Malu Galli, nome artístico de Maria Luiza Reis Galli (Rio de Janeiro, 17 de novembro de 1971), é uma atriz, autora, produtora e diretora brasileira.
A atriz é conhecida por seus trabalhos na TV Globo como Lúcia na série Queridos Amigos (2008), Lygia em Cheias de Charme (2012), Maria Lídia em Amor de Mãe (2019) e Violeta em Além da Ilusão (2022). No cinema, ganhou destaque por interpretar Chiquinha Gonzaga em O Xangô de Baker Street (2001), Pérola em O Contador de Histórias (2009) e Ana em 180° (2011), trabalho esse que lhe rendeu uma indicação da crítica cinematográfica brasileira ao Prêmio Guarani de Melhor Atriz em 2012. Foi também vencedora de um Kikito no Festival Gramado e um Prêmio Arte Qualidade Brasil.
Primeiros anos e formação acadêmica
Nascida na capital carioca no início dos anos 1970, ela é filha do engenheiro Humberto Galli, de origem italiana, e da professora Vanda Reis. Aos dez anos de idade Maria Luíza ingressou no curso de atuação do renomado teatro O Tablado, sendo esse seu primeiro contato com o mundo das artes. Em sua família não havia nenhum artista e, inicialmente, a atriz enfrentou resistência de seu pai para seguir na profissão, mas recebeu apoio de sua mãe.
Posteriormente, em 1990, formou-se na Faculdade da Cidade em um curso de atuação lecionado pela premiada diretora e atriz Bia Lessa. Desde então, a atriz estreou nos palcos do teatro, onde consolidou uma vasta carreira e, mais tarde, migrou para a televisão e cinema, onde ganhou mais destaque popular no cenário nacional.
1990 – 1999: Início no teatro e primeiros trabalhos na televisão
MeMalu ganhou destaque nos palcos do Rio de Janeiro em encenações ao lado de grandes nomes das artes cênicas do país. Participou, em 1991, da peça Mann na Praia, produzida pela Companhia de Teatro Autônomo, onde foi dirigida por Jefferson Miranda, sendo essa sua estreia no teatro profissional. Em seguida, foi dirigida por Enrique Diaz em Ensaio.Hamlet, um espetáculo produzido pela Companhia dos Atores, no Rio de Janeiro. Ao longo dos anos 1990, continuou participando assiduamente em produções teatrais, destacando-se em Minha Alma É Imortal (1993), A Ver Estrelas (1995) e A Noite de Todas as Ceias (1997). No início da carreira, a atriz conta que se sustentava a partir de seus trabalhos com publicidade, visto que o teatro não a trazia muito retorno financeiro.
Quando completou seus 18 anos, começou a realizar alguns testes de elenco para televisão e ganhou um pequeno personagem na série Anos Rebeldes, da TV Globo, sendo essa sua estreia na televisão. Aos 21 anos de idade, Malu fez um comercial para a empresa de cigarros Free, onde recebeu um alto cachê em dólares. A partir desse trabalho, a atriz saiu da casa de seus pais e se estabilizou vivendo de sua atuação no teatro, cinema e publicidades. Em 1994, a atriz fez uma ponta na novela Pátria Minha, como uma atriz que está realizando um comercial. Em 1998, estreou nos cinemas no filme Policarpo Quaresma, Herói do Brasil, dirigido por Paulo Thiago. Em 1999, realizou uma participação especial em dois capítulos da novela Andando nas Nuvens, da TV Globo, onde ela viveu uma grávida.
2000 – 2007: Consolidação no teatro e no cinema
No início dos anos 2000, Malu percorreu por algumas cidades brasileiras com peças de teatro reconhecidas pela crítica e pelo público. Em 2000, foi dirigida por Enrique Diaz em O Rei da Vela. O sucesso nos palcos seguiu em sua carreira nos anos seguintes, como em Meu Destino É Pecar (2001), Uma Coisa que Não Tem Nome (e que se Perdeu) e Memorial do Convento (2002). Em O Xangô de Baker Street, filme dirigido por Miguel Faria Jr., baseado no livro homônimo de Jô Soares, Malu ganhou seu primeiro grande papel no cinema interpretando a famosa compositora e musicista Chiquinha Gonzaga, um ícone da cultura brasileira. Em 2003, esteve em três filme. Em Harmada, interpretou Amanda. Em seguida, atuou em dois filmes dirigidos por Moacyr Góes: no premiado Dom, uma reimaginação da obra Dom Casmurro, de Machado de Assis; e, no sucesso de bilheteria Maria, Mãe do Filho de Deus, onde a atriz encenou como a santa Maria Madalena.
Em 2004, atuou e idealizou o espetáculo Conjugado. A peça foi aclamada pela crítica e Malu foi indicada ao Prêmio Shell de melhor atriz, um dos maus importantes prêmios do teatro brasileiro. Sucesso de público, a atriz ficou em cartaz com a peça até 2007. Em 2005, voltou a televisão atuando em pequenas participações em séries e novelas. Fez uma aparição na reta final do grande sucesso Senhora do Destino (2004–2005), onde interpretou uma enfermeira que ajuda a vilã Nazaré no roubo da bebê de Isabel. Também em 2005, fez parte do elenco da série indicada ao Emmy Internacional Mandrake, da HBO, onde deu vida à advogada Flávia, amiga do protagonista Mandrake, interpretado por Marcos Palmeira.
Em Achados e Perdidos (2005), Malu contracenou com Antônio Fagundes e Zezé Polessa vivendo a garota de programa Vanessa, que se encontra arrasada pela morte da amiga. No mesmo ano volta aos palcos com o espetáculo E Agora Nada É Mais Uma Coisa Só. Em 2006, na Record TV, faz participação com Antônio Fragoso, como dois traficantes de órgãos em Prova de Amor. Dirigida por Paul Leduc, esteve no elenco do filme mexicano Cobrador: In God We Trust (2006), vencedor do Prêmio Ariel, como Soraia. Em 2007, estreou o monólogo Diálogos com Molly Bloom, idealizado e protagonizado pela própria atriz, como Molly Bloom. Ainda em 2007, atuou no drama Maré, nossa história de amor, uma releitura contemporânea da tragédia de William Shakespeare Romeu e Julieta dirigido por Lúcia Murat, e também fez uma participação especial no seriado A Grande Família, durante o episódio "Distraídos pelo Desejo".
2008 – 2014: Reconhecimento na televisão e projeção nacional
Foi em 2008 que a carreira de Malu Galli ganhou maior projeção nacional. Após anos de pequenas participações na televisão, ela foi convidada pela autora da minissérie Queridos Amigos, Maria Adelaide Amaral, que a assistiu na peça A Gaivota, para seu primeiro papel de destaque na TV. Na pele da psicanalista Lúcia, Malu foi aclamada pela crítica por sua atuação. De forte carga dramática na atuação, ela venceu o Prêmio Arte Qualidade Brasil de Melhor Atriz Revelação em Televisão. O ano de 2008 também foi produtivo para a atriz no cinema, que atuou ao lado de Júlia Lemmertz, Fernando Eiras e Fernando Alves Pinto no longa-metragem Mulheres Sexo Verdades Mentiras e também no curta-metragem Areia, trabalho esse que lhe rendeu o Kikito de melhor atriz em curta-metragem no Festival de Cinema de Gramado, um dos mais importante eventos do cinema nacional.
Após sua aparição em Queridos Amigos, a atriz começou a receber convites para integrar elenco de diversas produções na televisão, consolidando-se como uma das grandes atrizes brasileiras. Sua estreia em elenco fixo de novelas foi em Três Irmãs (2008–2009), de Antônio Calmon, no papel de Lígia. Entre 2009 e 2011, fez participações recorrentes na série Aline, da TV Globo, como Dolores Ferrer, mãe da protagonista Aline, interpretada por Maria Flor. Em 2009, atuou no filme biográfico O Contador de Histórias, que conta a história de Roberto Carlos Ramos, ou Roberto Carlos Contador de Histórias, como é conhecido em Belo Horizonte. Em Ouro Negro - A Saga do Petróleo Brasileiro (2009), filme que trata da aventura da descoberta do petróleo no Brasil a partir dos anos 10, e dos pioneiros idealistas, interpreta Mariana Amorim Gosch.
Em 2010, integra o elenco da novela das sete Tempos Modernos, interpretando a babá Iolanda Paranhos. Concomitantemente, estreia no teatro como diretora em A Máquina de Abraçar. Pela peça, ela recebeu sua segunda indicação ao Prêmio Arte Qualidade Brasil, dessa vez na categoria Melhor Direção Teatral de Drama. Em 2011, destacou-se no elenco de A Vida da Gente, aclamada novela de Lícia Manzo, onde novamente Galli foi elogiada por seu trabalho dramático como Dora, uma mãe solteira que luta para se sustentar e cuidar dos filhos em meio aos dramas de sua vida pessoal. Também foi bastante elogiada pela sua atuação no filme 180° (2011), onde estreia como protagonista no cinema ao lado de Eduardo Moscovis e Felipe Abib, como a jornalista Ana. Por seu desempenho, ela foi indicada ao Prêmio Guarani de Melhor Atriz, principal premiação da crítica cinematográfica brasileira.