sendo adiado em 2008.
Campanha para as primárias presidenciais de 2012
Machado anunciou em 2011 que concorreria à indicação da oposição para a eleição presidencial de 2012. Seu nome já havia sido mencionado como possível candidata pelo Los Angeles Times. Michael Shifter avaliou que ela conseguia apresentar uma proposta para o período posterior a Chávez capaz de alcançar eleitores chavistas. O Financial Times a chamou de novo rosto da oposição e observou que o próprio presidente havia cogitado enfrentá-la nas urnas.
Durante o discurso anual de Chávez à Assembleia Nacional, que durou oito horas em 13 de janeiro de 2012, Machado o confrontou sobre a escassez de produtos básicos, a criminalidade e a nacionalização de empresas. Acusou-o de roubo pelas expropriações e perguntou como ele podia afirmar que respeitava a propriedade privada enquanto confiscava empresas. A Associated Press qualificou sua interrupção como ousada, e o El Estímulo avaliou que o confronto televisionado a tornou mais conhecida fora de Caracas. Sua família havia participado da fundação da Electricidad de Caracas e era proprietária de empresas siderúrgicas, a Sivensa e a Sidetur, que foram expropriadas pelo governo chavista. Militares ocuparam sete unidades industriais durante a nacionalização. O El País avaliou que a intervenção havia destruído as empresas.
Henrique Capriles Radonski venceu as primárias de 12 de fevereiro de 2012 e se tornou o adversário de Chávez na eleição de outubro. Machado reconheceu a derrota antes do anúncio oficial e declarou apoio a Capriles. No confronto de janeiro, Chávez havia previsto que ela perderia, mencionando sua posição nas pesquisas da oposição.
Ao deixar a direção da Súmate em fevereiro de 2010, Machado anunciou sua candidatura à Assembleia Nacional pelo estado de Miranda. A circunscrição abrangia os municípios de Chacao, Baruta e El Hatillo e a paróquia de Leoncio Martínez, em Sucre. Concorreu com apoio do Primeiro Justiça, integrante da Mesa da Unidade Democrática, coligação de oposição ao Partido Socialista Unido da Venezuela. Defendeu o direito de pensar livremente e viver sem medo, afirmando que os venezuelanos não queriam violência nem ódio. Também propôs reformar as instituições públicas, sobretudo o Conselho Nacional Eleitoral, para construir um governo que prestasse contas à população. Venceu as primárias em abril de 2010.