A Maia é uma cidade portuguesa localizada na sub-região da Área Metropolitana do Porto, pertencendo à região do Norte e ao distrito do Porto.
É sede do município da Maia que tem uma área total de 82,99 km2, 134 977 habitantes em 2021 e uma densidade populacional de 1 626 hab./km2, subdividido em 10 freguesias. O município é limitado a norte pelos municípios da Trofa e de Santo Tirso, a leste por Valongo, a sudeste por Gondomar, a sul pelo Porto, a sudoeste por Matosinhos e a noroeste por Vila do Conde.
O concelho da Maia recebeu carta de foral em 1519, apesar de existirem vestígios pré-históricos de presença humana e referências a este ajuntamento que remontam ao domínio romano. A história desta cidade confundiu-se muitas vezes com o destino de Portugal, particularmente durante o processo de independência, com especial destaque para Gonçalo Mendes da Maia, “O Lidador”.
A Maia comporta uma dualidade resultante da intersecção de um passado histórico com uma nova era de desenvolvimento. Por um lado, existem fortes identidades individuais de cada parte do município, derivadas de raízes culturais, históricas e religiosas milenares, principalmente nas zonas rurais, onde predomina a agricultura; Por outro, a Maia é actualmente um dos municípios mais avançados do país, com um papel importante na indústria, inovação e novas tecnologias, constituindo um exemplar de desenvolvimento económico e ambiental.
O nome originalmente dado pelos romanos foi "Pallantia" (Palância em português atual), sendo este entretanto alterado pelos romanos ou pelos invasores suevos para a forma semelhante à atual.
O processo evolutivo atualmente mais aceite resulta de uma análise de 1976 da Inscrição de Alvarelhos, descoberta numa época relativamente recente (agosto de 1972). Na Inscrição de Alvarelhos, lê-se “MADEQUIS(ENSES) STATUERUNT LADRONO CAMALI F(ILIO) ANTONIO A(NIMO) I(IBENTES) MO(NUMENTUM).” (trad.: “Os Madequisenses erigiram de livre vontade este monumento a Ladronus Antonius, filho de Camadus”), sendo o gentílico arcaico madequisenses derivado do topónimo pré-romano Madia.
O nome desta inscrição refere-se antes à zona em que foi encontrada (lugar de Sobre Sá, freguesia de Alvarelhos), e por isso o seu conteúdo não se refere necessariamente aos habitantes do Castro de Alvarelhos. Além disso, sabe-se que se encontrava deslocada do seu contexto arqueológico original à data da sua descoberta. A toponímia desta zona é ainda incerta, particularmente devido à ausência de referências cronológicas, pelo que o termo madequisenses se pode referir tanto aos habitantes do Castro de Alvarelhos como aos antigos habitantes do Castêlo da Maia.
Esta teoria é reforçada pelo facto do radical mad-, de origem indo-europeia, estar frequentemente associado ao significado “terra húmida”. Assim, pode-se deduzir que os antigos habitantes das Terras da Maia reconheciam a vasta rede hidrográfica da região, tal como se pode verificar atualmente. Esta suposição é também suportada no gentílico Uliaincae, (relativo ao topónimo Uliainca, muito provavelmente referente ao Castro de Alvarelhos, ou ao Castêlo da Maia com menor probabilidade), visto que o radical indo-europeu uli- acumula também significado semelhante.
Madea deveria ser na realidade o fonema original, tendo sofrido a seguinte evolução fonética: Madea > Madia > Maia. A forma “Amaia” e equivalentes, ponto de partida de outra teoria, pode ser facilmente justificável pelas frequentes confusões com o artigo definido “a”, pelo que a expressão “a Maia” (com o “a” acrescentado pelo povo em associação a uma entidade feminina) era por vezes substituída por “Amaia”.
As freguesias de Moreira e Nogueira podem também ser referidas por Moreira da Maia e Nogueira da Maia de forma a identificar mais claramente a sua localização. Na realidade, todas as (antigas e atuais) freguesias do concelho, à exceção de Gemunde, Gondim, Gueifães, São Pedro Fins, Vila Nova da Telha, Sta. Maria de Avioso e S. Pedro de Avioso, possuem localidades homónimas em Portugal ou Espanha, mas distingue-se mais recorrente mente os dois casos inicialmente referidos. Os habitantes da Maia e de concelhos limítrofes muito raramente se referem à toponímia extensa destas freguesias, visto que as ditas localidades homónimas não são nomeadamente próximas da Maia.
Existe no concelho da Maia um fenómeno fonético original, o topónimo da vila do Castêlo da Maia. Atualmente é aceite também a grafia “Castelo da Maia”, mas o “e” permanece como uma vogal anterior semifechada não-arredondada, como se lê em “mesa”. Nenhum maiato, nem mesmo parte dos habitantes de concelhos limítrofes, seria capaz de se enganar quanto à sua fonética, mas o erro é evidentemente recorrente para quem não se encontra familiarizado, particularmente desde que a grafia alternativa se encontra mais em voga.
Tal como para a palavra castelo, o topónimo Castêlo provém da evolução fonológica de castro, mas, em vez de se abrir, a vogal “e” foi-se fechando progressivamente. Em 1048, este pequeno castro no topo do Monte de Sto. Ovidio era chamado Castro Avenoso (Avenoso evoluiu depois para Avioso). No século XVI, terá passado a designar-se como Castrelejo, diminutivo de castro. Posteriormente, terá derivado para Castrelo, e de seguida para Castello no final do século XIX (com a grafia alternativa Castëdo), como se lê em castelhano (kasˈteʎo), com o “e” uma vogal anterior média não-arredondada.
Esta vogal fechou-se ainda mais até dar origem à forma atual, como uma vogal anterior semifechada não-arredondada. Em suma, observou-se o seguinte processo evolutivo: Castro > Castrelejo > Castrelo > Castello > Castêlo.
Na lei em Diário da República que decreta a elevação desta povoação ao estatuto de vila (1986), é utilizada a grafia “Castelo da Maia”, assim como para o centro de saúde da vila. No entanto, na lei em Diário da República que estipula a reforma administrativa de 2013, é utilizada a grafia “Castêlo da Maia”. Foi assim adotada esta como a grafia oficial para fins administrativos, de forma que no brasão consta a grafia “Castêlo da Maia”, bem como em anúncios em Diário da República, nos boletins informativos e plataformas informáticas de comunicação com a população a cargo da junta de freguesia. Além disso, também outras instituições (como o Castêlo da Maia Ginásio Clube e o Agrupamento de Escolas do Castêlo da Maia) utilizam essa grafia, sendo portanto considerada esta mais aceite.
Apesar de poder também ser referida apenas por Castelo, esta freguesia/vila é muito mais frequentemente referida pela forma extensa, ao contrário das freguesias acima referidas.
O território atualmente correspondente ao município da Maia é já habitado desde a Pré-História. Foram encontrados inúmeros vestígios pré-históricos, como arte rupestre, com especial destaque para a Pedra Partida de Ardegães, mamoas, várias peças de cerâmica, arpões e pontas de seta do períodos Calcolítico (particularmente do Neocalcolítico), da Idade do Bronze e da Idade do Ferro.
A Pedra Partida de Ardegães constitui um dos indícios mais notáveis da ocupação pré-histórica das Terras da Maia. Este testemunho, um bloco granítico de 3,5 toneladas, foi descoberto na década de 1930 num terreno privado no lugar de Ardegães, freguesia de Águas Santas. Terá cerca de 5000 anos (Idade do Bronze) e destaca-se pela quantidade de motivos geométricos, constituindo um excelente exemplar de arte megalítica da Europa atlântica. A Pedra deve o seu nome ao facto de ter sido possivelmente danificada por maquinaria pesada durante o processo de desmatamento que conduziu à sua descoberta. Encontrava-se à guarda da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto até 2001, data de abertura do Museu de História e Etnologia da Terra da Maia, onde se encontra atualmente em exposição permanente.
Os romanos terão sido atraídos para este território devido à riqueza dos seus solos e à abundância de recursos. Foram encontradas várias necrópoles, bem como peças de cerâmica, mós, vestígios de calçada romana e marcos miliares, originalmente localizados ao longo da secção da via romana Bracara-Cale (Braga-Porto) que atravessava a Maia. Neste museu, repousa também a Inscrição de Alvarelhos, uma inscrição funerária importante para o estudo das origens das gentes maiatas. Foi encontrada em Alvarelhos, em agosto de 1972, deslocada do seu contexto arqueológico original.