Malcolm III (ca. 1031 — castelo de Alnwick, Northumberland, 13 de novembro de 1093) foi rei dos escoceses. Era filho de Duncan I (1010-1040, assassinado por Macbeth e com ele subiu outra vez ao trono a Casa de Moray ou de Atholl. Conhecido por Canmore, deu início ao governo da Casa de Canmore, que duraria dois séculos: em gaélico, dizia-se Ceann mor, Caennmor, que significava tanto grande cabeça quanto grande chefe. Malcolm III foi sepultado na abadia de Dunfermline, com a segunda esposa.
Criança quando o pai foi assassinado por Macbeth, passou a infância na Nortúmbria refugiado com o tio, o conde Siward, que o estabeleceu em 1054 na Cúmbria e em Lothian, tendo então adotado costumes anglo-saxões. Permaneceu 15 anos na corte saxônica, no reinado de Eduardo, o Confessor. Até 1058 pode observar o estilo de governo dos reis e como Eduardo era altamente impopular com os aristocratas saxões, pode conhecer também os problemas.
Por vingança, destruiu o castelo de Inverness e levantou outro perto, na colina do Castelo ou Castle Hill. Invadiu a Inglaterra cinco vezes entre 1061 e 1093.
Voltou à Escócia para recuperar o trono do pai, para impor sua autoridade sobre os escoceses e ameaçar mesmo o vizinho que o abrigara. No ano 1054, aos 23 anos, farto de se esconder de Macbeth, juntou um exército e derrotou duas vezes Macbeth em batalha, a segunda vez em Lumphanan, em 1057, onde o matou com seu filho, deixando assim o trono vago. Foi coroado rei em 25 de abril de 1058.
Estava no trono há pouco tempo quando enviou tropa contra aldeias inglesas na Nortúmbria. O ato foi um choque e um golpe para a Inglaterra, sobretudo porque o rei Eduardo o tinha ajudado a obter o trono. Mas o objetivo de Malcolm, sua ambição pessoal, era conquistar o norte da Inglaterra.
Seus golpes iniciais tiveram sucesso mas, apesar dos ataques, a Inglaterra manteve o controle do norte. Sete anos mais tarde, outros acontecimentos no norte causaram a queda do rei inglês. Haroldo Manto Cinzento, o rei da Noruega, tentou tomar a Nortúmbria e Malcolm decidiu auxiliá-lo, parcialmente porque sua (primeira) esposa era parente do rei e parcialmente porque desejava uma parte da Nortúmbria.
Eduardo morrera no final do ano 1065 e Haroldo Godwinson tomara o trono, para a fúria de Guilherme, duque da Normandia, que se dizia herdeiro de Eduardo. Na verdade, ao quase naufragar Haroldo no canal da Mancha, em 1064, Guilherme o tinha feito prometer que apoiaria seu direito ao trono inglês, em troca de sua liberdade. Ora, ao saber da invasão norueguesa, Haroldo levou seus homens para o norte. Os ingleses derrotaram os noruegueses mas foram forçados a voltar imediatamente porque a força de invasão de Guilherme da Normandia tinha desembarcado. Guilherme derrotou Haroldo em Hastings, marchou para Westminster e ali se coroou rei da Inglaterra. Muitos saxões fugiram para a Escócia, quando os normandos desembarcaram. Entre estes, o último da linha do rei Alfredo, Edgar Atheling ou o Herdeiro, e sua irmã Margarida. Em 1070 Malcolm III casou com Margarida em Dunfermline. Nesse ano invadiu a Inglaterra, para ajudar o cunhado a obter o trono inglês, mas principalmente porque desejava aumentar seus próprios domínios… E pelo casamento tinha também direitos ao trono, pois Edgar e Margarida eram netos do rei Edmundo II de Inglaterra Ironside. Esta sua segunda esposa teve muita importância, pois com sua ajuda conseguiu substituir a língua gaélica pela saxônica, como idioma da corte.
Mas nunca pode realizar o desejo de expandir o reino pelo norte da Inglaterra, pois Guilherme da Normandia que se tornou rei da Inglaterra, e que o futuro apelidaria o Conquistador, avançou pela Escócia em 1072. Descobrindo a ambição do escocês, decidiu aniquilá-lo. Houve batalha em Stirling. Edgar Atheling abandonou Malcolm Canmore e fugiu para Flandres, na atual Bélgica. Quando Malcolm descobriu o tamanho do exército normando, prometeu jamais incursionar pela Inglaterra e tomou ainda a decisão de prestar homenagem ao rei da Inglaterra - decisão que teria futuramente consequências fatais para a independência da Escócia, em tempos mais perigosos.
Manteve a promessa por uns sete anos. Por razões desconhecidas, porém, em 1079 fez outra incursão, atacando traiçoeiramente Northumberland, «à moda escocesa», como reclamavam os ingleses: devastando com selvageria. No ano seguinte os normandos atacaram de novo a Escócia, decidindo construir um castelo na margem do rio Tyne para ter mais proteção e uma base contra os ataques escoceses. Malcolm então, lembrando de seu acordo de paz, prometeu de novo manter a trégua outros 12 anos.
Margarida, enquanto isso, desenvolveu todos os esforços para criar um ambiente mais civilizado na corte. Inteligente e muito religiosa, conseguiu modernizar o país, introduzindo ideias da Inglaterra e da Europa. Trouxe alguma gentileza ao reino do norte, copiando algumas modas normandas, como carnes temperadas e vinhos franceses, tapeçarias, roupas bonitas, dança e canto, baladas. Ensinou os padres a viverem simplesmente e sem ostentação, entregues às suas crenças cristãs, tornou domingo um dia de culto e, por volta de 1070, convidou três monges beneditinos ingleses da abadia de Canterbury a construir um mosteiro em Dunfermline. Foi assim que teve início a construção de numerosos mosteiros na Escócia: os monges trouxeram novas habilidades agrícolas e novidades na arquitetura. Construiu também uma capela nova, no castelo de Edimburgo, no estilo normando, que é a mais antiga das igrejas na Escócia atualmente, e onde a Rainha passava horas em prece. Foi dela a ideia dos barcos, chamados Queen's Ferry sobre a passagem do Firth of Forth para Santo André ou St. Andrews. Sua vida dedicada a caridade impressionou o marido rude e ambicioso, que permitiu que ela gastasse o dinheiro do Tesouro com suas obras e alimentou ele mesmo 300 pobres no castelo real.
Mas antes que expirasse o prazo dos 12 anos de trégua feito com os normandos, resolveu fazer nova incursão em 1091 no norte da Inglaterra, pois o novo rei, filho de Guilherme da Normandia, Guilherme II Rufus ("o Ruivo"), estava na Normandia. Edgar Atheling retornou de Flandres para tomar parte na invasão. E embora Malcolm III tivesse jurado ajudar o cunhado a recuperar seu trono, estava mais interessado em colocar nele sua própria descendência. Os ingleses e normandos, porém, repeliram outra vez os escoceses e pela terceira vez o rei da Escócia assinou um acordo de paz.
Os ingleses construíram um castelo novo em Carlisle para defender a fronteira. Mas em 1093 Canmore resolveu outra vez atacar. Malcolm III foi morto durante a incursão, em Alnwick, com um de seus filhos, assim que a luta começou. Outro filho foi feito refém e levado para a corte inglesa. Margarida, doente no castelo de Edimburgo, em vão lhe suplicara adiar o ataque. A notícia apressou sua morte, quatro dias mais tarde. Depois da derrota, a fronteira entre os dois países foi definida pela primeira vez.
Malcolm tinha governado durante 35 anos mas a estabilidade terminou com sua morte e a sucessão de reis que se seguiu. Depois de sua morte, o castelo de Edimburgo viu-se rodeado pelos homens das Terras Altas, ou Highlanders, a serviço de seu irmão Donald Bane, que planejava ocupá-lo para se tornar rei. Seu plano era matar os sobrinhos, filhos de Margaret, ou aprisioná-los. Os irmãos, encurralados, tinham que levar o cadáver da mãe para ser sepultado em Dunfermline e não sabiam como agir, mas um pesado nevoeiro desceu sobre o castelo, tão denso que puderam fugir dos Highlanders com o corpo e fugir depois para a França.
Sua vida como rei foi a de um barão atacante e sem lei. Nunca ajudou o cunhado a tomar o trono inglês, e nem obteve sucesso algum para si mesmo. A desculpa que dava era sempre a do cunhado, mas é considerado um tirano ambicioso. O casal desperta até hoje curiosidade, pois a esposa era de tal maneira gentil e religiosa que foi logo a seguir chamada santa. Enquanto ela vivia para a igreja e a caridade, ele tentava com brutalidade obter controle e poder sobre os ingleses do norte. Foram vidas distintas, mundos separados, unidos apenas pelo destino.