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Maçonaria

Grupo de organizaciones fraternales

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Maçonaria refere-se a organizações fraternais que têm as suas origens nas guildas medievais de canteiros que, a partir do final do século XIII, regulamentavam a qualificação da profissão e a sua interação com autoridades e clientes. Devido a equívocos sobre a tradição da maçonaria de não discutir seus rituais com não membros, a fraternidade tornou-se associada a muitas teorias da conspiração.

A maçonaria moderna consiste em dois grupos principais de reconhecimento. A maçonaria regular insiste em que um volume de um livro sagrado seja aberto em uma loja de trabalho, que todos os membros professem crer em um Ser Supremo, que nenhuma mulher seja admitida e que a discussão sobre religião e política seja proibida. A maçonaria continental é o termo geral usado para as jurisdições que removeram parte ou todas essas restrições.

A unidade organizacional básica local da maçonaria é a loja, que geralmente é supervisionada em nível regional (estado, província ou fronteira nacional) por uma obediência ou potência maçônica. Não existe uma Grande Loja internacional que supervisiona toda a maçonaria; cada obediência é independente e não se reconhece necessariamente como legítima.

Os graus maçônicos mantêm os três níveis das guildas de artesãos medievais: os de "aprendiz", "companheiro" e "mestre". Ao candidato desses três graus são progressivamente ensinados os significados dos símbolos da maçonaria e confiados cumprimentos, sinais e palavras para indicar sua posição a outros membros. Os graus são parte da moral alegórica da organização, cujos membros são conhecidos como maçons. Existem graus adicionais, que variam de acordo com a localidade e jurisdição, e geralmente são administrados por seus próprios órgãos (separados daqueles que administram os graus de ofício).

Desde meados do século XIX, os historiadores maçônicos buscam as origens do movimento em uma série de documentos semelhantes conhecidos como Manuscritos Maçônicos, que datam desde cerca de 1425 até o início do século XVIII. Aludindo ao pertencimento a uma loja de pedreiros operativos, eles a relacionam a uma história mitologizada, aos deveres de suas notas e à maneira pela qual os juramentos de fidelidade devem ser tomados ao ingressar. É do século XV também a primeira evidência de rito cerimonial.

Não há um mecanismo claro pelo qual essas organizações profissionais se tornaram as lojas maçônicas de hoje. Os primeiros rituais e senhas conhecidos, que provém de lojas operacionais da virada do século XVII a XVIII, mostram que houve a continuidade dos rituais desenvolvidos no final do século XVIII por maçons aceitos ou "especulativos", como aqueles membros que não praticavam o ofício físico passaram a ser gradualmente conhecidos. As atas da loja de Edimburgo (Capela de Maria) nº 1, na Escócia, mostram a passagem de uma loja operativa em 1598 para uma loja especulativa moderna. Ela tem a reputação de ser a loja maçônica mais antiga do mundo.

Alternativamente, Thomas De Quincey, em seu trabalho intitulado Rosicrucians and Freemasonry, propôs a teoria que sugeria que a maçonaria era possivelmente uma consequência do rosacrucianismo. A teoria também foi postulada em 1803 pelo professor alemão J. G. Buhle.

A primeira Grande Loja, a "Grande Loja de Londres e Westminster" (mais tarde denominada "Grande Loja da Inglaterra"), foi fundada no dia de São João, 24 de junho de 1717, quando quatro lojas de Londres se reuniram para um jantar conjunto. Muitas lojas inglesas aderiram ao novo órgão regulador, que entrou em um período de autopublicidade e expansão. No entanto, muitas lojas não quiseram endossar as mudanças feitas no ritual pelos chamados "modernos", e algumas delas formaram uma Grande Loja rival, em 17 de julho de 1751, que eles chamaram de "Grande Loja Antiga da Inglaterra". Essas duas Grandes Lojas disputaram a supremacia até que os modernos prometeram voltar ao ritual antigo. Eles se uniram em 27 de dezembro de 1813 para formar a Grande Loja Unida da Inglaterra (UGLE).

A Grande Loja da Irlanda e a Grande Loja da Escócia foram formadas em 1725 e 1736, respectivamente, embora nenhuma das duas tenha convencido todas as lojas existentes em seus países a se unirem por muitos anos.

A maçonaria teve influência decisiva em grandes acontecimentos mundiais, tais como a Revolução Francesa e a Independência dos Estados Unidos. Tem sido relevante, desde a Revolução Francesa, a participação da maçonaria em levantes, sedições, revoluções e guerras separatistas em muitos países da Europa e da América. No Brasil, deixou suas marcas, especialmente na independência do Brasil do jugo da metrópole portuguesa e, entre outras, a inconfidência mineira e na denominada "Revolução Farroupilha", no extremo sul do país, tendo legado os símbolos maçônicos na bandeira do Rio Grande do Sul, estado da Federação brasileira. Vários outros Estados da Federação possuem símbolos maçônicos nas suas bandeiras, como Minas Gerais, por exemplo.

A divulgação dos direitos do homem e da ideia de um governo republicano inspirou a maçonaria no Brasil, em particular depois da Revolução Francesa, quando os cidadãos derrubam a monarquia absolutista secular. As ideias que fermentaram o movimento (século XVIII) havia levedado o espírito dos colonos americanos, que emigraram para a América em busca de liberdade religiosa e política.

A maçonaria é caracteristicamente universalista por ser uma sociedade que aceita a afiliação de todos os cidadãos que se enquadrarem na qualificação "livres e de bons costumes", qualquer que seja a sua raça, a sua nacionalidade, o seu credo, a sua tendência política ou filosófica, desde que não neguem ao homem o direito à liberdade individual da autodeterminação.

Potências e lojas são autônomas somente em sentido administrativo, grão–mestres e mestres das Lojas não podem jamais se pronunciar em nome da Maçonaria Universal. No entanto, se autorizados por suas assembleias, podem se pronunciar oficialmente sobre desenvolvimento dos seus trabalhos, na escolha da forma e do direcionamento de suas atividades sociais e culturais.

O Iluminismo é um conceito que sintetiza diversas tradições filosóficas, sociais, políticas, correntes intelectuais e atitudes religiosas. Pode-se falar mesmo em diversos micro-iluminismos, diferenciando especificidades temporais, regionais e de matiz religioso, como nos casos de Iluminismo tardio, Iluminismo escocês e Iluminismo católico. O Iluminismo é, para sintetizar, uma atitude geral de pensamento e de ação. Os iluministas admitiam que os seres humanos estão em condição de tornar este mundo um mundo melhor — mediante introspecção, livre exercício das capacidades humanas e do engajamento político-social.

Devido a formação intelectual e a autonomia que cada loja tem para pronunciar-se e decidir em assembleia conforme a deliberação de seus associadas, não podemos falar em influência da Maçonaria Universal sobre determinado aspecto, mas sim de uma ou grupos de lojas. Como aconteceu no Brasil quando havia lojas ou grupos de Lojas a favor da República e outras lojas ou grupos de Lojas a favor de reinos constitucionais durante o Segundo Império. Essas posições, aparentemente divergentes atendem às aspirações da liberdade maçônica porque ambos os mencionados sistemas políticos limitam os poderes de seus governantes máximos, o presidente ou o rei.

Iluministas se filiaram às Lojas Maçônicas como um lugar seguro e intelectualmente livre e neutro, apropriado para a discussão de suas ideias, principalmente no século XVIII quando os ideais libertários ainda sofriam sérias restrições por parte dos governos absolutistas na Europa continental e por isso certamente a Maçonaria teria contribuído para a difusão do Iluminismo e que este por sua vez também possa ter contribuído para a difusão das lojas maçônicas.

O lema, ou o símbolo, "Liberdade, Igualdade, Fraternidade" se constitui de um grupo de palavras que supostamente exprime as aspirações teóricas do povo maçônico e que, se atingidas, levariam a um alto grau de aperfeiçoamento de toda a Maçonaria, o que é evidentemente utópico, como a nosso ver o são todos os lemas. A trilogia seria de origem revolucionaria e que se introduziu na cultura maçônica através do Imperador Napoleão a partir do início do período napoleônico.

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