Mário Sérgio Pontes de Paiva (Rio de Janeiro, 7 de setembro de 1950 – La Unión, 28 de novembro de 2016) foi um treinador e futebolista brasileiro que atuou como meio-campista. Trabalhou como comentarista dos canais Fox Sports de 2012 a 2016, e tinha um contrato com a emissora até a Copa do Mundo de 2018.
Mário Sérgio era um jogador reconhecido por sua grande habilidade e criatividade. Não por menos, ganhou o apelido de "Vesgo" pelo fato de olhar para um lado e dar o passe pelo outro. Porém, era também um jogador de gênio muito difícil, o que acabou por prejudicar sua carreira.
Tornou-se ídolo do Vitória, defendendo a equipe por quatro anos. No rubro-negro, formou um trio de ataque histórico, junto a André Catimba e Osni, sendo premiado com a Bola de Prata nos Brasileirões de 1973 e 1974. É considerado um dos maiores jogadores da história do clube. Destacou-se também atuando por Fluminense, Grêmio, Internacional, São Paulo e Palmeiras.
Um dos poucos a conquistar o coração de torcedores gremistas e colorados, Mario Sergio conquistou por mais duas vezes a Bola de Prata da revista Placar, ambas pelo Inter, e seu nome aparece no livro "Os 100 melhores jogadores brasileiros de todos os tempos", de Paulo Vinicius Coelho e André Kfouri.
Como jogador, passou por 13 equipes como jogador. Sua carreira nos gramados foi de 1969 a 1987, com duas passagens pelo Internacional.
Mario Sérgio deu seus primeiros passos como atleta na equipe de futsal do Fluminense. Segundo o próprio, "joguei futsal uns sete anos e fui bicampeão brasileiro com a Seleção Carioca."
O pai de Mário Sérgio era sócio do clube, por isso Mario podia jogar de graça.
Nessa época, Mario terminaria o curso científico ingressaria no curso superior em Processamento de Dados. Como o esporte ainda não lhe dava dinheiro, decidiu abandonar a carreira e foi trabalhar numa empresa de computadores.
Em 1969, após ser levado por amigos, fez um teste no Flamengo e foi contratado. Sua grande habilidade, proveniente de sua formação no futsal, foi motivo de preocupação para os treinadores das categorias de base do time da Gávea, que tiveram muito trabalho para lhe tirar o vício de “fominha”. Nesta época, recebeu apoio dos treinadores Modesto Bria e Jouber. Foi campeão dos aspirantes, e no ano seguinte, mais por imposição da diretoria do que pela vontade do técnico do time principal, Yustrich, foi profissionalizado.
Yustrich, que era um forte adepto do futebol força, e também tinha um temperamento mercurial, não gostava dos cabelos longos e das roupas coloridas que Mário Sérgio usava. Era o auge da curtição hippie, coisa que Yustrich, obviamente, não entendia. Costumava provocar Mário Sérgio chamando-o de "boneca".
Um dia, o técnico expulsou-o de um treino e ordenou que não fizesse declaração à imprensa: “Tem um clube de Salvador te querendo, não vai estragar o negócio”. Mário respondeu: “Não vou. Gosto do Rio e minha família mora aqui”. E Yustrich: “Então, azar o seu, porque você nunca mais vai ter chance comigo”.
Depois de uma atuação abaixo de sua média em uma partida, Mário Sérgio foi colocado no banco de reservas. Quando entrava em campo, continuava com seu individualismo, o que desagravada o técnico.
Até que um dia, durante um coletivo, cansado das broncas do técnico, Mário fez embaixadinhas e depois encheu o pé na bola. Em seguida, largou o treino e disse que "no Flamengo não jogava mais".
Mario transferiu-se, então, para o Vitória, onde obteve destaque no futebol brasileiro.
Começou a jogar pelo clube em 1971, mas o destaque veio no ano seguinte com a conquista do Campeonato Baiano.
No clube baiano, segundo a revista Placar, Mário Sérgio formou, ao lado de André Catimba e Osni, o melhor trio de ataque da história do clube.
Em 1972, no primeiro jogo da final do Baianão, contra o Bahia, Mario Sérgio fez o único gol da partida. Antes do segundo jogo da final, que o Vitória venceria por 3–1, deu a seguinte declaração: “Se o Vitória vencer o jogo, vou dar todo meu material. Vou sair de campo de sunga. Só não saio nu porque complica”.
Em 1973, faturou a Bola de Prata da revista Placar jogando como ponta-esquerda. Em 1974, mudou de posição, e passou a jogar como armador. Mesmo com a mudança, fez novamente um excelente Brasileirão. Tamanha foi a importância do Vesgo para o clube naquela competição, que o mesmo foi premiado com a Bola de Prata da Revista Placar.