Santa Luzia de Siracusa (em italiano: Lucia; Siracusa, 7 de março de 283 — Siracusa, 13 de dezembro de 304), também conhecida como Santa Lúcia, foi uma virgem e mártir cristã de origem siciliana do início do século IV, morta durante a Perseguição de Diocleciano, uma das mais violentas investidas do Império Romano contra os cristãos. Natural da cidade de Siracusa, na Sicília, Luzia destacou-se desde cedo por sua fé profunda, por seu voto de consagração a Deus e por sua generosidade para com os pobres, virtudes que a conduziram ao martírio quando se recusou a renunciar à sua fé cristã.
A memória litúrgica de Santa Luzia é celebrada tradicionalmente no dia 13 de dezembro, data em que é venerada como santa por diversas tradições cristãs, incluindo as Igrejas Católica, Ortodoxa, Ortodoxa Oriental, Anglicana e Luterana. Seu nome figura entre os mais veneráveis da Igreja primitiva, sendo uma das oito mulheres, juntamente com a Virgem Maria, explicitamente mencionadas no Cânon Romano, a mais antiga oração eucarística da liturgia latina.
Na antiguidade cristã, a devoção a Santa Luzia teve grande difusão, comparável àquela prestada a outras grandes virgens mártires, como Santa Cecília, Santa Águeda e Santa Inês. À semelhança delas, possuía ofício litúrgico próprio e era amplamente celebrada tanto no Oriente quanto no Ocidente. Ao longo dos séculos, Santa Luzia permaneceu como símbolo luminoso de pureza, fortaleza e fidelidade inabalável a Cristo, sendo por isso invocada especialmente como padroeira da visão e da luz, tanto corporal quanto espiritual.
Os registros mais antigo de sua história vem de achados arqueológicos do século IV e do posterior Atos dos Mártires. As evidências arqueológicas mais antigas vêm das inscrições em grego encontradas nas Catacumbas de São João em Siracusa.
O único fato comum a todos os relatos encontrados é sua denúncia, efetuada por um pretendente desapontado, de sua fé cristã durante a perseguição de Diocleciano, que culminou no seu martírio no ano de 304, na sua cidade natal.
Sua veneração espalhou-se por Roma e, por volta do sexto século, para toda a Igreja.
Durante a Era Medieval, a versão da história de Luzia apresentada na Lenda Dourada de Tiago de Voragine era a mais lida, apresentando o conhecido relato da remoção de seus olhos antes de sua morte.
Em anos recentes, as evidências arqueológicas mais antigas do culto de Santa Luzia foram levadas de volta para a Sicília, em especial para Siracusa, para serem preservadas em museus, como o Museu Arqueológico Regional de Siracusa.
Todos os detalhes de sua vida são os associados com outras mártires do início do século IV. John Henry Blunt, teólogo inglês, vê sua história como um romance heróico cristão similar aos Atos de outras virgens mártires.
De acordo com a história tradicional, Luzia nasceu, de pais ricos e nobres, em Siracusa, no ano de 283. Seu pai era de origem romana, falecendo quando ela completou cinco anos de idade, enquanto o nome de sua mãe, Eutíquia, indica uma possível origem grega.
Assim como outras mártires, Luzia consagrou sua virgindade a Deus, esperando distribuir seu dote entre os pobres. Entretanto, Eutíquia, sem ter o conhecimento da promessa de Luzia, sofrendo de uma hemorragia e temendo pelo futuro de sua filha, prometeu-a em casamento para um jovem de uma rica família pagã.
Santa Ágata foi uma virgem mártir cristã, martirizada cerca de 52 anos antes do tempo de Luzia, durante a perseguição deciana. Seu santuário, em Catânia, a cerca de 80 quilômetros de Siracusa, atraía um número considerável de peregrinos, com relatos de milagres realizados por sua intercessão circulando pelas redondezas. Nesse contexto, Eutíquia foi persuadida a fazer uma peregrinação ao santuário em busca de uma cura.
Enquanto a mãe de Luzia estava fora, Santa Ágata apareceu em sonho para a futura mártir, avisando-a da cura de sua mãe em razão de sua fé. Além disso, profetizou que a jovem seria a "glória de Siracusa", assim como a mártir era de sua cidade, Catânia.
Depois da cura de sua mãe, Luzia tentou persuadi-la a permitir que a jovem distribuísse uma boa parte de suas riquezas para os pobres. Sua mãe inicialmente a contrariou, sugerindo que elas seriam uma boa herança para sua filha. Luzia respondeu: "...qualquer coisa que você se desfazer na morte pelo Senhor, você dá por não puder levar consigo. Doe agora pelo seu verdadeiro Salvador, enquanto você tem saúde, tudo o que você gostaria de doar na hora de sua morte."
As notícias da resolução de Luzia chegaram a seu noivo, que a denunciou para o governador reponsável por Siracusa, Pascásio. O governador ordenou a jovem a queimar um sacríficio para uma imagem do imperador. A recusa de Luzia provocou a declaração da sentença ordenando a violação de sua virgindade num prostíbulo.
A tradição cristã declara que, quando os guardas vieram levá-la, Luzia permaneceu miraculosamente imóvel, mesmo após ela ser atada a um par de bois. Após isso, ao tentar imolá-la, os feixes de madeira não queimavam. Finalmente, Luzia foi morta após um golpe de espada em sua garganta.
Na atualidade, seus restos mortais são mantidos no Santuário de Santa Luzia em Veneza. Seu principal local de culto é a igreja de Santa Lucia ao Sepolcro em Siracusa, no sul da Sicília.
A narrativa da remoção dos olhos de Luzia por tortura está ausente das narrativas e tradições da vida da mártir, até pelo menos o século XV. De acordo com essas narrativas mais tardias, antes de sua morte, Luzia profetizou o fim da perseguição e a punição de Pascásio, além do fim do reinado de Diocleciano e a morte de Maximiano. Essas declarações incitaram a ira do governador, que ordenou a remoção dos olhos da mártir.