Manuel José Macário do Nascimento Clemente GCIH • GCC • GCNSC (São Pedro e Santiago, Torres Vedras, 16 de julho de 1948) é um cardeal português, tendo de 2013 até 2023 sido 17.º Cardeal-Patriarca de Lisboa, com o título de D. Manuel III. A 10 de Agosto de 2023, com a nomeação do seu sucessor, passou a Patriarca Emérito.
Foi Bispo Auxiliar de Lisboa, como o título eclesiástico de Bispo Titular de Pinhel, de 1999 até 2007, quando foi nomeado Bispo do Porto pelo Papa Bento XVI. Permaneceu na Diocese do Porto até à sua nomeação como Patriarca de Lisboa em 2013 pelo Papa Francisco. Tomou posse canónica do Patriarcado na Sé Patriarcal de Lisboa a 6 de Julho de 2013, tendo no dia seguinte realizado a entrada solene no Mosteiro dos Jerónimos, numa Missa Solene concelebrada por todos os Bispos de Portugal e que contou com a presença do então Presidente da República Aníbal Cavaco Silva e de diversas autoridades civis e militares.
Em 4 de janeiro de 2015 o Papa Francisco anunciou a nomeação cardinalícia de Manuel Clemente, tendo sido elevado a cardeal-presbítero com o título da Igreja de Santo António dos Portugueses, Santo António in Campo Marzio, em 14 de fevereiro de 2015 no Consistório Ordinário Público de 2015.
Formação e percurso académico e científico
Filho de Francisco do Nascimento Clemente e de sua mulher Maria Sofia Correia Lopes Macário, ingressou em 1973 no Seminário Maior de Cristo Rei dos Olivais e, no ano seguinte, licenciou-se em História na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. A partir de 1975 leciona História da Igreja na Universidade Católica Portuguesa. Formou-se em Teologia nesta mesma universidade em 1979, ano em que foi ordenado presbítero a 29 de junho, já com 31 anos, pelo Cardeal-Patriarca D. António Ribeiro, na Sé de Lisboa. Doutorou-se em Teologia Histórica em 1992 com a tese intitulada ‘Nas origens do apostolado contemporâneo em Portugal. A «Sociedade Católica»’ (1843–1853). Foi diretor do Centro de Estudos de História Religiosa da mesma universidade entre 2000 e 2007. É, desde 1993, membro da Sociedade Científica da Universidade Católica e, desde 1996, Sócio Académico Correspondente da Academia Portuguesa de História. D. Manuel Clemente foi ainda coordenador de dois projetos financiados pela antiga Junta Nacional da Investigação Científica (atual Fundação para a Ciência e a Tecnologia): Igreja e movimentos sociais: as organizações católicas em Portugal no século XX (1993–1995) e O movimento católico e a presença da Igreja na sociedade portuguesa (1996–1998).
Após a sua ordenação presbiteral, desempenhou as funções de vigário paroquial coadjutor nas paróquias de Torres Vedras e Runa até 1980, quando foi nomeado para a equipa formadora do Seminário dos Olivais. Foi nomeado cónego da Sé Patriarcal em 1989. Entre 1989 e 1997 foi vice-reitor deste seminário e em 1997 foi promovido a reitor, sucedendo na altura ao recém nomeado arcebispo coadjutor de Lisboa, D. José da Cruz Policarpo. Foi coordenador do Conselho Presbiteral do Patriarcado 1996 e coordenador da Comissão Preparatória da Assembleia Jubilar do Presbitério para o ano 2000. É autor de uma vasta obra historiográfica, com destaque para títulos como: Portugal e os Portugueses e Um só propósito publicados em 2009 e Igreja e Sociedade Portuguesa, do Liberalismo à República.
Foi nomeado bispo auxiliar de Lisboa, com o título de bispo titular de Pinhel, a 6 de novembro de 1999 por Papa João Paulo II. A ordenação episcopal decorreu a 22 de janeiro de 2000 na Igreja do Mosteiro dos Jerónimos e teve como ordenante principal o bispo-patriarca D. José da Cruz Policarpo e como co-ordenantes os bispos D. Manuel Franco da Costa de Oliveira Falcão e D. Albino Mamede Cleto. Escolheu para lema episcopal: «In Lumine tuo».
Enquanto bispo auxiliar de Lisboa ficou responsável pela zona oeste do Patriarcado. Foi nomeado Promotor da Pastoral da Cultura na Conferência Episcopal Portuguesa a 11 de abril de 2002 e foi o presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais entre 2005 e 2011. É por isso uma figura reconhecida no meio cultural português com a sua contribuição na Pastoral Cultural em Portugal, é um excelente comunicador e é muito respeitado pelos meios intelectuais fora e dentro da Igreja. Há muitos anos que trabalha que colabora regularmente com vários órgãos de comunicação social, participando designadamente em O Dia do Senhor, da Rádio Renascença, há cerca de uma década, tendo ainda uma colaboração ativa na programação da Ecclesia na RTP2, que lhe dispõe um espaço de comentário semanal.
O seu espírito missionário fez com que fosse nomeado para coordenar a equipa portuguesa do Congresso Internacional para a Nova Evangelização (ICNE) que juntou as dioceses de Viena (2003), Paris (2004), Lisboa (2005), Bruxelas (2006) e Budapeste (2007). D. Manuel Clemente tem ligações ao movimento escutista: é escuteiro desde 1964, primeiro na Paróquia de São João de Deus e depois em Torres Vedras e tem participado em acampamentos com os escuteiros da zona oeste do patriarcado. O último foi no XXII Acampamento Nacional de Escuteiros (ACANAC) que decorreu em Idanha-a-Nova em 2012. Tem assistido as Equipas de Nossa Senhora, um movimento que cultiva a espiritualidade dos casais, nomeadamente duas equipas de casais enquanto esteve em Lisboa.
Foi nomeado bispo do Porto em 22 de fevereiro de 2007 pelo Papa Bento XVI, sucedendo a Dom Armindo Lopes Coelho. Entrou solenemente na diocese a 25 de março. Em 2008, foi o primeiro bispo português a transmitir a mensagem de Natal através do Youtube. Recebeu o Papa Bento XVI na cidade do Porto, no âmbito da Visita Apostólica a Portugal em 2010, no mesmo ano da "Missão 2010", um projeto que fez questão de lançar, tentando alcançar as várias comunidades cristãs. Conseguiu dinamizar esta diocese a ponto de lhe serem dirigidos vários elogios ao seu trabalho pastoral.
Em 2011, foi eleito vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, de que é presidente desde 2013 e foi nomeado membro do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais.
Em 2012, no seguimento da publicação de uma Nota Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa, presidiu à sessão solene de abertura das celebrações do 150º aniversário do nascimento da Beata Irmã Maria do Divino Coração, a Condessa Droste zu Vischering e Madre Superiora do Convento das Irmãs do Bom Pastor do Porto, que foi a pessoa responsável por ter influenciado o Papa Leão XIII a efetuar a consagração do Mundo ao Sagrado Coração de Jesus. Dom Manuel Clemente manifestou sempre publicamente a sua especial devoção para com esta personalidade religiosa.
O anúncio oficial foi feito através da Nunciatura Apostólica a 18 de maio de 2013 numa nota enviada à agência Ecclesia. Numa declaração de despedida à diocese do Porto, D. Manuel Clemente deixa a certeza de que “o coração não tem distância, só profundidade acrescida”. A posse canónica decorreu a 6 de julho na Sé Patriarcal, perante o cabido da mesma, e a entrada solene no Patriarcado de Lisboa realizou-se no dia seguinte, a 7 de julho de 2013, na Igreja do Mosteiro dos Jerónimos.
A Nunciatura Apostólica relembra que a resignação “por limite de idade” do Cardeal-Patriarca Emérito, D. José Policarpo, apresentada em 2011 aos 75 anos, já tinha sido aceite pelo Papa Bento XVI, decisão confirmada pelo Papa Francisco. Considerado um dos profundos pensadores do País na atualidade, o Bispo do Porto há muito que era dado como o mais provável sucessor de D. José Policarpo. D. Manuel Clemente assumiu, assim, o mais destacado cargo da Igreja Católica em Portugal, ocupando o lugar de D. José Policarpo, que era Cardeal-Patriarca desde 1998. Pelo facto de Lisboa ser sede de um Patriarcado Metropolitano, ou seja, o Patriarca é também Metropolita da Província Eclesiástica de Lisboa, D. Manuel Clemente recebeu o pálio das mãos do Papa Francisco, durante a cerimónia de imposição que decorreu a 29 de junho de 2013, na Basílica de São Pedro.
Entre 2013 e 2020, foi presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, terminando o mandato de D. José Policarpo - que iria até 2014, mas foi interrompido por força da renúncia deste - e sendo depois reeleito em 2014 e 2017, para mandatos de três anos cada.