Maílson Ferreira da Nóbrega (Cruz do Espírito Santo, 14 de maio de 1942), nascido de pai alfaiate e mãe costureira, é um economista brasileiro. Foi Ministro da Fazenda no Governo José Sarney, durante o período de hiperinflação do fim dos anos 1980.
Funcionário do Banco do Brasil desde 1963, Nóbrega formou-se em economia em 1974, pela Faculdade de Ciências Econômicas Contábeis e de Administração do Distrito Federal (CEUB). Em fins dos anos 1970, começou a fazer carreira no Ministério da Fazenda. Assumiu diversos postos proeminentes entre o final da década de 1970 e início da década de 1980. Em 1977 assumiu, no então Ministério da Indústria e Comércio, o cargo de chefe da assessoria econômica do ministro Angelo Calmon de Sá. Em 1979 se tornou Coordenador de Assuntos Econômicos do Ministério da Fazenda the Karlos Rischbieter. Em 1983 foi Secretário-Geral na gestão de Ernane Galvêas. Entre 1985 e 1987 foi diretor do Eurobraz - European Brazilian Bank, em Londres. Foi nomeado ministro da Fazenda em 6 de janeiro de 1988, após a renúncia de Luiz Carlos Bresser Pereira.
Ao assumir, Nóbrega afirmou que não descuidaria "em nenhum momento, do controle da inflação", que não haveria nenhum pacote econômico ou "medidas heroicas", e que tentaria renegociar a dívida externa brasileira com os credores internacionais em condições tão favoráveis quanto às obtidas pelo México. Rapidamente, contudo, tornou-se claro que não seria capaz de cumprir nenhuma destas promessas. Defendeu a suspensão da moratória da dívida externa decretada em 1987, alegando que seria uma medida de boa vontade para uma negociação com os credores.
Em 2 de fevereiro de 1988, o então senador Fernando Henrique Cardoso questionou no Congresso Nacional a retomada dos pagamentos da dívida externa (após a moratória de 1987) sem que houvesse um acordo definitivo firmado com os credores. Finalmente, em 23 de agosto de 1988 o Brasil fechou um acordo com o FMI e posteriormente firmou o maior contrato de reestruturação da dívida da época, pelo qual teria à disposição US$ 1,4 bilhão (do qual recebeu efetivamente US$ 477 milhões).
Nóbrega havia declarado que faria uma política econômica "feijão com arroz", sem "soluções miraculosas", realizando somente ajustes pontuais para evitar hiperinflação. Todavia, o índice do ano de 1987, que havia terminado com uma inflação acumulada em 415,87%, foi amplamente superado pelo índice de 1 037,53% ao final de 1988. Tornou-se claro que, mais uma vez, o governo Sarney teria que lançar mão de outro "pacote econômico heterodoxo". Este efetivamente surgiu em 15 de janeiro de 1989 e recebeu o nome de "Plano Verão".
O pacote econômico conhecido como "Plano Verão" foi o terceiro e último do governo Sarney, e tinha como objetivo principal controlar a escalada inflacionária num ano eleitoral. Para isso, foi criada uma nova moeda, o cruzado novo (que valia 1 000 cruzados), houve uma desvalorização de 14% da moeda nacional perante o dólar, e preços e salários foram congelados. Como os seus antecessores, o Plano Verão fracassou em controlar a inflação. Maílson da Nóbrega admite que seus objetivos não foram atingidos, mas que outras medidas que deveriam ter sido adotadas para que o plano obtivesse êxito não foram aprovadas pelo Congresso brasileiro. Entre elas, a demissão de funcionários públicos sem estabilidade, extinção de órgãos públicos e um amplo programa de privatizações. Estas medidas foram posteriormente adotadas nos governos neoliberais de Fernando Collor de Mello e Fernando Henrique Cardoso.
Além de sua inocuidade como instrumento de controle da inflação, alega-se que o Plano Verão e similares (Plano Bresser de 1987 e os Planos Collor 1, de 1990, e Plano Collor 2, de 1991), teriam causado prejuízos às pessoas que na época possuíam cadernetas de poupança. No caso do Plano Verão, as perdas foram estimadas em cerca de 20,37% sobre os rendimentos em fevereiro de 1989. Todavia, a Febraban - Federação Nacional dos Bancos não somente contestou a ideia de que os poupadores teriam sido prejudicados, como afirmou que as instituições financeiras não se apropriaram do dinheiro sequestrado das contas dos clientes pelo governo, já que excessos de liquidez costumam ser recolhidos compulsoriamente ao Banco Central. Em 2013, o Supremo Tribunal Federal (STF) começou a reavaliar o caso para definir se houve prejuízos - e quem pagará por eles.
O ano de 1989 veria a inflação atingir a marca histórica de 1.782,85%. Em março de 1990, o presidente eleito, Fernando Collor de Mello, deu posse à nova ministra da Fazenda, Zélia Cardoso de Mello. Logo após a posse, Maílson da Nóbrega se mudou para São Paulo onde começou quase imediatamente a trabalhar como consultor financeiro (não havia um período de "quarentena" para autoridades recém-saídas de cargos ministeriais). Com um de seus ex-subordinados, Cláudio Adilson Gonçalez, e Celso Luiz Martone, montou a MCM Consultores Associados, da qual faria parte até 1995. Entre 1995 e 1996 Maílson da Nóbrega exerceu o cargo de vice-presidente do Banco BMC.
Em 1996, Maílson da Nóbrega começou a estruturar a Tendências Consultoria Integrada, juntamente com Nathan Blanche e Gustavo (Jorge Laboissière) Loyola, ex-presidente do Banco Central (e ex-sócio da MCM). A expertise de ambos na área pública fez com que a Tendências (ao lado da MCM) se tornasse uma das principais consultorias econômicas brasileiras, tendo como clientes grandes "players" do mercado financeiro e empresas do setor real. Em janeiro de 1999, baseados nos relatórios do MCM e do Tendências, que previam uma desvalorização do real apenas em fevereiro, os bancos Marka e FonteCindam foram sofreram grandes perdas e receberam um pacote de ajuda do Banco Central, presidido por Francisco (Lafaiete de Pádua) Lopes. Naquele que se transformaria num dos grandes escândalos financeiros do governo Fernando Henrique Cardoso.
Todavia, o caso Marka/ FonteCindam não arranhou o prestígio de Maílson da Nóbrega ou de sua consultoria. Articulista da "Folha de S. Paulo" desde 1998, em 2000 ele se mudou para o "Estado de S. Paulo", e a partir de 2005 começou a escrever quinzenalmente para a revista semanal "Veja". Em 2012, além de continuar a ser sócio da Tendências e um dos palestrantes mais requisitados no Brasil (cerca de 90 apresentações por ano na época, quase sempre sobre análise da conjuntura político-econômica), Maílson da Nóbrega era ainda membro do conselho de administração de sete empresas no Brasil e no exterior (entre elas, Grendene, TIM, Rodobens e Cosan).
Em 2013 o documentário "O Brasil Deu Certo. E Agora?" foi lançado nos cinemas de oito cidades brasileiras, permanecendo em cartaz por onze semanas ao todo. Em 2014 foi lançado no Netflix. Idealizado por Maílson da Nóbrega e escrito e dirigido por Louise Sottomaior, o filme aborda a conquista da estabilidade política e econômica no Brasil e os desafios ao crescimento do país. Com depoimentos de três ex-presidentes da república (Sarney, Collor e FHC), sete ex-presidentes do Banco Central e 13 ex-ministros de Estado, não contou com as presenças do ex-presidente Lula, da então presidente, Dilma Rousseff, e dos ex-ministros da Fazenda Antônio Palocci e Guido Mantega. Segundo Maílson, todos foram convidados, mas preferiram não participar.
Em sua autobiografia, "Além do Feijão com Arroz", Maílson da Nóbrega confirma que sua efetivação no cargo de ministro da Fazenda teve o aval do poderoso empresário das telecomunicações Roberto Marinho (o qual, segundo Nóbrega, lembraria William Randolph Hearst, ou, mais precisamente, o "Cidadão Kane"). Roberto Marinho tinha um candidato para o cargo, o então presidente do Banco do Brasil, Camilo Calazans de Magalhães. O presidente Sarney preferia Maílson da Nóbrega e por isso o orientou a aceitar o convite do "Dr. Roberto" para conversar com ele em seu escritório em Brasília. A conversa, que Nóbrega descreveu como uma "sabatina", ocorreu na tarde de 5 de janeiro de 1988. Marinho aparentemente ficou satisfeito com o que ouviu, pois ao voltar ao ministério, por volta das 18h (10 minutos após ter deixado o escritório da Rede Globo), Nóbrega foi cumprimentado pela secretária, que acabara de ouvir no plantão do Jornal Nacional a confirmação da efetivação dele como ministro da Fazenda. Em seguida, recebeu um telefonema de Sarney, convocando-o ao Palácio do Planalto para tomar posse do cargo.