Os Mártires da Guerra Civil Espanhola ou Mártires Espanhóis do Século XX são os nomes escolhido pela Igreja Católica para o reconhecimento ou beatificação de vários de seus fiéis ou religiosos que foram mortos violentamente na década de 1930, durante o chamado Terror Vermelho, ao longo do período da Segunda República e dentro da zona da Frente Popular devido ao ódio à fé católica, em circunstâncias que são consideradas heroicas por terem dado um testemunho de sua adesão a fé no momento de sua execução, sendo, portanto, mártires da fé. Eles são comemorados pelo catolicismo em 6 de novembro.
Durante os séculos XIX e XX, a Igreja Católica na Espanha apoiou, foi fortemente apoiada e associada à monarquia espanhola. A Segunda República Espanhola viu uma alternância de governos de coalizão de esquerda e conservadores entre 1931 e 1936. Em meio à desordem causada pelo golpe militar de julho de 1936, muitos apoiadores do governo republicano apontaram suas armas contra indivíduos que consideravam reacionários locais, incluindo padres e freiras.
Um caso paradoxal para os católicos estrangeiros foi o do Partido Nacionalista Basco, na época um partido católico das áreas bascas, que após alguma hesitação apoiou o governo republicano em troca de um governo autônomo no País Basco. Embora praticamente todos os outros grupos do lado republicano estivessem envolvidos na perseguição anticlerical, os bascos não desempenharam nenhum papel. A diplomacia do Vaticano tentou orientá-los para o lado nacional, explicitamente apoiado pelo cardeal Isidro Gomá y Tomás, mas o Partido Nacionalista Basco temia o centralismo dos nacionais. Alguns nacionalistas catalães também se encontraram na mesma situação, como os membros do partido da União Democrática da Catalunha, cujo líder mais relevante, Manuel Carrasco i Formiguera, foi morto pelos nacionalistas em Burgos em 1938.
Durante a Guerra Civil Espanhola de 1936-1939, e especialmente nos primeiros meses do conflito, clérigos individuais foram executados e comunidades religiosas inteiras foram perseguidas, com um número de 13 bispos, 4.172 padres diocesanos e seminaristas, 2.364 monges e frades e 283 freiras, para um total de 6.832 vítimas clericais, no que é conhecido como o Terror Vermelho da Espanha.
O Papa João Paulo II beatificou 473 mártires em 1987, 1989, 1990, 1992, 1993, 1995, 1997 e 2001. Cerca de 233 clérigos executados foram beatificados por João Paulo II em 11 de março de 2001. Em 1999, ele também canonizou Jaime Hilário, um religioso dos Irmãos das Escolas Cristãs, e os nove Mártires de Turón, o primeiro grupo de mártires da Guerra Civil Espanhola a alcançar a santidade. Sobre a seleção dos candidatos, o Arcebispo Edward Novack, da Congregação para as Causas dos Santos, explicou em entrevista ao L'Osservatore Romano: "Ideologias como o nazismo ou o comunismo servem de contexto para o martírio, mas a pessoa e sua conduta se destacam em primeiro plano e, caso a caso, é importante que as pessoas entre as quais a pessoa viveu afirmem e reconheçam sua reputação de mártir e, então, rezem a ela, obtendo graças. Não estamos tão preocupados com ideologias, mas com o senso de fé do povo de Deus, que julga a conduta da pessoa."
O Papa Bento XVI beatificou 530 mártires em 2005, 2007, 2010 e 2011, o maior número dos quais foram os 498 mártires espanhóis em outubro de 2007, uma das maiores cerimônias de beatificação da história da Igreja Católica. O Vaticano não incluiu todos os mártires espanhóis neste grupo, nem nenhum dos 16 padres que foram executados pelo lado nacionalista nos primeiros anos da guerra. Esta decisão provocou críticas consideráveis de parentes sobreviventes e de várias organizações políticas espanholas.
A beatificação reconheceu o destino extraordinário e a morte frequentemente brutal dos envolvidos. Alguns criticaram as beatificações por desonrarem pessoas leigas que também morreram na guerra e por serem uma tentativa de desviar a atenção do apoio da Igreja a Franco (alguns setores da Igreja chamaram a causa nacionalista de "cruzada"). Na Espanha, a Guerra Civil continua a despertar grandes emoções. A cerimônia de beatificação também coincidiu com o debate sobre a Lei da Memória Histórica (sobre o tratamento das vítimas da guerra e suas consequências), promovido pelo governo espanhol.
Em resposta às críticas, o Vaticano descreveu as beatificações de outubro de 2007 como relacionadas a virtudes pessoais e santidade, não a ideologia. Elas não eram "sobre ressentimento, mas sobre reconciliação". O governo espanhol apoiou as beatificações, enviando o ministro das relações exteriores Miguel Ángel Moratinos para comparecer à cerimônia. Entre os presentes estava Juan Andrés Torres Mora, parente de um dos mártires e o deputado espanhol que havia debatido a lei da memória para o PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol).
As beatificações de outubro de 2007 elevaram o número de mártires beatificados pela Igreja para 977, onze dos quais foram canonizados como santos. Devido à extensão da perseguição, muitos outros casos poderiam ser propostos; até 10.000, de acordo com fontes da Igreja Católica. O processo de beatificação já começou para cerca de 2.000 pessoas.
Nas beatificações de 28 de outubro de 2007, Bento XVI sublinhou o apelo à santidade para todos os cristãos, afirmando que era "uma eventualidade realista para todo o povo cristão". Ele também observou: "Este martírio da vida ordinária constitui um testemunho importante como nunca nas sociedades secularizadas do nosso tempo".
O Papa Francisco beatificou 522 mártires em 13 de outubro de 2013, em Tarragona, Espanha; entre eles estava Eugenio Sanz-Orozco Mortera, de Manila, Filipinas, que se tornou o primeiro mártir filipino da Guerra Civil Espanhola. Ele também aprovou beatificações adicionais para mártires espanhóis, que ocorreram para um padre em 1.º de novembro de 2014, bem como dois grupos de mártires em 5 de setembro de 2015 e 3 de outubro de 2015. O pontífice também aprovou a beatificação de 26 mártires capuchinhos, que ocorreu em 21 de novembro de 2015. A beatificação de Valentín Palencia Marquina e seus quatro companheiros ocorreu em 23 de abril de 2016, em Burgos. A beatificação de Genaro Fueyo Castañón e dos seus três companheiros foi celebrada em Oviedo a 8 de outubro de 2016, e a beatificação de José Antón Gómez e dos seus três companheiros foi celebrada em Madrid a 29 de outubro de 2016. Os 115 mártires de Almería foram beatificados a 25 de março de 2017, e Antonio Arribas Hortigüela e os seus seis companheiros foram beatificados a 6 de maio de 2017 em Girona.
A beatificação de Mateo Casals Mas e 108 companheiros foram beatificados em Barcelona em 21 de outubro de 2017. Vicenç Queralt Lloret e 20 companheiros, bem como José María Fernández Sánchez e 38 companheiros foram beatificados em Madrid em 11 de novembro de 2017. A beatificação de Teodoro Illera del Olmo e 15 companheiros foi celebrada em Barcelona no dia 10 de novembro de 2018. A beatificação de Ángel Cuartas Cristóbal e seus 8 companheiros foi celebrada em Oviedo em 9 de março de 2019. Também a mártir María Isabel Lacaba Andia e suas 13 companheiras foram beatificados em Madrid em 22 de junho de 2019.
María Pilar Gullón Yturriaga e 2 companheiros foram beatificados em Astorga em 29 de maio de 2021. A beatificação de Juan Elías Medina e 126 companheiros foram celebrados em Córdoba no dia 16 de outubro de 2021, Francisco Cástor Sojo López e 3 companheiros em Tortosa no dia 30 de outubro de 2021. Benet Domènech Bonet e 2 companheiros em Barcelona no dia 6 de novembro de 2021. As beatificações de Cayetano Giménez Martín e 15 companheiros em Granada no dia 26 de fevereiro de 2022. Ángel Marina Álvarez e 19 companheiros, Isabel Sánchez Romero, Juan Aguilar Donis e 5 companheiros em Almería em 18 de junho de 2022. Também os mártires Vincente Nicasio Renúncio Toribio e 11 companheiros foram beatificados em Madrid em 22 de outubro de 2022.
No dia 20 de junho de 2025, o Papa Leão XIV reconheceu o martírio dos servos de Deus Manuel Izquierdo Izquierdo, presbítero diocesano, e 58 companheiros. No mesmo dia, reconheceu também o martírio dos servos de Deus Antonio Montañés Chiquero, presbítero diocesano, e 64 companheiros. Os dois grupos de mártires pertenciam a Diocese de Jaén e foram mortos por ódio a fé entre 1936 e 1937, durante a perseguição anticatólica na Espanha. No dia 13 de dezembro de 2025, eles foram beatificados na Catedral de Jaén pelo Cardeal Marcello Semeraro, prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos. Somaram-se novos 124 beatos para a Igreja Católica, todos assassinados no contexto da Guerra Civil Espanhola.